quinta-feira, 29 de outubro de 2026
ALIMENTAÇÃO DO PET

Petisco pode fazer mal? Especialistas alertam para risco dos ossos de couro

Produtos podem causar engasgo e obstrução gastrointestinal; escolha deve considerar procedência, composição e saúde do animal

Bia Salespor em
Petisco pode fazer mal? Especialistas alertam para risco dos ossos de couro
(Imagem: Reprodução)

Petiscos podem ajudar no treinamento, no enriquecimento ambiental, na administração de medicamentos e até no fortalecimento do vínculo entre os tutores e seus animais. No entanto, nem todas as opções vendidas para cães e gatos são seguras.

Especialistas alertam que os petiscos devem funcionar apenas como complemento da alimentação principal. A quantidade oferecida não deve ultrapassar aproximadamente 10% das calorias diárias do animal. Acima desse limite, os produtos podem desequilibrar a dieta e favorecer o ganho de peso.

Na hora da compra, o primeiro cuidado é verificar se o produto possui registro no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A embalagem também deve trazer nome do fabricante, número do lote, prazo de validade e orientações de uso.

A composição merece atenção especial. Ingredientes identificados claramente, como fígado bovino desidratado, permitem uma avaliação mais segura do que descrições genéricas, como “subprodutos de origem animal”. Promessas exageradas e alegações sem comprovação também devem ser vistas com desconfiança.

Ossos de couro oferecem riscos

Os mastigáveis brancos conhecidos como “ossos de couro” estão entre os produtos que mais preocupam a veterinária. Durante a mastigação, o material amolece com a saliva e pode aumentar de tamanho.

Caso o animal engula um pedaço grande, existe risco de engasgo ou obstrução do sistema gastrointestinal. Dependendo da gravidade, o bloqueio pode representar uma emergência e exigir cirurgia.

Esses produtos também passam por intenso processamento e podem apresentar riscos de contaminação por microrganismos. Por isso, é recomendável buscar alternativas mais seguras, indicadas por um médico-veterinário, para estimular a mastigação e auxiliar na higiene oral.

Desidratados também exigem cuidado

Petiscos desidratados produzidos com fígado, pulmão, traqueia e orelha costumam ter poucos ingredientes e passar por menos etapas de processamento. Isso, porém, não significa que sejam adequados para todos os animais.

Por apresentarem concentrações elevadas de proteínas, fósforo e purinas, podem ser contraindicados para cães e gatos com doenças renais ou hepáticas, histórico de cálculos urinários e outras condições que exigem controle nutricional.

No caso dos biscoitos, deve-se evitar opções com grandes quantidades de farinha refinada, açúcar, gordura hidrogenada, sal e corantes. A idade, o peso e o estado de saúde do animal precisam ser considerados antes da escolha.

Produtos vendidos a granel, sem identificação ou de origem desconhecida também devem ser evitados. O tutor deve lavar as mãos depois de manusear o petisco, guardá-lo em local seco e descartar unidades que apresentem mofo, cheiro alterado ou mudanças na aparência.

A higienização é importante porque a contaminação por Salmonella também pode atingir seres humanos, sobretudo crianças, idosos e pessoas imunossuprimidas.

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