Mercados em Bangladesh e na Colômbia abrem oportunidades para o agro goiano
Acordos sanitários autorizam a venda de material genético bovino para o país asiático e de produtos para pets ao mercado colombiano
Os ministérios da Agricultura e Pecuária (Mapa) e das Relações Exteriores (MRE) anunciaram a abertura do mercado de Bangladesh para a exportação de material genético bovino e bubalino, além da autorização concedida pela Colômbia para a entrada de produtos brasileiros destinados a animais de estimação (pets). Com essas novas aprovações bilaterais, o Brasil atinge a marca de 721 aberturas de mercado no exterior desde janeiro de 2023, reforçando a estratégia nacional de diversificação da pauta exportadora.
O acordo estabelecido com Bangladesh representa um avanço para a cadeia da pecuária nacional. As autoridades do país asiático passaram a permitir a importação de embriões bovinos e bubalinos produzidos por meio de diferentes técnicas de reprodução (tanto in vivo quanto in vitro), além de sêmen bovino e animais vivos destinados à reprodução e ao melhoramento genético dos rebanhos locais.
Segundo o governo federal, apenas ao longo do ano de 2025, Bangladesh importou mais de US$ 2,66 bilhões em produtos agropecuários do Brasil. Entre os principais itens embarcados para abastecer a demanda asiática estão os produtos do complexo sucroalcooleiro, fibras, produtos têxteis e a soja e seus derivados.
Para o Estado de Goiás, a liberação sanitária focada em genética animal adiciona um novo nicho a uma balança comercial. De acordo com os dados da plataforma Aroeira, vinculada à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa), o Estado exportou cerca de US$ 167 milhões para Bangladesh entre os meses de janeiro e setembro de 2026. Atualmente, os produtos embarcados pelos produtores goianos para o destino asiático concentram-se no complexo soja, nos produtos têxteis, nos cereais e no couro.
No cenário sul-americano, a Colômbia habilitou a compra de alimentos para animais de estimação, especificando a entrada de produtos mastigáveis desidratados de origem bovina e suína. Em 2025, as importações colombianas de produtos agropecuários do Brasil ultrapassaram a marca de US$ 873 milhões, montante impulsionado pela negociação de café, produtos florestais e outros itens de origem animal.
Os levantamentos da plataforma Aroeira da Seapa revelam que as exportações de Goiás para a Colômbia somaram cerca de US$ 7 milhões no acumulado de janeiro a setembro de 2026. Até o momento, essa relação comercial tem sido liderada pelo envio de derivados vegetais e de origem animal. A nova liberação sanitária permite que os frigoríficos goianos convertam os coprodutos do abate em produtos mastigáveis para exportação, elevando a margem de lucro do segmento e inserindo o Estado na cadeia global do mercado pet.
Projeto estruturado
O volume de aprovações reflete um projeto estruturado de política externa e comercial. Neste mês, o Mapa anunciou que o País havia alcançado a marca de 700 aberturas de mercado em 99 destinos, entre países e blocos econômicos, desde o início de 2023. As medidas integram a estratégia do governo de ampliar a presença de produtos brasileiros no exterior.
Essa diversificação também atua como um mecanismo de proteção econômica. A política comercial, coordenada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), tem buscado ampliar o acesso das empresas brasileiras a novos mercados para diversificar as vendas e amenizar eventuais impactos de barreiras protecionistas externas, a exemplo do tarifaço implementado pelos Estados Unidos contra o Brasil.
Com a abertura de novas fronteiras, polos agropecuários como Goiás garantem maior segurança para investir em tecnologia e ampliar a oferta de produtos de maior valor agregado no exterior.
Leia mais:
Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.