Leandro Grass amplia campanha nas ruas e busca alianças no 2º turno no DF
Candidato do PT afirma que pretende dialogar com eleitores de adversários e diz que disputa não deve ser tratada como confronto entre direita e esquerda
O candidato ao Governo do Distrito Federal (GDF), Leandro Grass (PT), afirmou que pretende ampliar a presença da campanha nas ruas durante o segundo turno e buscar novos apoios políticos para enfrentar a candidata Celina Leão (PP). Em participação no CB. Poder especial das Eleições 2026, o petista defendeu que a disputa deve ser apresentada ao eleitor como uma escolha sobre o futuro do Distrito Federal, e não como um confronto entre direita e esquerda.
“Dá para virar, a gente vai virar. Vamos continuar fazendo o que fazemos desde o início: perto do povo, conversando com as pessoas, levando proposta”, afirmou Grass. Segundo ele, a estratégia também será mostrar as diferenças entre sua trajetória e a de Celina.
“Essa é a diferença: ficha limpa e ficha suja, réu e não réu. Nós vamos mostrar para a população qual é a diferença. Se o eleitor quiser mudar, eu sou a alternativa para essa mudança”, disse.
Grass afirmou que já iniciou conversas com candidatos que ficaram fora do segundo turno, entre eles José Roberto Arruda, Paula Belmonte, Ricardo Cappelli e Kiko Caputo. Segundo o petista, o objetivo é não apenas conquistar o apoio das lideranças, mas também dialogar diretamente com os eleitores que votaram nessas candidaturas.
“Quem votou nesses outros candidatos é porque não queria a Celina, porque não concordavam com a continuidade do governo Ibaneis-Celina-Gustavo Rocha. O eleitor queria uma alternativa e eu, dialogando com esses candidatos, quero dialogar com os seus eleitores e com quem não foi votar”, afirmou.
Até o momento, Cappelli declarou apoio a Grass. O candidato também citou conversas com o ex-governador Rodrigo Rollemberg, integrantes do PSB, Múcio Botelho e Dayse Amarílio. Sobre Paula Belmonte, afirmou que mantém diálogo com o grupo político da deputada, apesar de o PSDB avaliar uma posição de neutralidade.
O petista também disse que pretende incorporar propostas apresentadas por adversários durante o primeiro turno. Entre elas estão uma plataforma para motoristas e entregadores defendida por Cappelli, a ampliação de escolas integrais e creches mencionada por Paula Belmonte, propostas de mobilidade apresentadas por Arruda e medidas de transparência e dados abertos defendidas por Kiko Caputo.
“Cada um tem uma característica que se soma à nossa, muitas vezes parecida, comum, semelhante, o que faz nessa diversidade termos um projeto para a cidade”, declarou.
Redes e ruas
Grass afirmou ainda que a campanha pretende atuar simultaneamente nas ruas e nas redes sociais. A estratégia, segundo ele, foi discutida em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizada na segunda-feira.
“A linha é falar com o povo sobre a vida real. Quem tem que definir a eleição é o povo, não são as big techs, não é o algoritmo”, afirmou.
Para o candidato, a presença digital não pode substituir o contato direto com os eleitores. “Redes e rua. O que está nas redes não pode estar desconectado do que aconteceu na rua. E não adianta a gente só ficar na rua e não atuar nas redes. As redes são importantes. Se a gente não ocupar as redes, alguém vai ocupar. Se a gente não ocupar as ruas, alguém vai ocupar.”
Grass também avaliou que sua campanha precisa corrigir a falta de atuação conjunta entre os candidatos do campo progressista durante o primeiro turno. A partir de agora, segundo ele, a intenção é mobilizar tanto os candidatos eleitos quanto aqueles que não conseguiram mandato.
“Quem foi eleito, quem não foi, tem que estar junto”, afirmou.
Disputa além da polarização
Ao comentar o desempenho de candidatos ligados ao PL nas eleições para o Legislativo, Grass afirmou que a presença do eleitorado bolsonarista não significa, necessariamente, uma vantagem para Celina.
“Muita gente que é bolsonarista não votou na Celina. A Celina não é de direita, ela não pertence a esse grupo, ela é do Centrão”, disse.
Para Grass, o segundo turno deve ser apresentado como uma escolha entre projetos e perfis de gestão. “Não é mais uma eleição sobre a direita ou a esquerda, é uma eleição sobre quem é confiável e quem não é.”
O candidato também voltou a defender propostas para ampliar a arrecadação sem aumento de impostos, investir em tecnologia e inovação e melhorar a infraestrutura. Entre as prioridades citadas estão a expansão do metrô, a implantação de um sistema de trilhos, investimentos em transporte público e a ampliação do uso de tecnologia na saúde.
“Eu quero ganhar a eleição para melhorar Brasília”, afirmou.
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