Vorcaro cita suposto pagamento de R$ 30 milhões por filme sobre Lula, mas delação não avança por falta de provas
Ex-banqueiro afirma ter tratado de repasses em dinheiro e de recursos para uma produção audiovisual; Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República consideraram insuficientes os elementos apresentados para sustentar a delação
A tentativa de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, de firmar um acordo de colaboração premiada voltou ao centro das discussões após relatos de negociações envolvendo fundos de previdência e o financiamento de um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo informações publicadas pela imprensa, o empresário apresentou mensagens, registros e descrições de encontros para sustentar suas declarações, mas a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) avaliaram que o material não reunia elementos suficientes para dar credibilidade às acusações.
De acordo com a reportagem da CNN Brasil baseada em informações da revista Veja, Vorcaro afirmou que teria sido discutido um pagamento de aproximadamente R$ 30 milhões, parte em dinheiro vivo, relacionado ao financiamento de uma produção audiovisual sobre Lula no exterior e a repasses ao Instituto Lula. O ex-banqueiro teria descrito a negociação em documentos encaminhados à PGR. As informações, porém, não constituem comprovação de que os pagamentos tenham sido realizados nem de que o presidente tenha participado de qualquer irregularidade.
Lula nega ter solicitado ou recebido vantagem financeira de Vorcaro e afirma que não autorizou terceiros a receber recursos em seu nome. O ministro Alexandre Padilha, citado nos relatos sobre as tratativas, também negou relação com o empresário.
A tentativa de colaboração premiada não avançou porque os investigadores consideraram insuficientes as informações apresentadas. Integrantes da Polícia Federal disseram à CNN Brasil que faltavam elementos mínimos para dar credibilidade às declarações, avaliação que, segundo a reportagem, também foi feita pela Procuradoria-Geral da República.
A defesa de Vorcaro teria apresentado mensagens, registros de pessoas que supostamente retiraram dinheiro em espécie e informações sobre locais usados para entregas. Mesmo assim, o material não foi considerado suficiente para sustentar o acordo. O empresário já havia apresentado outras propostas de delação, que também não avançaram.
O caso envolve, portanto, relatos sobre possíveis negociações financeiras e contatos políticos que ainda precisariam ser demonstrados por evidências independentes. A rejeição da proposta de colaboração não equivale, por si só, a uma decisão definitiva sobre a veracidade de cada episódio narrado, assim como as declarações atribuídas ao ex-banqueiro não comprovam automaticamente as acusações.
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