sábado, 10 de outubro de 2026
Compras

Varejo aguarda R$ 18 bi no Dia das Crianças, mas endividamento impõe cautela

Setor estima crescimento de R$ 1,4 bilhão em relação a 2025, com foco em roupas e brinquedos

João César Almeidapor em
Varejo aguarda R$ 18 bi no Dia das Crianças, mas endividamento impõe cautela
Foto: Fernando Frazão/ABr

O Dia das Crianças, celebrado na próxima segunda-feira (12), deve injetar R$ 18,1 bilhões no comércio varejista de Goiás e do Brasil em 2026. A estimativa faz parte de um levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas. Segundo a projeção, 74% dos entrevistados pretendem ir às compras, com expectativa de gasto médio de R$ 308 e aquisição de 2,3 itens por consumidor.

 

Caso a previsão de faturamento se concretize, o varejo brasileiro movimentará cerca de R$ 1,4 bilhão a mais do que no Dia das Crianças de 2025. A pesquisa também indica uma disposição maior para o consumo, com 36% dos entrevistados gastando mais do que no ano passado, enquanto 34% pretendem manter o valor desembolsado.

 

Na preferência do público, roupas e calçados lideram as intenções de compra, citados por 37% dos consumidores, logo à frente de bonecas e bonecos (35%). Jogos educativos e de tabuleiro aparecem com 26%, e itens como carrinhos, aviões e bolas somam 21%.

 

Para o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Goiás (FCDL-GO), Valdir Ribeiro, a data é um ensaio para o final do ano. “É uma data de forte apelo emocional e funciona como o termômetro mais preciso para indicar o provável ânimo do consumidor nas compras de final de ano, incluindo a Black Friday e o Natal”, afirma. 

 

A recomendação do presidente é que o consumidor não compre os presentes na última hora. “Quanto mais ele se antecipa, mais tem condições de fazer compras com desconto e condições de pagamento mais flexíveis”, ressalta

 

Em relação a percepção dos lojistas frente à retração recente do comércio devido ao endividamento, Ribeiro avalia que é preciso esperar. “Não podemos dizer que contrasta, porque é preciso acompanhar a movimentação neste final de semana. Isto porque o brasileiro tem o costume de deixar para comprar na última hora. O movimento nas lojas ainda não é intenso, mas esperamos que o fluxo de consumidores aumente consideravelmente nesta véspera”, pondera o presidente da FCDL-GO.

 

Pagamento

 

No momento do pagamento, a modalidade à vista é a escolha de 80% dos consumidores, com o Pix liderando a preferência geral (58%), seguido pelo cartão de débito (24%) e dinheiro (18%). Entre os 41% que pretendem parcelar, 96% acreditam que conseguirão quitar as dívidas sem atrasos.

 

A atração das lojas físicas segue forte, apontada como escolha de 61% dos entrevistados. No ambiente digital, os aplicativos concentram a preferência, com 74%, seguidos por sites de varejistas internacionais, com 72%. Redes sociais também viraram canais de venda, com 39% afirmando já ter comprado via links no Instagram, WhatsApp ou TikTok.

 

De acordo com o levantamento, para 61% dos consumidores, os presentes estão mais caros em 2026 e isso é um obstáculo para a compra. “É uma questão que envolve muito a criatividade e as estratégias comerciais de cada empresa para oferecer promoções, condições de pagamento facilitadas e outros diferenciais competitivos”, analisa Valdir Ribeiro. 

 

O fator preço estimula a busca por frete grátis, citado por 37% dos entrevistados como decisivo.

 

Endividamento 

 

Apesar da expectativa para a data, o cenário econômico impõe cautela. A recente proibição de parte das plataformas de apostas online (bets), que impactava os recursos do orçamento familiar, ainda não gerou mudança perceptível no varejo. “Ainda é cedo para projetar o volume até então destinado às bets que, eventualmente, poderia voltar e circular no comércio. Temos de aguardar os desdobramentos jurídicos dessa medida, porque não terminou nessa decisão do governo. As bets apelaram ao Supremo, e o STF julgará a questão”, explica Ribeiro.

 

Sobre o endividamento como freio ao consumo, o presidente da FCDL-GO cita um leve recuo recente na inadimplência, mas prega cautela devido ao cenário eleitoral, que aguarda o segundo turno presidencial. “A curto prazo, o cenário desenhado é de um consumidor conservador, que segue fazendo suas compras, mas com o pé no freio, priorizando itens de consumo pessoal é indispensável”, diz.

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