Câmara de Goiânia vive eleição paralela para definir a presidência da Casa
Henrique Alves, Ronilson Reis e Thialu Guiotti são os mais cotados na disputa que elegerá a Mesa Diretora do Legislativo municipal
No cenário político, as eleições deste ano têm sido o tema central. Mas a Câmara Municipal de Goiânia vive uma eleição própria neste segundo semestre para decidir a Presidência da Casa. No momento, há três vereadores indicados como os principais candidatos a sucessor de Romário Policarpo (Cidadania) no cargo: Henrique Alves (MDB), Ronilson Reis (SD) e Thialu Guiotti (Avante).
A disputa ganha força devido à impossibilidade do atual presidente, Romário Policarpo (Cidadania), em se reeleger. Dessa forma, postulantes ao cargo se movimentam nos bastidores em busca de apoio dos colegas. O prefeito Sandro Mabel (UB) também articula uma composição mais favorável na Câmara, ao considerar as dificuldades para fazer as pautas de interesse do Paço avançar em comissões presididas por opositores, como é o caso da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR).
Nesse cenário, o nome de Ronilson Reis, que até a última semana era cotado como o candidato mais forte, desagrada o chefe do Executivo municipal. Por outro lado, é apoiado pelo presidente da CCJR, Luan Alves (MDB). O emedebista afirma que o apoio não está atrelado à reeleição para presidência da comissão, mas assume querer uma vaga na Mesa Diretora. Sobre a movimentação de Mabel, Luan defende que “quem cuida da Câmara é a Câmara”.
Outro candidato à presidência, o primeiro secretário Henrique Alves, afirma que Mabel não é o primeiro e não será o último prefeito que vai se envolver em um debate sobre a Mesa Diretora. De acordo com o vereador, a interferência acontece devido a pautas de interesse do Paço.
“É natural que o Executivo tenha o interesse de se envolver dentro de uma eleição de uma Câmara. Até porque os projetos do Executivo passam por lá. O orçamento do prefeito é aprovado. Nós temos comissões importantes na Câmara que vão debater os projetos e analisar as contas do prefeito. Então creio que é natural”, afirmou à BandNews Goiás.
Silêncio até às eleições
Com parte dos vereadores focados em campanhas eleitorais, o assunto não é comentado. Oficialmente, tanto a base quanto a oposição dizem que só vão se posicionar após as eleições de outubro. De acordo com Thialu Guiotti, há uma determinação de Romário Policarpo que resultou em um acordo com o vereador Henrique Alves para tratar do assunto somente após o pleito deste ano.
Entretanto, nos bastidores, as articulações continuam. Mesmo na base do prefeito Sandro Mabel, Thialu – que, no momento, é o favorito para assumir o cargo – fez acenos à oposição, com elogios à bancada do PT em sessão do dia 12 de agosto.
“Eu, se fosse prefeito de Goiânia, vereadora Kátia (PT), gostaria de ter a senhora a cada 15 dias no meu gabinete para ouvir as demandas da sociedade, os reclames, aquilo que pode ser melhorado. Fica aqui a sugestão ao prefeito Sandro Mabel. E aqui eu faço um elogio, não só a vossa excelência, mas ao Professor Edward (PT) e ao Fabrício [Rosa (PT)], que fazem a oposição verdadeira. Não a oposição por oposição. Mas uma oposição mostrando que pode ter avanço, que pode melhorar”, destacou.
Quatro mandatos
Romário Policarpo foi eleito quatro vezes seguidas como presidente da Câmara de Goiânia, mesmo com a proibição de mais de uma reeleição consecutiva. O tema foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou legal a segunda reeleição de Policarpo após a eleição para a Mesa Diretora da Câmara de Goiânia realizada em 30 de setembro de 2021.
Em que pese o entendimento do STF, Toffoli destacou que a Corte estipulou o 7 de janeiro de 2021, data da publicação da ata com decisão sobre o tema, como marco temporal para o limite de incidência de única reeleição. Desta forma, Romário Policarpo ainda foi reeleito, pela última vez, para o biênio 2025-2026. (Especial para O HOJE)
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