domingo, 30 de agosto de 2026
Fazer o Bem

Parceria entre órgãos públicos viabiliza cirurgias plásticas em vítimas de violência doméstica

Segundo dados da SSP-GO, mais de 38 mil mulheres foram vítimas de algum tipo de violência doméstica

Ícaro Gonçalvespor em
Ao longo do ano de 2022, uma mulher goiana foi vítima de algum tipo de violência a cada 4 horas e 20 minutos | Foto: Marcos Santos/USP
Ao longo do ano de 2022, uma mulher goiana foi vítima de algum tipo de violência a cada 4 horas e 20 minutos | Foto: Marcos Santos/USP

Ao longo do ano de 2022, uma mulher goiana foi vítima de algum tipo de violência a cada 4 horas e 20 minutos. Os crimes envolvem casos de feminicídios, estupros, ameaças, lesões corporais e crimes contra a honra como calúnia, difamação e injúria. Os dados constam no relatório de estatísticas criminais da Secretaria de Estado da Segurança Pública de Goiás (SSP-GO) do ano de 2022.

Os crimes mais comuns são os de ameaça. Em todo o ano foram 15.600 registros do tipo. Já em 2023, até o mês março, foram 4.027 crimes do tipo. Em muitos casos, a violência física e psicológica sofrida deixa marcas permanentes, no corpo, mas também na alma.

Pensando nisso, o “Projeto Recomeçar”, iniciativa em conjunto entre órgãos públicos de Goiás, foi renovado na última segunda-feira (19/6) como forma de juntar esforços e viabilizar cirurgias plásticas reparadoras em mulheres, mas também crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica.

Projeto 

Em solenidade promovida no Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO), representantes da Secretaria Estadual de Saúde (SES), Secretaria de Desenvolvimento Social de Goiás (SEDS), Secretaria de Saúde do Município de Goiânia (SMS) e Organização das Voluntárias de Goiás (OVG) participaram da assinatura do termo aditivo para tornar os órgãos parceiros do programa.

O projeto é fruto de iniciativa do TJGO junto a Fundação Instituto para o Desenvolvimento do Ensino e Ação Humanitária (IDEAH) da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Por meio da SES-GO, participam da ação as equipes de cirurgias plásticas do Hospital Estadual Alberto Rassi (HGG), do Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Federal de Goiás (UFG) e da Santa Casa de Misericórdia de Goiânia. O Secretário de Estado da Saúde, Sergio Vencio, destacou a importância da parceria para promover qualidade de vida às vítimas de violência. 

“O Governo de Goiás tem como uma de suas prioridades a garantia dos direitos de crianças, adolescentes e mulheres e a participação do HGG, uma unidade de excelência, proporciona um serviço de muita qualidade para essas pessoas que já passaram por situações tão difíceis e devem ser amparadas”, afirmou, acrescentando que até o momento, na primeira edição do projeto, foram atendidas 14 pessoas, das quais cinco foram atendidas no HGG.

Para o presidente do TJGO, desembargador Carlos França, a participação das Secretarias de Saúde estadual e municipal são fundamentais para o êxito do projeto, bem como a adesão da Secretaria de Desenvolvimento Social de Goiás e da OVG.

Carlos França agradeceu ao idealizador do projeto, o presidente do IDEAH, o médico cirurgião Luciano Chaves, pela oportunidade de participar de uma iniciativa de tão grande alcance social. “O objetivo do projeto é amenizar o sofrimento das vítimas de violência doméstica, e é com grande satisfação que recebemos o reforço estabelecido pela adesão de importantes órgãos públicos”, comemorou o chefe do Judiciário Estadual.

Luciano Chaves destacou que “o projeto-piloto desenvolvido em parceria com o TJGO é reconhecido nacionalmente e tem servido de exemplo para todos os tribunais do Brasil”. Ele avaliou que, após a adesão do TJGO, a quem parabenizou pelo pionerismo, outros tribunais de justiça têm aderido ao projeto, entre eles as Cortes de Justiça do Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Maranhão.

Também compareceram o secretário estadual de Saúde, Sérgio Vêncio; o secretário de Desenvolvimento Social do Estado de Goiás, Welligton Matos de Lima; a diretora-geral da OVG, Adryanna Caiado; o secretário municipal de Saúde de Goiânia, Durval Pedroso.

Assistência

Os pacientes selecionados passam por um processo articulado que envolve a identificação, consultas médicas para diagnóstico de necessidade de assistência cirúrgica e regulação assistencial. No próximo sábado (24/6), será realizada no Centro Médico de Saúde dos Servidores do Poder Judiciário, uma triagem de 14 pessoas selecionadas pelo TJ-GO para passarem pelas cirurgias.

Após a realização dos procedimentos, os pacientes são assistidos e também passam por avaliação dos resultados. O projeto é realizado em regime de mutirão, portanto, não há número de vagas limitadas.

Diversos profissionais do HGG, como cirurgiões plásticos, residentes, anestesistas, enfermeiros, técnicos, entre outros, participam da força-tarefa. Os procedimentos realizados estão em conformidade com a Lei Federal n°13.239, de 30 dezembro de 2015, que dispõe sobre a oferta e realização, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), de cirurgia plástica reparadora de sequelas de lesões causadas por atos de violência contra a mulher.

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Brasil cirurgias plásticas Goiás violência doméstica