Luis Cesar Bueno promete reestatizar a saúde, tarifa zero e chegar ao 2º turno em Goiás
Petista defende retomada da gestão estadual da saúde, tarifa zero e investimento nas forças de segurança; candidato diz que espera participação do presidente em evento de campanha no Entorno
O candidato do PT ao Governo de Goiás, Luis Cesar Bueno, aposta na presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e no crescimento de sua candidatura nas pesquisas para alcançar o segundo turno das eleições. Na segunda sabatina do Grupo O HOJE com os candidatos ao governo estadual, o petista apresenta suas propostas de reestatização da saúde, integração de uma rede entre as universidades públicas e sua estratégia eleitoral para chegar ao 2º turno.
Uma das principais apostas do petista para um eventual governo é a mudança no modelo de gestão da saúde pública. Cesar Bueno defende a retirada das organizações sociais (OSs) da administração dos hospitais estaduais e o retorno da gestão para o poder público.
Segundo o candidato, saúde, educação e segurança são atribuições do Estado que não devem ser gerenciadas pela iniciativa privada. “O que acontece com a saúde hoje é: gasta mal, custa caro e presta um mau serviço. Nós pretendemos melhorar a saúde, principalmente, no setor de alta complexidade. É preciso perambular o Estado atrás de uma UTI. Os tratamentos de alta complexidade tem mais de 20 mil pessoas aguardando cirurgia e consultas”, diz.
Bueno ressalta que casos complexos na saúde precisam de atendimento rápido. “Em uma crise renal você não pode ficar gritando de dor na fila da regulação, você está correndo risco de vida. A mulher que tem câncer de mama precisa de uma intervenção rápida para não expandir. Existem algumas atribuições que você tem que tirar da fila de regulação”, afirma.
Na educação, Cesar Bueno explica o projeto de integração entre a Universidade Federal de Goiás (UFG), Universidade Estadual de Goiás (UEG), Institutos Federais (IFs) e demais instituições públicas. A proposta visa aproximar a produção científica das características econômicas de cada região do Estado.
O petista também promete “recuperar a UEG” e criar um polo voltado à exploração de terras raras em Goiás. “Nós vamos criar o Vale das Terras Raras, que será semelhante ao Vale do Silício nos Estados Unidos, que vai fazer com que nós não sejamos apenas exportadores de matéria-prima, mas também exportadores de produtos, chips, baterias e equipamentos para os carros elétricos”, afirma.
Segurança pública
Na segurança pública, o candidato diz que pretende adotar câmeras corporais para policiais e afirma que a proposta faz parte de uma reformulação ampla. Cesar Bueno critica a avaliação de que Goiás seria um Estado seguro apenas pela redução de crimes tradicionais e faz o contraponto com as configurações de crimes cibernéticos e do aumento dos feminicídios.
“Precisamos acabar com o feminicídio em Goiás. É um Estado inseguro para as mulheres. O feminicídio cresceu mais de 300% nos últimos 5 anos. Não dá para conviver em um Estado campeão em refino de cocaína. Não dá para você conviver onde a estrutura do crime organizado está dentro da organização do governo com contratos, e isso quem está é o Ministério Público Federal e a Polícia Federal através da operação Carbono Oculto”, ressalta Bueno.
“O crime tem uma nova configuração, ele subiu para a escala digital. Foi para o andar de cima”, diz. “O que nós precisamos fazer é investir na Polícia Civil. A Polícia Civil tem que ser uma instituição de inteligência, de combate ao crime a partir da inteligência, da perícia e do enfrentamento ao crime digital de igual para igual”, frisa.
Tarifa zero
Outra proposta destacada pelo candidato é a implantação gradual da tarifa zero no transporte coletivo, com prioridade para a Região Metropolitana de Goiânia e para o Entorno do Distrito Federal. A medida seria acompanhada pela criação de corredores exclusivos, eixos preferenciais e expansão do sistema BRT.
“A tarifa zero não é um modelo apenas de garantir a gratuidade no transporte coletivo, já que alguém vai pagar a conta. A tarifa zero é um projeto de mobilidade urbana que nós pretendemos instituir principalmente na grande Goiânia e na Região Metropolitana de Brasília”, explica.
De acordo com o petista, o projeto custaria cerca de R$ 650 milhões na Região Metropolitana de Goiânia e R$ 980 milhões na região do Entorno. Para viabilizar a obra no Entorno, Cesar Bueno defende a criação de um consórcio que envolva os governos de Goiás e do Distrito Federal, municípios goianos e o governo federal.
Questionado sobre a questão fiscal do Estado, o candidato defende o aumento da arrecadação sem “terror fiscal” e com “impulsionamento da economia”. “A arrecadação é pífia. Não dá para um Estado como Goiás arrecadar R$ 54 bilhões, Goiânia sozinha já está batendo quase R$ 20 bilhões”, destaca.

Petista mira 15% e quer Lula em Goiás para alavancar candidatura
Durante a sabatina, o candidato petista Luis Cesar Bueno também fala sobre o momento de sua campanha, que mira o Palácio das Esmeraldas e a expectativa do núcleo petista. O ex-deputado estadual diz acreditar na possibilidade de chegar ao segundo turno.
Questionado sobre sua posição nas pesquisas de intenção de voto e como pretende avançar nos levantamentos eleitorais, Cesar Bueno lembra que iniciou a campanha com 4% das intenções de voto e, em alguns levantamentos, já ultrapassou os dois dígitos percentuais. A partir do crescimento, o candidato projeta alcançar 15% das intenções de voto nos próximos dez dias e aproveitar a força eleitoral de Lula para chegar ao segundo turno da disputa em Goiás.
“Se você comparar o meu crescimento nas pesquisas com as outras candidaturas, eu fui o que mais cresceu. São 2 milhões de votos que foram dados, no segundo turno, ao Jair Messias [Bolsonaro] na eleição de 2022 que estão divididos em três candidaturas da direita: Marconi, Wilder e Daniel Vilela. E nós temos, no campo de cá, 1,542 milhão de votos, onde estou competindo sozinho”, observa.
Vinda de Lula a Goiás
O candidato diz ainda que há um esforço para que o presidente compareça para uma atividade de campanha nos municípios do Entorno. “Eu tenho conversado com o presidente Edinho [Silva], conversei com o ministro [José] Guimarães, para o presidente Lula dar uma parada no Entorno de Brasília, ali por Luziânia, Novo Gama, Cidade Ocidental, para fazer ali um comício para a minha campanha”, descreve.
Na reta final da sabatina, Cesar Bueno é questionado sobre qual seria a posição do PT caso não avance para o segundo turno. O petista evita admitir o cenário e reafirma que a expectativa é avançar com a candidatura petista para a etapa final das eleições.
Porém, na sequência, ressalta que, caso não avance, o critério para uma eventual aliança em Goiás seria o apoio a Lula. “Se porventura tiver algum percalço, nós vamos apoiar aquele que apoiar o presidente Lula. Não tem como. O PT não vai ficar atrás do palanque”, pontua.
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