Fazenda prepara PEC para conter dívida pública e garante “rigor técnico” no Banco Central
Ministro Dario Durigan defende ajuste fiscal gradual com possível congelamento do Orçamento, afasta adoção de teses heterodoxas sobre a Selic e tenta acalmar o mercado em meio a pressões por corte de gastos
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira (3), segundo informações da Folha de S. Paulo que o governo federal elabora um ajuste fiscal gradual capaz de melhorar as contas públicas sem comprometer as promessas de campanha do Executivo. Embora as medidas não tenham prazo definido para anúncio e ainda dependam do aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a equipe econômica prepara uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que permitirá o congelamento de mais recursos do Orçamento, caso seja necessário para atingir o centro da meta fiscal e frear o avanço da dívida pública.
Em relação ao Banco Central, Durigan assegurou que as seis futuras indicações do governo respeitarão o “rigor técnico”. O ministro também negou que haja um encontro agendado entre Lula e o economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real. Recentemente, Resende defendeu a desindexação da taxa Selic da rolagem da dívida pública, hoje em 82,9% do PIB, argumentando que o problema fiscal do país deriva dos juros, e não dos gastos primários. Durigan rechaçou a tese, classificando-a como incipiente e com “várias deficiências”.
As declarações ocorrem em um momento de pressão do mercado financeiro pela apresentação de um pacote de corte de despesas e pela definição do próximo titular da Fazenda. Questionado, Durigan declarou que não discutiu sua sucessão com o presidente. Nos bastidores, o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), figuram entre os cotados para assumir a pasta.
Leia mais:
Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.