Parada LGBTQIA+ de Goiânia cobra mais participação política e ocupa ruas do Centro
Evento reuniu música, performances, serviços gratuitos e mobilização em defesa da participação da população LGBTQIA+ nos espaços de poder e decisão
*Com colaboração da repórter Renata Ferraz
A 31ª Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Goiânia foi realizada neste domingo (13), na Praça Cívica, com o tema “Nada Sobre Nós sem Nós — Transformando Visibilidade em Representatividade”. A mobilização reuniu programação cultural, serviços de cidadania e defesa de maior participação política da população LGBTQIA+. A organização destacou a proximidade das eleições gerais de 2026 como oportunidade para ampliar o debate sobre a presença da comunidade nos espaços de decisão.
A programação começou ao meio-dia, com concentração na Praça Cívica, e contou com música, performances e atrações no Trio das Divas. A passeata saiu às 17h e percorreu as avenidas Araguaia, Paranaíba e Tocantins. De acordo com Marcos Silvério, fundador e presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Goiás (Parada-GO), a expectativa utilizada pelas forças de segurança para o planejamento do trânsito e da segurança foi de 30 mil participantes.
Manifestação política
Para Marcos Silvério, a Parada mantém o caráter de manifestação política e de cobrança por políticas públicas para a população LGBTQIA+. “Nós queremos conscientizar a nossa comunidade da importância do engajamento político, porque nós só vamos conseguir mudar a nossa realidade quando nós estivermos ocupando os espaços de poder e de decisão”, afirmou. Segundo o presidente da Parada-GO, a organização também busca estimular a comunidade a acompanhar as eleições e escolher representantes comprometidos com as pautas LGBTQIA+.
Ainda de acordo com Silvério, a mobilização ocorre em um cenário de disputas políticas envolvendo direitos da população LGBTQIA+. “Nós temos um Legislativo que é muito hostil”, declarou. O presidente da entidade afirmou que existem mais de 400 projetos que considera contrários à comunidade LGBTQIA+ em tramitação no país e citou seis propostas em Goiânia que, segundo ele, foram vetadas pelo prefeito, mas ainda poderiam ter os vetos derrubados pela Câmara Municipal.
Além da dimensão política, a Parada também teve como objetivo oferecer acolhimento e fortalecer o sentimento de pertencimento. “A Parada é, antes de tudo, um espaço de pertencimento, de acolhimento. É onde as pessoas LGBT sentem que elas não estão sozinhas”, afirmou Silvério. A concentração contou com serviços gratuitos de saúde e cidadania, como testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites virais, distribuição de insumos de prevenção e atendimento da Van de Direitos Humanos. Também foram disponibilizados espaço acessível para pessoas com deficiência, espaço kids e ações de coleta seletiva.
Assistência jurídica
A Defensoria Pública de Goiás também participou do evento para prestar informações e apresentar os serviços oferecidos gratuitamente à população. O defensor público Tairo Batista Esperança explicou que a instituição atua na assistência jurídica e na defesa dos direitos humanos, inclusive em casos envolvendo a população LGBTQIA+. Entre os serviços estão orientações relacionadas à retificação de prenome e gênero e situações de LGBTfobia. “A população LGBTQIA+ é vítima de diversas violações desses direitos”, afirmou. Para o defensor, a presença da instituição na Parada também é uma forma de aproximar o serviço público das pessoas que podem precisar de atendimento.
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