Irã responde a Trump e diz estar preparado para ‘jogo de xadrez’
Porta-voz iraniano afirma que Teerã não retomará conversas diretas com Washington enquanto considerar que os compromissos firmados anteriormente estão sendo violados
O governo iraniano reagiu nesta segunda-feira (10) à declaração de Donald Trump de que o impasse entre os dois países se assemelha a uma partida de xadrez. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, afirmou que os negociadores de Teerã demonstraram habilidade tanto nas discussões oficiais quanto nos contatos realizados nos bastidores. Segundo ele, os iranianos atuam como “jogadores profissionais de xadrez” diante da pressão americana.
O conflito começou em 28 de fevereiro, após uma ofensiva conjunta de Israel e Estados Unidos, e as negociações entre Washington e Teerã permanecem interrompidas. Em junho, os dois governos chegaram a um protocolo de acordo, mas o entendimento acabou abandonado no início de julho. Desde então, Trump tenta encontrar uma alternativa diante das exigências apresentadas pelo regime iraniano. No domingo (9), o presidente americano afirmou ao portal Axios que acredita em uma solução e comparou a disputa a um jogo de xadrez.
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Baqaei também descartou a existência de negociações diretas entre os governos e afirmou que, atualmente, há apenas troca de mensagens por intermédio de países mediadores. O diplomata disse que Teerã não pretende voltar à mesa enquanto os Estados Unidos continuarem cometendo o que classificou como “violações” do acordo anterior. Ele ainda associou o impasse à segurança da navegação internacional, em meio ao reforço do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz e ao bloqueio imposto por Washington aos portos do país.
Enquanto as conversas com os Estados Unidos seguem travadas, o Irã concentra esforços em negociações com Omã para estabelecer uma futura rota de trânsito pelo estreito. Baqaei afirmou que ainda existem questões técnicas e mecanismos de segurança a serem definidos para garantir a passagem marítima. Teerã também pretende cobrar pelo uso da via, rejeitando o retorno ao modelo existente antes da guerra. A proposta enfrenta oposição dos Estados Unidos, de outros países e é questionada pelas normas internacionais que regulam a navegação marítima.
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