Brasil está preparado para um grande terremoto?
O Brasil não está entre os países mais atingidos por terremotos, mas a baixa frequência desses eventos não significa risco zero. A pergunta agora é outra: se um grande tremor acontecesse, o poder público estaria preparado?
Por Luciana Perez
Quando se fala em terremoto, a primeira imagem que costuma surgir é a de países como Japão, Chile ou Indonésia. O Brasil parece estar distante dessa realidade.
E, geologicamente, de fato está.
O território brasileiro está localizado no interior da Placa Sul-Americana, longe das principais zonas de encontro entre placas tectônicas. Por isso, os terremotos no país costumam ser menos frequentes e, na maioria das vezes, de baixa intensidade.
Mas menos frequente não significa impossível.
O Serviço Geológico do Brasil registra atividade sísmica no território nacional e mantém uma rede de monitoramento para acompanhar esses eventos. O país já registrou terremotos significativos, inclusive um tremor de magnitude 6,2 em 1955, na Serra do Tombador, em Mato Grosso.
A questão que deveria entrar na agenda dos governos, portanto, não é tentar prever o próximo terremoto. É estar preparado caso ele aconteça.
E SE O GRANDE TREMOR ACONTECER?
Imagine um terremoto de grande intensidade atingindo uma região densamente povoada.
Prédios, hospitais, escolas, pontes, viadutos, redes de água, energia e transporte poderiam ser afetados.
A pergunta seria imediata: as cidades brasileiras estão preparadas para uma emergência dessa dimensão? É aí que o assunto deixa de ser apenas geologia e passa a ser política pública.
Prefeituras precisam ter planos de emergência. Estados precisam possuir estruturas de Defesa Civil capazes de atuar rapidamente. Hospitais precisam ter protocolos para situações de desastre. E as construções precisam obedecer às normas técnicas destinadas a reduzir riscos.
O problema é que tragédias raramente avisam quando vão acontecer.
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O BRASIL TEM MONITORAMENTO
O país possui uma estrutura de monitoramento sísmico coordenada pela Rede Sismográfica Brasileira, que acompanha a ocorrência de tremores e fornece informações para estudos e ações de prevenção. Isso é fundamental. Mas monitorar não significa prever.
A ciência ainda não consegue afirmar que determinado terremoto acontecerá em determinada cidade, em determinado dia e com determinada magnitude.
Por isso, qualquer mensagem dizendo que um grande terremoto está “previsto” para atingir o Brasil em uma data específica deve ser tratada com extrema desconfiança.
O VERDADEIRO PROBLEMA É A PREVENÇÃO
O Brasil pode passar décadas sem enfrentar um terremoto destrutivo. Mas isso não significa que o poder público possa simplesmente ignorar o risco. É a mesma lógica aplicada a enchentes, deslizamentos, incêndios e outros desastres.
Prevenção não existe porque a tragédia está marcada no calendário. Existe justamente porque não sabemos quando ela pode acontecer. E essa deveria ser uma discussão política permanente. Quanto dinheiro é destinado à Defesa Civil? Quantas cidades possuem planos atualizados de emergência? Como estão os hospitais para enfrentar um desastre de grandes proporções? As escolas têm protocolos? As estruturas públicas mais antigas foram avaliadas?
Essas são perguntas que deveriam ser feitas antes — e não depois — de uma tragédia.
O ELEITOR PRECISA COBRAR
A discussão sobre terremotos também revela algo maior sobre a política brasileira. Governos costumam ser cobrados pelo que acontece imediatamente. Mas prevenção exige investimento hoje para evitar uma possível tragédia amanhã. É menos popular inaugurar um sistema de emergência do que cortar uma fita em uma obra. É menos visível reforçar uma estrutura do que anunciar uma nova construção. Mas, diante de um desastre, são justamente essas decisões silenciosas que podem fazer a diferença.
A PERGUNTA QUE FICA
Não existe previsão científica confiável dizendo que um grande terremoto atingirá o Brasil em determinada data. Mas existe uma certeza: terremotos acontecem no Brasil. A frequência é muito menor do que em regiões situadas nos limites das placas tectônicas, mas o risco não é zero.
Então talvez a pergunta mais importante para os nossos governantes não seja:
“Quando será o próximo terremoto?”
E sim:
“Se ele acontecer amanhã, estamos preparados?”
Porque desastre natural pode até ser imprevisível.
Despreparo, não.
(Especial para O HOJE)
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