Empresários pedem volta do horário de verão para 2021

Postado em: 16-09-2021 às 07h33
Por: Maiara Dal Bosco
O horário de verão foi extinto em 2019 pelo presidente | Foto: Reprodução

Diante da estação mais quente do ano, o debate sobre o retorno do horário de verão, extinto em 2019 pelo presidente Jair Bolsonaro, voltou a ganhar holofotes. Neste mês, entidades empresariais solicitaram mais uma vez o retorno da medida, ainda em 2021. Assinado por várias organizações, entre elas a Confederação Nacional do Turismo, União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços e a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, o pedido destaca que o horário de verão é importante para o meio ambiente, empresários e consumidores.

“Como é sabido, estamos diante de uma intensa crise hídrica agravada pela escassez de chuvas, situação que coloca em risco o fornecimento de energia elétrica em parte do Brasil. São muitos os desafios para mitigar o problema e qualquer economia energética se torna agora ainda mais relevante”, diz o comunicado.

Para Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel, uma das entidades que assina o ofício, a volta do horário de verão é duplamente benéfica. “Estamos enfrentando dois momentos extremamente difíceis, que é retomada das atividades de milhões de pequenas empresas que sofreram muito com a pandemia e essa crise hídrica histórica, que desencadeia uma crise de abastecimento energético. Entendemos que a retomada do horário de verão trará um ganho nesses dois cenários, de um lado possibilitando faturamento adicional para bares, restaurantes e cadeia do turismo, e, por outro lado, contribuindo para economia de energia, incentivando, inclusive, que a sociedade faça sua parte. Cada real a mais que entra no caixa desses negócios ou cada quilowatt poupado representam um ganho no enfrentamento destes grandes desafios”, explica.

Fontes renováveis

De acordo com o Engenheiro Eletricista e fundador da New Sol Energia, Emerson de Souza Campos, o horário de verão precisa voltar para ajudar o sistema elétrico brasileiro, que pode entrar em colapso, principalmente pelo fim do Tratado de Itaipu. “Em 2023, se não houver um acordo, o Paraguai não terá mais obrigação de vender energia para o Brasil da forma que é feito hoje”, afirma Emerson. Segundo ele, além disso, o horário de verão é importante por conta da economia. “A economia é muito grande, já que o Brasil é muito grande. Além disso, quando chega o período seco, existe uma baixa normal dos reservatórios das usinas hidrelétricas”, destaca o Engenheiro Eletricista.

O especialista destaca também a importância dos incentivos por parte do governo para amenizar a questão da geração de energia. “Nós poderíamos deixar de ter o horário de verão se houvesse um incentivo por parte do governo, principalmente para as indústrias, que é quem produz aparelhos e eletrodomésticos mais eficientes, por exemplo. Com as indústrias produzindo aparelhos de baixo consumo e maior eficiência, a redução seria significativa”, destaca Emerson.

Segundo ele, é a falta dos incentivos também às fontes renováveis de energia que tornam a questão ainda mais onerosa para o consumidor. “Os órgãos públicos percebem que há uma baixa muito grande, e, ao invés de incentivarem fontes renováveis, como a solar e a eólica, por exemplo, optam por ligar as termelétricas, e é por isso que estamos sempre em bandeiras tarifárias vermelhas e amarelas”, aponta o fundador da New Sol Energia.

Efeito na conta

Para André Amorim, gerente do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas do Estado de Goiás (CIMEHGO), a volta do horário de verão não tem um efeito tão positivo por conta da época em que ele acontece. “A economia de energia para o consumidor era baixa e na verdade causava ainda um transtorno social grande, no caso de quem precisa sair muito cedo de casa para trabalhar, por exemplo”, destaca André. Para ele, também falta investimento quando se fala em energias renováveis. “O que precisamos é deste investimento maciço em obtenção de energias renováveis. A energia solar, por exemplo, é uma ação efetiva para a questão de energia”, finaliza. (Especial para O Hoje)

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