Flávio Bolsonaro terceiriza prestação de contas de “Dark Horse” e não detalha fundo que financiou filme
Campanha afirma que produtora apresentou balanço da obra, mas informações sobre contratos e origem dos recursos do Havengate continuam sem divulgação pública
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) não apresentou publicamente o detalhamento do financiamento do filme “Dark Horse”, apesar de ter prometido uma prestação de contas sobre os recursos utilizados na produção. O balanço divulgado até agora foi elaborado pela produtora Go Up Entertainment, responsável pela obra, enquanto informações sobre o fundo americano Havengate e os contratos relacionados aos aportes permanecem sob sigilo, segundo a campanha.
A discussão ganhou força após mensagens atribuídas a Flávio e ao então dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, serem reveladas pelo site The Intercept em maio. Segundo a publicação, o senador teria negociado R$ 134 milhões para financiar o filme sobre o pai, Jair Bolsonaro, dos quais R$ 61 milhões teriam sido pagos. Os repasses teriam passado pela Entre Investimentos e Participações, ligada a Vorcaro, e chegado ao Havengate, fundo sediado no Texas e controlado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.
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Em maio, Flávio afirmou que havia solicitado à produtora e ao fundo uma prestação de contas transparente das despesas relacionadas ao investimento. O levantamento apresentado posteriormente pela Go Up aponta que o filme custou cerca de R$ 75,2 milhões até o momento e teria sido financiado exclusivamente com recursos privados. Uma perícia contratada pela defesa da produtora concluiu que não foram identificados indícios de utilização de verbas públicas, emendas parlamentares ou recursos da Lei Rouanet, mas o material não detalha financiadores, notas fiscais, contratos ou os valores gastos em cada etapa da produção.
A origem e a destinação dos recursos também estão no radar das autoridades. A Polícia Federal investiga se valores relacionados ao filme foram utilizados para bancar despesas de Eduardo Bolsonaro, enquanto a Polícia Civil de São Paulo apura suspeitas envolvendo recursos destinados à Go Up. Na segunda-feira (24), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a PF a acessar provas reunidas pela polícia paulista. Procurada, a campanha de Flávio afirmou que a prestação de contas já foi realizada pela produtora e atribuiu à Go Up a responsabilidade pela divulgação do balanço; sobre o Havengate, alegou que regras de confidencialidade nos Estados Unidos impedem a divulgação dos contratos.
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