Os sinais do Alzheimer que vão além do esquecimento; neurologista orienta quando buscar ajuda
Pesquisa mostra que 13% dos brasileiros temem a doença; novos tratamentos podem retardar o avanço em até 40% quando o diagnóstico acontece nos estágios iniciais
O medo de perder a memória e a autonomia ajuda a explicar por que o Alzheimer aparece entre as doenças que mais assustam os brasileiros. Pesquisa do Instituto Datafolha, com 2.002 pessoas, mostra que 13% dos entrevistados apontam a enfermidade como a que mais causa temor, atrás apenas do câncer, citado por 75%. Quatro em cada dez disseram conhecer alguém com o diagnóstico.
O dado ganha peso em setembro, mês dedicado à conscientização sobre o Alzheimer. O Dia Mundial e Nacional de Conscientização é celebrado em 21 de setembro e, neste ano, a campanha adota o tema “Alzheimer: o diagnóstico importa”. A mensagem reforça um ponto central: identificar a doença nas fases iniciais pode ampliar as possibilidades de tratamento.
“Quanto mais cedo identificarmos o processo, maior é a possibilidade de benefício com o tratamento”, ressalta o neurologista José Guilherme Schwan Júnior. Embora o Alzheimer continue sendo progressivo, ele afirma que novas terapias podem retardar esse avanço. “Com os novos tratamentos, dependendo do estágio, pode ser retardado em até 40%. Então, é importantíssimo o diagnóstico cada vez mais precoce para que a gente consiga modificar a evolução da doença tornando-a mais lenta”, explica o especialista.
A indicação se concentra justamente nos estágios iniciais. “Isso porque as atuais terapias modificadoras da doença são indicadas justamente para esses pacientes: aqueles com comprometimento cognitivo leve ou demência em estágio inicial”, completa ele.
Sinais vão além da memória
Esquecimentos de fatos recentes costumam ser o sinal mais associado ao Alzheimer, como não lembrar onde deixou um objeto, onde estacionou o carro ou o nome de alguém que acabou de conhecer. Alterações de comportamento e dificuldades para organizar tarefas também podem surgir.
“A pessoa pode ficar mais deprimida, ansiosa, agitada ou até mais eufórica”, detalha o médico. Atividades antes automáticas também podem exigir mais esforço. “A pessoa pode começar a se confundir ou até se perder em caminhos que sempre conheceu e percorreu”, destaca.
Com a progressão, a perda de autonomia tende a aumentar. “Com a progressão da doença, a necessidade de supervisão vai aumentando, até que o paciente pode precisar de acompanhamento praticamente em tempo integral”, afirma.
Histórico familiar merece atenção, sobretudo quando vários parentes são afetados ou quando a doença surge antes dos 65 anos. Isso, porém, não significa que todos os casos sejam hereditários. “Mas é importante lembrar que na grande maioria dos casos, o Alzheimer não é causado por uma única alteração genética hereditária. A idade continua sendo o principal fator de risco para o desenvolvimento da doença”, ressalta José Guilherme.
Não há uma medida capaz de impedir completamente o Alzheimer, mas hábitos de vida podem ajudar a reduzir o risco de demência. “A prática regular de exercícios físicos, uma alimentação saudável, rica em alimentos naturais e pouco processados, como peixes, azeite, castanhas, frutas e vegetais, manter-se cognitivamente ativo, aprender coisas novas e preservar uma boa convivência social são alguns exemplos”, diz o neurologista.
Controlar hipertensão, diabetes e colesterol, tratar perda auditiva e depressão e evitar o isolamento social também entram nesse cuidado. No Setembro Lilás, o alerta se volta para duas frentes possíveis: reduzir fatores de risco ao longo da vida e não adiar a investigação quando os primeiros sinais aparecem.
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