Nossa Senhora Aparecida: de imagem encontrada no rio a padroeira do Brasil
Devoção começou em 1717, com três pescadores em São Paulo; cerimônia pública de proclamação da padroeira completa 95 anos em 2026
Uma imagem de barro retirada do Rio Paraíba do Sul, em São Paulo, deu origem à devoção a Nossa Senhora Aparecida. Encontrada por três pescadores em 1717, a representação da Virgem Maria passou a atrair romarias e, mais de dois séculos depois, recebeu o reconhecimento como padroeira do Brasil.
O decreto foi assinado pelo papa Pio XI em 1930. A cerimônia solene aconteceu no ano seguinte, no Rio de Janeiro, então capital federal, diante de cerca de 1 milhão de pessoas. É essa celebração que completa 95 anos em 2026.
Durante o evento, foi lido publicamente o decreto pontifício que declarava a Virgem Maria, sob o título de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, padroeira da nação brasileira. Na mesma ocasião, as bandeiras do Brasil e do Vaticano foram acrescentadas ao manto que veste a imagem.
O encontro nas águas
A história começou quando Domingos Garcia, João Alves e Felipe Pedroso navegavam pelo Rio Paraíba do Sul. Depois de diversas tentativas frustradas de pesca, os homens encontraram a imagem submersa. Ao retirá-la da água, perceberam que se tratava de uma representação da Imaculada Conceição. Passaram, então, a chamá-la de Aparecida.
Os pescadores começaram a relatar graças e milagres atribuídos à intercessão da Virgem. A fama da imagem se espalhou, atraindo devotos que chegavam em romarias de diferentes partes do Brasil.
Feriado nacional desde 1980
O dia 12 de outubro foi oficialmente instituído como feriado nacional em honra à padroeira em 1980, durante a primeira visita do então papa João Paulo II ao Brasil. Cerca de 10 milhões de peregrinos visitam anualmente o Santuário Nacional de Aparecida, no estado de São Paulo. Os visitantes procuram renovar a fé e confiar intenções à Virgem Maria.
Para dom Vilson Dias de Oliveira, bispo emérito de Limeira e membro da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a solenidade ultrapassa as fronteiras brasileiras e funciona como um “farol espiritual” para o catolicismo. Em carta, o religioso relaciona o encontro da imagem à atenção de Maria aos pequenos e pobres. Ele também destaca a importância da devoção para a América Latina, associando a imagem de barro negro à realidade de um continente marcado por desigualdades históricas e por uma forte piedade popular.
Na interpretação do bispo, a pequena imagem recolhida por pescadores simples recorda que a evangelização está ligada à realidade dos povos e de suas culturas, valorizando os humildes e a organização em comunidade.
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