quarta-feira, 14 de outubro de 2026
SAÚDE

Medicamentos comuns entre idosos são reavaliados; veja quais podem fazer mais mal do que bem

Benzodiazepínicos, aspirina e antibióticos para diverticulite estão entre os fármacos reavaliados; especialistas alertam que suspensão deve ser sempre acompanhada por profissional de saúde

Luana Avelarpor em
Medicamentos
Foto: Magnific

Medicamentos usados há anos por pessoas idosas podem precisar de revisão à medida que novas evidências mostram que, em alguns casos, os riscos passam a superar os benefícios. Nos Estados Unidos, esse movimento levou associações médicas a rever recomendações para fármacos comuns entre pacientes mais velhos, reforçando a importância da desprescrição acompanhada por profissionais de saúde.

Entre os exemplos estão os benzodiazepínicos, usados contra ansiedade e insônia. Medicamentos como diazepam, alprazolam e lorazepam, além do zolpidem, podem aumentar o risco de quedas, fraturas e alterações cognitivas em idosos. O uso prolongado também pode levar à dependência, e a retirada não deve ser feita de forma abrupta. Dados recentes mostram que o consumo entre pessoas com mais de 65 anos caiu nos últimos anos, mas voltou a crescer entre os maiores de 75.

Os antibióticos prescritos para diverticulite não complicada também entraram em revisão. Estudos passaram a indicar pouco ou nenhum benefício em desfechos como mortalidade, necessidade de cirurgia e recorrência. Mesmo assim, uma análise de cerca de 70 mil consultas em unidades de saúde americanas encontrou prescrição em 97% dos atendimentos. Além dos efeitos adversos, o uso excessivo contribui para a resistência antimicrobiana.

A aspirina é outro caso. O medicamento continua indicado em determinadas situações para quem já sofreu infarto, acidente vascular cerebral ou passou por procedimentos cardíacos. Para prevenção primária, porém, diretrizes americanas deixaram de recomendar o uso rotineiro em faixas etárias mais avançadas, diante do risco de sangramentos e de benefícios considerados limitados.

A revisão do tratamento não significa suspender medicamentos por conta própria. Idade, diagnóstico, tempo de uso, outras doenças e interações precisam ser considerados. O ponto central é reavaliar periodicamente se o remédio continua necessário e se os benefícios ainda superam os riscos.

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