Fim da taxa das blusinhas causa mal-estar no varejo goiano
Medida provisória aprovada na última quinta-feira (3) zera o Imposto de Importação em compras internacionais de até R$ 50
O Senado aprovou, na última quinta-feira (3), a Medida Provisória (MP) 1.357/2026, que zera o Imposto de Importação em compras internacionais de até US$ 50, que ficou conhecido como “taxa das blusinhas”. As compras feitas em sites internacionais ainda terão cobrança de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), com percentuais definidos por cada Estado e pelo Distrito Federal.
A decisão elimina de forma permanente o imposto de 20% sobre compras internacionais feitas por pessoas físicas. Apesar de conhecida como “taxa das blusinhas”, a cobrança não se aplicava apenas a roupas, mas a todos os produtos enquadrados nessa faixa de valor.
O governo federal havia editado, em maio, uma medida provisória para revogar a taxa, mas a manutenção definitiva da isenção dependia da aprovação do Congresso. A taxa estava em vigor desde agosto de 2024.
Manutenção da taxa
Empresários de setores afetados pela concorrência com sites internacionais pedem que o imposto seja mantido. O presidente da Associação Empresarial da Região da Rua 44 (AER44), Sérgio Naves, disse que a decisão pode atingir diretamente a cadeia da moda, um setor que gera empregos e impactam vários setores da cadeia produtiva.
“Essa cadeia atravessa diversos setores da economia. Ela começa no campo, com a produção de matérias-primas, passa pela indústria têxtil, fiação, tecelagem, beneficiamento, confecção, transporte, logística e distribuição, até chegar ao setor terciário, por meio do atacado, do varejo e de uma ampla rede de serviços”, defende. Segundo o presidente, só a região da 44 gera mais de 150 mil empregos diretos, além de sustentar mais de 60 famílias.
O superintendente de Comércio Exterior da Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços de Goiás (SIC), Plínio Viana, afirma que a medida elimina uma barreira de 20% que, até maio de 2026, funcionava como uma proteção parcial ao comércio local.
Na avaliação de Plínio, a desoneração tende a tornar os produtos importados mais competitivos em preço, especialmente aqueles vendidos por plataformas internacionais. O impacto deve ser sentido principalmente nos segmentos de moda casual e acessório.
A indústria goiana de vestuário também pode ser afetada. Plínio destaca que o setor no Estado é relevante, mas formado principalmente por pequenas e médias empresas, com menor grau de verticalização em comparação a polos tradicionais como Santa Catarina e São Paulo. Além disso, parte da cadeia produtiva local depende da importação de insumos, o que torna o ambiente ainda mais desafiador.
O presidente da AER44 também pontua que o valor de US$ 50 (aproximadamente R$ 255), compete diretamente com o ticket médio de consumo no varejo. “Para efeito de comparação, pesquisa da CNDL e do SPC Brasil realizada em 2026 apontou gasto médio de aproximadamente R$ 294 nas compras para o Dia das Mães”, pontua.
Dados contrários e aprovação popular
Mesmo com o temor do setor produtivo, um levantamento da LCA Consultoria Econômica, com base em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mostra que o emprego no varejo recuou 0,06% e a indústria têxtil teve queda de 0,40% no período de maio e junho deste ano. Ao todo, foram fechadas 9.146 vagas em um mercado de 2,3 milhões de empregos.
Além disso, uma pesquisa da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) mostra que 92% dos brasileiros apoiam o fim do imposto. O levantamento entrevistou 1,3 mil brasileiros de 12 capitais espalhadas pelo País, entre os dias 12 e 21 de maio de 2026.
O assistente administrativo Yan Gabriel Guimarães disse ao O HOJE que achava a taxa abusiva, mas que ainda conseguia entender o motivo de existir. “Quando não tinha essa quantidade de taxas era feito bastante compra on-line, gerando um problema para lojas físicas, só que algumas coisas tinham uma taxa bem alta, algo de 300 reais podia chegar a 600 reais”, comenta.
Outro ponto levantado foi a ineficácia de fortalecer o comércio local, uma vez que não havia uma procura por produtos vendidos na internet nas lojas físicas. “Na teoria era pra favorecer o mercado nacional, mas essa taxação não fez eu comprar mais coisas no Brasil, só me fez deixar de consumir na real”, disse o tatuador Caio Leandro.
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