Goiânia amplia rede e prepara programa para população de rua
Estudo do Programa Recomeço estima R$ 120 mil mensais em passagens para que pessoas em situação de rua voltem às cidades de origem
A Prefeitura de Goiânia planeja a destinação de até R$120 mil por mês à compra de passagens para que pessoas em situação de rua de outros municípios retornem às cidades de origem. O valor consta no estudo que fundamenta o Programa Recomeço, elaborado pela Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh).
O estudo prevê também repasses mensais de R$40 mil para kits de alimentação e higiene, R$150 mil para moradia temporária e R$50 mil para capacitação de profissionais. Outros R$180 mil seriam aplicados na requalificação do Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP) e R$280 mil nas casas de passagem. Somadas às passagens, as estimativas chegam a R$820 mil por mês.
O programa ganhou base legal em setembro, com a Lei Municipal 11.707, que também cria o Goiânia + Humana. A Procuradoria-Geral do Município concluiu em agosto que o Auxílio Recomeço e o Aluguel Social exigiam lei anterior, e a norma deu essa autorização. A lei permite a concessão de passagens de forma excepcional e pontual, mediante avaliação técnica, para o retorno ao município de origem ou ao local de residência da família. O Conselho Municipal de Assistência Social de Goiânia definirá os critérios de elegibilidade. A Semasdh trabalha com o envio apenas mediante manifestação voluntária da pessoa abordada.
O retorno já ocorre pelo programa De Volta Para Casa, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Seds Goiás), que levou 438 pessoas a cidades de origem em outros estados desde 2024, sendo 326 em 2025. A Prefeitura de Goiânia também contratou uma empresa de transporte no fim de abril por R$65,5 mil. Em 2025, o Governo de Goiás repassou mais de R$6 milhões à capital em cofinanciamento da assistência social.
A rede municipal soma resultados. Entre janeiro de 2025 e abril de 2026, o Serviço Especializado em Abordagem Social realizou 16.002 atendimentos e o Centro POP registrou 194.914, segundo a Semasdh. O Centro POP recebe em média 150 pessoas por dia. As Casas de Acolhida Cidadã somaram 2.442 acolhimentos na unidade 1 e 1.003 na unidade 2. A primeira atende homens solteiros de 18 a 59 anos e a segunda atende mulheres solteiras da mesma faixa etária e famílias, com capacidade conjunta para até 50 pessoas, segundo a Prefeitura de Goiânia. Entre janeiro e junho de 2026, o serviço de abordagem fez mais de 1.400 atendimentos a 424 pessoas na região de Campinas.
A Prefeitura de Goiânia informa que o total de pessoas em situação de rua caiu de mais de 4 mil em janeiro de 2025 para menos de mil. A Seds Goiás contabilizou 1.482 pessoas na capital em levantamento divulgado em 19 de outubro, com base no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico).
O dado equivale a 24,9% das 5.937 pessoas registradas em 144 dos 246 municípios goianos e é menor que os 1,9 mil apontados pela Universidade Federal de Goiás em 2019 e que os mais de 2,5 mil estimados pelo Ministério Público de Goiás em maio de 2024. Em ações de segurança, a Polícia Militar informa que 138 pessoas em situação de rua foram encaminhadas a comunidades terapêuticas.
Dados do Instituto Mauro Borges de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (IMB), com base no CadÚnico de junho de 2020, indicam que 87% das 2.675 pessoas em situação de rua registradas em Goiás eram homens e 72% eram pardas. A faixa etária de 25 a 34 anos reunia 24,8% do total. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) prevê o primeiro censo nacional desse grupo para 2028.
O HOJE entrou em contato com a Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh), mas não obteve resposta até o fechamento desta edição. (Especial para O HOJE)
Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.