quarta-feira, 16 de setembro de 2026
impasse

Educação de Goiânia encerra greve em meio a desgastes com sindicato e prefeitura

Administrativos voltam às atividades nesta quarta-feira (16), após aprovarem o fim da paralisação, mas parte da categoria questiona a votação e cobra avanços do Paço

Renata Ferrazpor em
Educação de Goiânia encerra greve em meio a desgastes com sindicato e prefeitura
Divulgação/Sintego

A greve dos servidores administrativos da Rede Municipal de Educação de Goiânia chegou ao fim nesta terça-feira (15), após a categoria aprovar, em assembleia do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), a proposta apresentada pela Prefeitura. A paralisação começou em 17 de agosto e durou 29 dias. Os trabalhadores devem retornar às atividades nesta quarta-feira (16).

Mesmo assim, a decisão foi acompanhada por manifestações de insatisfação nas redes sociais. Comentários publicados por servidores questionaram a forma como a votação foi realizada e a condução das negociações. Entre as principais reclamações está a ausência de uma votação por QR Code, formato que, segundo os próprios trabalhadores, teria sido utilizado em assembleias anteriores.

Nas manifestações, trabalhadores afirmam que não houve uma votação considerada clara e que a decisão pelo fim da paralisação não representaria a vontade da maioria. Alguns dizem que a votação ocorreu por manifestação dos presentes, enquanto servidores que não estavam na assembleia não puderam participar.

Os comentários também apontam insatisfação com o sindicato. Há críticas à atuação do Sintego e relatos de servidores que afirmam ter perdido a confiança na entidade. Outros trabalhadores classificaram o resultado como uma decisão do sindicato, e não da categoria.

As críticas, no entanto, partem de manifestações individuais nas redes sociais. O principal questionamento apresentado pelos trabalhadores é sobre como a votação ocorreu, quantas pessoas participaram e qual foi o resultado registrado.

Proposta prevê mudanças até 2030

Segundo o Sintego, a proposta apresentada pela Prefeitura foi aprovada pela maioria dos administrativos. A entidade informou que a mobilização garantiu a atualização parcelada da tabela, o não corte de ponto dos dias parados, o pagamento do auxílio-locomoção referente a julho, a manutenção da data-base em maio e a retomada das discussões sobre as tabelas em abril de 2027.

A proposta prevê reestruturação progressiva da carreira dos servidores administrativos da Educação entre 2026 e 2030. Para 2026, o novo modelo estabelece espaçamento de 7,42% entre os níveis e de 1,2% entre as referências, com ganho médio acumulado de 7,99%. A projeção é de 10,70% em 2027, 13,45% em 2028, 16,29% em 2029 e 19,18% em 2030.

Os percentuais não incluem os reajustes anuais da data-base nem as progressões funcionais. A proposta também prevê bonificação extraordinária referente ao auxílio-locomoção de julho, preservação integral da bonificação de final de ano e condições relacionadas aos dias de paralisação.

Retorno ocorre nesta quarta

Com o fim do movimento, a expectativa é de retomada integral do atendimento nas unidades da Rede Municipal de Educação a partir desta quarta-feira. A Prefeitura afirma que todas as unidades devem voltar a contar com 100% dos servidores administrativos, permitindo a normalização do atendimento às crianças, estudantes e famílias.

Mabel havia afirmado que não poderia assumir compromissos que comprometessem o equilíbrio das contas públicas. A proposta apresentada durante as negociações considera, segundo o município, a capacidade financeira da Prefeitura e os limites da responsabilidade fiscal.

Apesar do encerramento, o Sintego afirma que a mobilização continuará. A retomada das discussões das tabelas em abril de 2027 aparece como um dos próximos pontos de negociação. Para parte dos trabalhadores, porém, o fim da greve deixa um saldo de frustração diante do resultado da assembleia e da forma como a decisão foi tomada.

A reportagem procurou o Sintego para esclarecer como foi realizada a votação, quantos servidores participaram da assembleia, quantos votaram pelo encerramento da greve e por que não foi utilizado o QR Code. A entidade também foi questionada sobre as manifestações de trabalhadores que afirmam que o resultado não representou a maioria da categoria. Até a publicação, não obtivemos retorno.

A reportagem também procurou a Secretaria Municipal de Educação para esclarecer os efeitos do fim da greve, a retomada das atividades e as condições relacionadas à reposição dos dias parados. Até a publicação, não obtivemos retorno.

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