Na disputa pelo Governo de Goiás, Luis Cesar e Wilder reforçam lideranças nacionais
Petista recorre ao presidente Lula da Silva (PT), enquanto o senador se vincula à família Bolsonaro para crescer nas intenções de votos a 26 dias do primeiro turno das eleições
A 26 dias do primeiro turno, o ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno (PT) e o senador Wilder Morais (PL), os dois candidatos ao Governo de Goiás, aproveitam os programas de TV e rádio para se associar a lideranças políticas nacionais de seus respectivos partidos. O petista se vincula ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto o senador atrela a sua imagem à família Bolsonaro.
Essa movimentação dos dois candidatos já era esperada. Nos bastidores da política goiana, a candidatura do ex-deputado estadual é vista, desde o início, apenas como um palanque competitivo para Lula. A estratégia petista é garantir um concorrente ao Palácio das Esmeraldas para defender o chefe do Executivo nacional em Goiás.
Cesar Bueno tem cumprido essa missão. Em todos os debates e entrevistas que participou, o petista cita o nome do presidente diversas vezes. Além disso, sempre que possível, divulga obras do governo federal realizadas no Estado. O cientista político e professor da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) Pedro Pietrafesa destaca o cumprimento das metas petistas.
“Segundo as pesquisas de opinião, se o Luis Cesar conseguiu passar ali dos 10%, chega próximo a 15% e, no cenário muito otimista, chegaria ao segundo turno das eleições. Caso tenha segundo turno aqui nas eleições estaduais, já cumpriu todas as metas estabelecidas pelo comitê central da campanha do Lula do ponto de vista de objetivos para o Governo do Estado”, explica.
Em que pese a atuação como divulgador dos feitos de Lula, Cesar Bueno também se beneficia eleitoralmente da associação, conforme Pietrafesa: “A estratégia, até o momento, tem sido eficaz. O Cesar Bueno é um candidato pouco conhecido, tinha ali 2%, 3% de intenção de voto no final de julho. Estamos a quatro semanas das eleições, ele já está acima de 10%. Foi uma estratégia boa para o César Bueno e está surtindo um efeito positivo para ele”.
Wilder Morais
O PL goiano chegou a flertar com o grupo governista, ao visar uma dobradinha entre o deputado federal Gustavo Gayer (PL) e a ex-primeira-dama Gracinha Caiado (UB) na chapa para o Senado Federal. No entanto, as negociações foram frustradas após o presidente estadual da legenda, senador Wilder Morais, receber a autorização do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para concorrer ao Palácio das Esmeraldas.
Nesse contexto, o candidato segue a afirmar que a chapa própria na disputa majoritária estadual é necessária para defender o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL). Durante a convenção partidária da sigla, Wilder chegou a afirmar que “primeiro vai defender Flávio e depois Goiás”.
Desde então, o senador tem buscado associar a sua imagem à família Bolsonaro para atrair votos do eleitor ligado ao bolsonarismo. A estratégia se intensificou com os programas de TV e rádio e na agenda deste feriado de 7 de setembro, quando Wilder participou de ato bolsonarista na Praça Tamandaré, em Goiânia, e na Avenida Paulista, em São Paulo. Pietrafesa ressalta que o método já beneficiou o candidato na disputa pelo Senado, em 2022, mas pode não ser suficiente na corrida pelo governo.
“Ele [Wilder Morais] vai beber nisso [associação com o bolsonarismo]. Vai fazer esses discursos de fé, de família e de defesa do Gayer. A associação com o Flávio Bolsonaro não vejo que seja suficiente para se eleger. Pelo menos, no atual contexto, o grande favorito é Daniel Vilela (MDB). Essa associação com o bolsonarismo pode dar a ele um segundo lugar, quem sabe se tiver segundo turno, se chegar no segundo turno, mas não acredito que será suficiente”, avalia.
Disputa pelo 2º turno
O crescimento de Wilder nas pesquisas indica uma disputa com o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) pelo segundo lugar em um possível segundo turno contra a chapa governista. No QG do tucano, articuladores destacam a “experiência político-administrativa” do peessedebista.
O ex-deputado federal e assessor especial da governadoria Euler Morais (MDB) não vê ameaça à candidatura de Daniel Vilela. De acordo com o emedebista, há uma “expectativa exacerbada” em relação à vinculação de Wilder com o bolsonarismo. O ex-parlamentar relembra a última disputa eleitoral, quando o vereador Major Vitor Hugo (PL) disputou o Palácio das Esmeraldas com apoio de Bolsonaro e foi derrotado por Ronaldo Caiado (PSD). (Especial para O HOJE)
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