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sábado, 10 de janeiro de 2026
Eleições 2026

Negociações indicam que nome da esquerda ao governo deve sair do PT

Presidente estadual petista, Adriana Accorsi lançou seis pré-candidatos pela esquerda. Apesar da lista ampla, dirigente adiantou que definição deve se restringir a dois nomes do PT

Bruno Goulartpor Bruno Goulart em 10 de janeiro de 2026
Negociações indicam que nome da esquerda ao governo deve sair do PT
Petistas, o vereador Edward Madureira e o advogado Valério Luiz são os prováveis nomes da esquerda ao Palácio das Esmeraldas. Fotos: Millena Cristina/Câmara de Goiânia e Reprodução

Bruno Goulart

Partidos de esquerda e centro-esquerda buscam definir um nome capaz de unificar o campo progressista no Estado, disputar o Governo de Goiás  e, ao mesmo tempo, garantir um palanque sólido para a reeleição do presidente Lula da Silva (PT). No centro desse debate está o PT, que, por meio de sua direção estadual, sinaliza que a cabeça de chapa deve sair da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV.

Recentemente, a presidente estadual do PT e deputada federal Adriana Accorsi lançou seis nomes como possíveis pré-candidatos ao governo: o vereador Professor Edward Madureira e o advogado Valério Luiz, os dois do PT; o presidente estadual do Cidadania, Iure Castro; o ex-presidente do Cidadania e atual superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Goiás, Gilvane Felipe; o ex-reitor do Instituto Federal de Goiás (IFG), professor Jerônimo Rodrigues, e o ex-governador José Eliton, ambos do PSB. Apesar da lista ampla, a própria dirigente petista adianta que a definição deve se restringir a dois nomes do PT.

“Já definimos que a candidatura ao governo será um nome de um dos partidos da Federação Brasil da Esperança”, afirma Accorsi ao O HOJE. Segundo a presidente petista, o diálogo segue aberto para a construção de uma “aliança ampla e democrática” que envolva PV, PCdoB, PSOL, Rede, PDT e PSB. Ao mesmo tempo, a deputada fez questão de delimitar o campo político, ao dizer que o PSDB, sob a liderança do ex-governador Marconi Perillo, optou por se colocar fora desse arco de alianças ao adotar posições de oposição ao governo Lula.

Edward e Valério bem cotados, mas…

Nesse cenário, os nomes do vereador Professor Edward Madureira e do advogado Valério Luiz aparecem como os mais viáveis dentro do PT. Para Adriana, ambos atendem à exigência da direção nacional de uma candidatura “claramente alinhada” ao presidente da República. A definição, no entanto, passa por cálculos eleitorais mais amplos, especialmente no que diz respeito à formação das chapas proporcionais.

Leia mais: Federações viram caminho quase obrigatório para enfrentar cláusula de barreira

O próprio Edward reconhece esse dilema. “Estou à disposição do partido para entender o que é o melhor. Nosso objetivo é reeleger o presidente Lula. Se meu nome for escolhido para dar um palanque forte a Lula, estou pronto. Se for para ser na Câmara dos Deputados, estou pronto também”, diz  ao O HOJE. 

À reportagem, Valério Luiz admite a existência de uma corrente no partido contrária à candidatura de Edward ao governo. “Existe uma ala do PT que defende que o Edward permaneça disputando a chapa de deputado federal, porque sua votação é muito importante para a perspectiva de eleger três deputados federais”, afirma. 

Segundo Valério, a prioridade nacional é fortalecer a base de sustentação de Lula no Congresso, o que abre espaço para que seu próprio nome seja considerado para a disputa majoritária em Goiás. “Na prática, a disputa fica entre ter uma cabeça de chapa do PT — o nome mais provável sendo o meu — e uma cabeça de chapa que não seja do PT, que poderia ser o Zé Eliton ou outro nome”, completa o petista.

PSB adota a cautela

Enquanto o PT avança na ideia de protagonismo, o PSB adota uma postura mais cautelosa. O partido articula o retorno do ex-governador José Eliton, mas o presidente estadual da sigla até fevereiro, ex-deputado federal Elias Vaz, avalia ao O HOJE que não há, neste momento, condições políticas e estruturais para lançar um candidato ao Palácio das Esmeraldas. “O PT tem recursos, tem caixa, tem um fundo eleitoral grande. Eles que deveriam lançar um candidato ao governo”, afirma. Para Elias, a prioridade do PSB em 2026 é eleger deputados federais e estaduais, estratégia que também dialoga com o projeto nacional de Lula de ter maior apoio no Congresso.

Nesse contexto, ganha destaque a filiação da vereadora Aava Santiago ao PSB, prevista para fevereiro, em um ato que deve contar com a presença do presidente nacional da sigla, o prefeito do Recife, João Campos, e a deputada federal Tábata Amaral (PSB-SP), além da possibilidade da participação do vice-presidente Geraldo Alckmin. Pré-candidata a deputada federal, Aava é vista internamente como uma “puxadora de votos”, o que reforça a defesa de Elias Vaz por uma estratégia focada nas chapas proporcionais.

José Eliton, por enquanto, fora do páreo  

Sobre José Eliton, Elias é direto ao defender que seu retorno ao PSB seja acompanhado de uma candidatura ao Congresso. “Gosto muito do José Eliton, mas acho que o PSB não tem condições de lançar um candidato ao governo agora. Quero muito que ele volte ao partido, mas como candidato a deputado federal ou estadual”, pontua. (Especial para O HOJE)

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