PF aponta que Vorcaro bancou viagens e jantares de servidores do Banco Central
Relatórios enviados ao STF indicam que ex-banqueiro teria custeado despesas de funcionários acusados de favorecer interesses do Banco Master
A Polícia Federal (PF) afirma que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria financiado viagens e refeições internacionais de dois servidores do Banco Central investigados por supostamente atuar em favor do Banco Master. As informações constam em relatórios encaminhados ao Supremo Tribunal Federal (STF), cujo sigilo foi parcialmente retirado pelo ministro André Mendonça.
Segundo a investigação, Vorcaro teria organizado parte de uma viagem do ex-chefe de Supervisão Bancária Belline Santana e de sua esposa a Paris, incluindo reservas em restaurantes. A PF aponta mensagens nas quais o ex-banqueiro trata diretamente da logística e de refeições do casal. O relatório, no entanto, não informa o valor total de eventuais despesas custeadas durante a viagem.
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Os investigadores também identificaram indícios de que Vorcaro teria arcado com parte de uma viagem do ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza e de sua família à Disney, nos Estados Unidos. A defesa do servidor afirmou que ele pagou as despesas da viagem e sustentou que aceitou apenas uma vaga remanescente em um pacote de acesso prioritário aos parques, mediante pagamento de US$ 8 mil.
A PF ainda afirma que Belline Santana teria recebido R$ 500 mil mensais do Banco Master, com comprovantes de repasses que somam R$ 3,8 milhões. Os investigados negam irregularidades e apresentam versões diferentes sobre os pagamentos e as viagens. No relatório, a Polícia Federal sustenta haver elementos que indicam atuação dos dois servidores em defesa de interesses privados de Vorcaro, ultrapassando, segundo os investigadores, os limites de suas funções no Banco Central.
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