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Banda inicia turnê pela América do Sul mostrando no Chile o que deve trazer ao público brasileiro

Postado em: 11-02-2016 às 00h00
Por: Redação
Banda inicia turnê pela América do Sul mostrando no Chile o que deve trazer ao público brasileiro

Eduardo Rodrigues (Agência O Globo)

O carnaval deste ano está prestes a começar, a quarta-feira de cinzas caiu no dia 10 de fevereiro, mas os Rolling Stones prometem estender o clima festivo na cidade até o dia 20, quando trazem ao Rio sua nova turnê latino-americana dez anos depois do histórico show na Praia de Copacabana. Adequadamente batizado de Olé, o giro começou na noite de terça-feira (2) em Santiago, no Chile, e após apresentações em Buenos Aires e Montevidéu, chega ao Rio para depois passar por São Paulo (24 e 27 de fevereiro) e Porto Alegre (2 de março).

O fato é que o senhor Michael Philip Jagger tem 72 anos e segue correndo no palco como um garotão de 22. Enquanto Charlie Watts (74) mantém a conhecida sobriedade atrás da bateria, Ronnie Wood (68) e Keith Richards (72) também fazem suas estripulias e levam o público ao delírio com os solos de guitarra e eventuais pulinhos. Mas é Jagger, até pela liberdade de vocalista, quem mais corre, dança e conversa o tempo todo com a plateia, quase sempre em espanhol.

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O show chileno começou com Start me Up, logo após um curto vídeo de apresentação da turnê. A partir daí, veio a sequência de hits esperada por todos que pagaram (caro) pelos ingressos. No Rio, ainda há bilhetes disponíveis em diferentes setores do Maracanã, com preços que vão de R$ 260 a R$ 900 no site www.ticketsforfun.com.br.

Além do setlist já conhecido, os Stones deixaram os fãs escolherem em votação na internet uma das canções que faria parte do repertório. As opções foram She’s a Rainbow, de 1967, que não era apresentada ao vivo desde 1998; Anybody Seen my Baby, do álbum Bridges to Babylon; She’s so Cold, do Emotional Rescue ou o clássico de Bob Dylan Like a Rolling Stone. Ganhou She’s a Rainbow, balada do disco psicodélico Their Satanic Majesties Request. Vamos aguardar para saber quais serão as canções disponíveis para os brasileiros fazerem sua escolha (leia o setlist completo nesta página).

Outra diferença que será notada pelos fãs mais antigos está na banda de apoio. Pela primeira vez em 26 anos, Lisa Fischer não está nos backing vocals – e nem ao lado de Jagger na sempre marcante apresentação de Gimme me Shelter. Com o sucesso do documentário A Um Passo do Estrelato, ganhador do Oscar em 2014, ela assumiu outros compromissos e já tinha a agenda lotada. Por isso foi substituída por Sasha Allen, finalista do The Voice em 2013.

Aqui, avaliamos vários pontos do show com alguns dos critérios do carnaval das escolas de samba cariocas, mas sem a pretensão de dar notas. Afinal de contas para os fãs, os Rolling Stones são sempre 10, nota 10.

Enredo

O roteiro dos shows do Stones não costuma mudar muito. Algumas músicas entram, outras saem de um espetáculo para ou­tro, mas os principais hits sempre aparecem, ainda que em ordens diferentes. Como são essas músicas que transformaram a banda numa lenda do rock e levam diferentes gerações aos estádios há décadas, é difícil imaginar que alguém possa reclamar.

Adereços

O palco é enorme e traz os obrigatórios telões de alta definição e a extensão de caminho que avança no meio da plateia – muito usada por Jagger e com menos frequência por Ron e Keith. A decoração traz motivos carnavalescos que cairiam bem como pintura no corpo da Globeleza, mas impressiona mesmo quan­do surgem os efeitos de iluminação (sincronizados com a música) ou os vídeos. 

Evolução

Os Stones sabem muito bem como ordenar seus grandes sucessos em um show. Para a abertura reservam um rock dançante (Start Me Up ou Jumping Jack Flash, por exemplo). Cinco ou seis músicas depois vem uma balada para relaxar e quando Jagger demonstra al­gum sinal de cansaço, apresenta a banda e deixa o microfone para Keith Richards cantar por alguns minutos. Aí vem a longa e apoteótica Midnight Rambler, antes de mais uma sequência de hits conhecidos até por quem não conhece os Stones. 

Harmonia

Não há nenhuma dúvida de que os Stones têm absoluto domínio do palco e do repertório. Jagger está ligado ao público durante todo o show, dançando com a plateia ou conversando no intervalo entre as músicas, enquan­to Ronnie e Keith fazem suas muitas trocas de guitarra. Os dois guitarristas, sorridentes, parecem se divertir o tempo todo, interagindo sempre com todos os outros músicos. O clima não desanda nem no final do show, quando Keith dá um esbarrão sem querer em Jagger. Ele pede desculpas, o vocalista sorri de volta e continua a cantar.

Fantasias

O figurino dos músicos se limita ao básico da calça, camiseta e camisa esvoaçante durante quase todo o show: Jagger e Ronnie Wood entram no palco com blazers cheios de brilho, enquanto Richards usa um com te­ma tropical, com palmeiras desenhadas – conforme o show esquenta, os casacos são deixados de lado. Charlie Watts se veste de forma ainda mais simples, apenas uma calça vermelha e camiseta azul, talvez em referência à bandeira chilena. Apenas em Sympathy for the Devil Jagger surge vestindo um casaco de plumas rubro-negro, para evocar a fi­gura do tinhoso.

 

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