terça-feira, 6 de outubro de 2026
PREVISÃO

Salário mínimo terá aumento de 7,4% e pode chegar a R$ 1.741

Nova estimativa representa aumento de R$ 120 sobre o valor atual e supera em R$ 24 a projeção apresentada na LDO; valor definitivo dependerá da inflação

Renata Ferrazpor em
Salário mínimo terá aumento de 7,4% e pode chegar a R$ 1.741
Tânia Rêgo/Agência Brasil

O salário mínimo brasileiro poderá passar dos atuais R$ 1.621 para R$ 1.741 em 2027, segundo projeção apresentada nesta segunda-feira (24) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. A estimativa representa um aumento de R$ 120, equivalente a 7,4%, e deverá constar no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), que o governo precisa enviar ao Congresso Nacional até 31 de agosto.

A nova previsão também supera a estimativa anterior do governo. Em abril, o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) trabalhava com a possibilidade de o salário mínimo chegar a R$ 1.717 em 2027. Agora, a projeção foi elevada em R$ 24.

O valor, no entanto, ainda não é definitivo. A definição dependerá do comportamento da inflação até o fim de 2026, especialmente do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado até novembro. Caso os índices fiquem acima ou abaixo do esperado, o valor final poderá ser alterado.

Reajuste considera inflação e ganho real

Pelas regras atuais, o reajuste do salário mínimo leva em consideração a inflação medida pelo INPC e prevê também um ganho real, ou seja, um aumento acima da inflação. Para 2027, esse crescimento real está limitado a 2,5%, conforme os critérios estabelecidos pela legislação.

A projeção de R$ 1.741, portanto, considera tanto a expectativa para a inflação quanto a política de valorização do salário mínimo. Segundo Durigan, a regra busca beneficiar principalmente trabalhadores e pessoas que recebem benefícios sociais e previdenciários vinculados ao piso nacional.

O aumento do salário mínimo afeta diretamente milhões de brasileiros, mas também tem reflexos sobre as contas públicas. Isso ocorre porque diversos benefícios utilizam o piso como referência para o cálculo dos pagamentos.

Impacto sobre Previdência e benefícios

A elevação do mínimo influencia despesas como aposentadorias e pensões pagas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o Benefício de Prestação Continuada (BPC), o seguro-desemprego e o abono salarial. A contribuição previdenciária dos Microempreendedores Individuais (MEIs) também sofre impacto com a mudança.

De acordo com o governo, cerca de 45% dos benefícios do Regime Geral da Previdência Social (RGPS) estão vinculados ao salário mínimo. Por isso, um reajuste acima da inflação, ao mesmo tempo em que amplia o poder de compra dos beneficiários, também aumenta os gastos obrigatórios da União.

Para Durigan, o desafio será conciliar a política de valorização do piso com o controle das despesas públicas. O ministro afirmou que o planejamento do Orçamento de 2027 levará em conta o crescimento dos gastos obrigatórios e as regras do arcabouço fiscal.

Valor definitivo será conhecido no fim de 2026

Apesar da nova estimativa, o valor final do salário mínimo ainda será definido apenas após a divulgação dos dados de inflação referentes a novembro de 2026. Com isso, o número apresentado agora poderá sofrer alterações até o fim do ano.

O Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027 será encaminhado ao Congresso e ainda precisará passar pela análise dos parlamentares. Se a projeção atual for confirmada, o salário mínimo de R$ 1.741 deverá entrar em vigor a partir de janeiro de 2027.

A definição do novo piso terá impacto tanto na renda de trabalhadores e beneficiários quanto no planejamento das contas públicas, tornando o salário mínimo uma das principais variáveis do Orçamento federal para o próximo ano.

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