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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
OPINIÃO

Segurança se consolida como tema (quase) único no País

Combate à violência ficou tão dominante que derrubou o ministro da Justiça, pode recriar o Ministério da Segurança Pública e há sempre a expectativa de que alguém vai surgir com uma ideia vencedora na área

Nilson Gomespor Nilson Gomes em 12 de janeiro de 2026
Segurança
A segurança pública se consolida como a principal preocupação dos brasileiros, superando economia e política externa, em um cenário marcado pela expansão das facções criminosas e pela sensação permanente de insegurança Foto: Marcelo Camargo/ABr

A esquerda não se entrega quando o tema é segurança pública, dominado pelo centro e, principalmente, pela direita. A novidade da hora é aproveitar a queda de Ricardo Lewandowski e dividir seu ministério em Justiça e Segurança Pública, o 1º com alguém de perfil conciliador e o outro, ocupado por um xerifão. O debate, que dá eco nas casas do Brasil inteiro, repercutiu nos partidos e em Brasília, tornando insuportável a permanência de Lewandowski. O chamado fogo amigo, que derrubou o ministro, é atiçado pelo superpoder das facções.

Está apenas dando continuidade ao debate de 2025. Em outubro do ano passado, antes da Operação Contenção, em favelas do Rio de Janeiro, o instituto Genial/Quaest divulgou pesquisa mostrando 70% dos entrevistados consideram nacional o assunto segurança. Ou seja, é vã a insistência de que na hora de enfrentar a bandidagem basta estalar os dedos para os governadores e suas Polícias. Passa o tempo e a oposição não tem uma ideia vencedora, para convencer a população de que sua expertise nos Estados será suficiente para conter a criminalidade, nem o governo encontra um filão que acalme os ânimos das vítimas – apenas programas sociais já não bastam.

ECONOMIA TEM MENOS DE METADE DA ATENÇÃO

No mesmo levantamento Genial/Quaeste, 26% disseram que criminalidade é pauta regional e 4% não quiseram opinar. No mês seguinte, o que já liderava a preocupação dos brasileiros, aumentou em quase 30% a sua predominância, de acordo com dados da mesma empresa. A violência passou de 30% para 38% como maior questão a ser enfrentada pelos governantes, num cenário em que o eleitor poderia responder qualquer coisa. A 2ª questão que emergiu foi a economia, com 15%.

Parte dos integrantes do Governo Federal deseja um hiperdelegado, com o Código Penal na mão esquerda, uma metralhadora na direita e um fuzil pendurado. Outros, a maioria do PT, acha que está fora de época para endurecer com os delitos e, menos ainda, com seus autores. Só que é impossível silenciar quem está na ponta, justamente a sofrida sociedade assaltada, com filho assediado por traficantes, não pode esticar uma toalha na praia sem a anuência de alguma facção. Por seu lado, a direita quer aproveitar essa brecha para aplicar o que julga ser solução.

NÚMEROS, MESMO MAQUIADOS, REVELAM UMA GUERRA

Com toda maquiagem de números feita pelas Secretarias de Segurança, o Anuário Brasileiro de Segurança 2025 encontrou 44.127 cadáveres produtos de Mortes Violentas Intencionais. Ainda houve comemoração: oba!, só assassinamos 44.127 em 2024. De janeiro a outubro de 2025, foram 5.912 homicídios nos Estados Unidos, que tem 120 milhões de habitantes a mais. Nenhuma guerra no mundo matou tanto quanto o conflito armado ao qual se sobrevive no Brasil.

Os governadores pré-candidatos a presidente da República são todos de direita: Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás; Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo; Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais; Ratinho Jr. (PSD), do Paraná; Eduardo Leite (PSD), do Rio Grande do Sul; Cláudio Castro (PL), do Rio de Janeiro. Por um senão dos adversários: as cidades mais violentas estão em Estados de governança esquerdista. E mais um trunfo: governador com a maior aprovação do País, Caiado é o nº 1 em segurança pública, quando se alarga a base de informações, não somente com assassinatos, mas também crimes patrimoniais.

A LISTA FÚNEBRE EM ESTADOS E CIDADES POBRES

O mesmo Anuário Brasileiro de Segurança 2025 encontrou apenas três Estados gerenciados pela direita entre os dez mais violentos, o 7º (Mato Grosso), o 9º (Amazonas) e o 10º (Rondônia). Do 1º, Amapá, para o 10º o número de cadáveres mais que dobra: 45,1 a 21,7. Os quatro do meio são do Nordeste: 2º Bahia com 40,6; 3º Ceará com 37,5; 4º Pernambuco com 36,2; 5º Alagoas com 35,4 e 6º Maranhão com 27,8%. O 8º é o Pará (25,8).

As dez cidades mais violentas são do Nordeste e de Estados governados por PT (Bahia e Ceará) e PSD esquerdista (PE): na mais mortífera das 5.570 cidades brasileiras, Maranguape (CE), são assassinadas 80 pessoas a cada grupo de 100 mil por ano (mais precisamente, 79,9), superando Goiás em mais de 500%: aqui foram 15,1. As três seguintes são da Bahia: em 2º, Jequié, 77,6; 3º, Juazeiro, 76,2; 4º, Camaçari, 74,8. Seguem duas do Pernambuco: Cabo de Santo Agostinho 73,3 e São Lourenço da Mata 73. Em 7º, Simões Filho (BA), 71,4. A 8ª e a 9ª são cearenses: Caucaia 68,7 e Maracanaú 68,5. A 10ª é uma cidade grande, Feira de Santana, a 110km de Salvador.

Com esses dados ruins e a Bahia ainda é o Estado em que a Polícia mais mata. Segundo o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, órgão do Ministério da Justiça e Segurança, de janeiro a setembro de 2025 as forças policiais haviam matado 1.252; no Rio de Janeiro, haviam sido 520 – e há 2,5 milhões de baianos a menos que fluminenses.

Queda de Maduro, taxas de Trump – nada supera violência

Segurança
Foto:Divulgação/KremlinCasa Branca

Natal, virada de ano, Carnaval, Semana Santa, nenhum feriadão escapa das notícias sobre crimes. Donald Trump volta ao poder nos Estados Unidos – e a violência no Brasil supera o republicano como assunto. Trump taxou as mercadorias brasileiras e no dia seguinte tem algum delito ruidoso para o superar. Trump entrou na Venezuela e içou o presidente Nicolás Maduro junto com a primeira-dama Cilia Flores. Basta um roubo de celular para impedir a pauta internacional de se sobrepujar aos acontecimentos locais.

Isso ocorre porque o sujeito vai dirigindo para casa e vê no muro a pichação: “Proibido roubar na quebrada”. Abaixo da ordem, a assinatura da sigla que a determina: CV ou PCC. O sujeito vai dirigindo para o interior do Estado, surgem as mesmas maiúsculas, só que no verso das placas à beira das estradas. Enfim, as facções estão onipresentes. Por isso, pode ser enganosa a percepção de estudiosos do Governo Federal que aguardam alguma notícia muito ruim, tão péssima que faça esquecer os muros e as pichações.

Não é o caso de Goiás, que segundo a Polícia Militar não existe território em que ela não entre, mas o Brasil inteiro vive aos sobressaltos. No Nordeste, antes tão calmo, as organizações criminosas simplesmente dominam mais que o poder público. As paradisíacas Fortaleza, Salvador e Recife se tornaram reféns do crime. O Norte, com imenso vazio demográfico, está de tal maneira sitiado que as autoridades parecem ter desistido. Basta observar os gráficos de Manaus e a intranquilidade de Belém antes da COP 30. Sul e Centro-Oeste, pelas estatísticas, são melhores para viver. No Sudeste, Rio e São Paulo dão resposta rápida, porém a legislação impede a eficácia das políticas públicas.

 

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