A menos de um mês do 1º turno, candidatos traçam estratégias diferentes
Daniel trabalha para vencer já no primeiro turno; Wilder busca crescimento; Marconi tenta preservar espaço e Luis aposta na força de Lula
Bruno Goulart
Faltam 26 dias para o primeiro turno das eleições para o Governo de Goiás e os candidatos começam a concentrar esforços em estratégias diferentes para as próximas semanas. O governador Daniel Vilela (MDB) trabalha para manter o cenário favorável e conquistar a reeleição já no primeiro turno. O senador Wilder Morais (PL) aposta no crescimento da campanha a partir deste 7 de setembro. O ex-governador Marconi Perillo (PSDB) precisa preservar seu espaço na disputa, enquanto o ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno (PT) tenta ampliar sua votação com a força do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O período ainda permite mudanças no cenário eleitoral. Por isso, as campanhas mantêm a mobilização nos municípios, reforçam seus discursos e buscam ampliar a presença entre os eleitores. A diferença está no que cada candidato precisa alcançar nas próximas semanas.
Daniel
Para o ex-deputado e assessor especial da Governadoria Euler Morais, Daniel chega a esse período em uma situação positiva. Segundo o aliado do emedebista, o governador apresenta crescimento, baixa rejeição e tranquilidade durante a campanha. “O Daniel está num processo de crescimento com rejeição baixa e demonstrando muita serenidade e conhecimento da realidade do Estado”, afirma ao O HOJE.
O discurso de Daniel está baseado na continuidade das políticas públicas do ex-governo de Ronaldo Caiado (PSD) e na apresentação de novas propostas. Entre os temas estão inovação e tecnologia, infraestrutura e conectividade. Na avaliação de Euler, esses investimentos podem contribuir para a agroindustrialização de Goiás e abrir novas oportunidades no mercado de trabalho. “Isso agrega valor ao nosso Estado”, descreve.
Além das propostas, a campanha de Daniel aposta na mobilização política nos municípios. Euler afirma que 227 prefeitos e centenas de vereadores estão envolvidos na campanha. Por isso, o grupo trabalha com a possibilidade de uma vitória no primeiro turno. “Se, nessas duas semanas agora, continuarmos impulsionando a campanha num bom ritmo, dificilmente vamos ter algo tão extraordinário que nos tire a possibilidade de ganharmos no primeiro turno”, avalia Euler.
Wilder
Wilder Morais chega a esse período com uma tarefa diferente: fazer a campanha crescer. O candidato do PL pretende aproveitar as próximas semanas para ampliar a presença entre os eleitores e apresentar suas propostas.
A campanha informa que a comunicação entrará em uma fase mais propositiva e comparativa, para mostrar as diferenças entre os projetos dos candidatos. “Vamos continuar conversando com as pessoas, apresentando as nossas propostas e levando os nossos valores para a rua. À medida que as pessoas conhecem o que estamos propondo para Goiás, mais gente vai entrando na campanha”, afirma Wilder.
Para o mestre em História e especialista em políticas públicas Tiago Zancopé vê uma mudança na estratégia do candidato do PL. Segundo o historiador, Wilder começa a disputar com mais força o discurso de que pode avançar para uma eventual segunda etapa. “Talvez a novidade esteja justamente nessa disputa pelo discurso do primeiro turno que o Wilder traz agora”, avalia.
Marconi
Marconi Perillo enfrenta um desafio diferente. O ex-governador precisa manter sua posição na disputa enquanto Wilder tenta avançar e Luis Cesar busca ampliar o eleitorado petista. Euler Morais avalia que os dois candidatos podem tirar votos de Marconi por terem eleitores mais identificados com seus respectivos campos políticos.
Para Tiago Zancopé, uma eventual saída de Marconi da disputa pelo segundo turno não significaria necessariamente o fim de sua participação política na eleição. Caso Wilder avance contra Daniel, os votos conquistados pelo tucano poderiam se tornar importantes para a segunda etapa.
“Se Wilder conseguir forçar um segundo turno com Daniel, Marconi terá total liberdade de negociar o que quiser, da maneira como quiser. Ele passa a ser a noiva desejada da eleição”, observa. Procurado pela reportagem, Marconi não respondeu até o fechamento desta edição
Luis Cesar
No PT, a estratégia é aumentar a votação de Luis Cesar Bueno e fazer com que a força de Lula se transforme em votos para a candidatura ao governo. A campanha afirma que já distribuiu material em todo o Estado e mobilizou os 180 diretórios municipais e os filiados. “Já foi distribuído material em todo o Estado e os diretórios municipais, 180, e filiados já estão nas ruas trabalhando para Luis e Lula”, informou a assessoria.
A campanha também pretende aumentar os investimentos nas redes sociais e o contato com veículos de comunicação. A meta anunciada é chegar a 15% das intenções de voto até o dia 15 de setembro. Segundo a assessoria, pesquisas internas indicam a possibilidade de Luis Cesar chegar ao segundo turno associado ao nome de Lula.
Tiago Zancopé destaca a existência de um eleitorado petista que permanece fiel ao partido. Para o especialista, a votação de Luis Cesar pode influenciar diretamente a definição da eleição. “São 10% das intenções de voto. Isso mostra que existe uma espécie de petismo consolidado em Goiás”, pontua. (Especial para O HOJE)
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