Red Bull FrancaMente transmite seminal nesta quinta (24)

Postado em: 24-06-2021 às 09h22
Por: Lanna Oliveira
Ocorre hoje (24), às 17h, a classificação para a próxima fase do Red Bull FrancaMente, uma das principais competições de batalha de rimas do Brasil | Foto: Divulgação

As batalhas de rimas ganharam destaque por meio da internet, e em pouco tempo tornaram-se referência da cultura hip-hop. Os centros onde ocorre as principais, São Paulo e Rio de Janeiro, abriram espaço para cidades como Fortaleza e Belo Horizonte também fazerem acontecer a cena. Na capital mineira, anualmente ocorria a disputa nacional da modalidade, devido a pandemia este ano o evento é transmitido virtualmente. São 32 MC’s classificados para a próxima fase do Red Bull FrancaMente, valendo uma vaga na Final Nacional do torneio.

Batalha da Aldeia, Batalha do Tanque, Batalha da Escada, Duelo de MC’s, Liga dos MC’s são alguns dos principais eventos do gênero que movimenta a cena ao redor do país. Diversos artistas consagrados do rap hoje saíram desses lugares e alcançaram patamares inimagináveis alguns anos atrás. As batalhas de rap têm um papel importante na formação de novos artistas, pois deram visibilidade para garotos que só eram conhecidos em suas comunidades. Hoje, com milhões de streamings, as rimas ganham o mundo.

Se adaptar aos tempos digitais é um dos principais desafios daqueles que veem nas rimas a possibilidade de construir novas narrativas. É o caso dos 32 MC’s classificados para a próxima fase do Red Bull FrancaMente, uma das principais competições de batalha de rimas do Brasil. Com transmissão por meio de live no canal da Twitch da Amazon Brasil, nesta quinta-feira (24), Clara Lima, Max B.O. e Slim realizam a apuração dos votos ao vivo, indicando os melhores artistas que avançam à etapa final. A partir das 17h, o público pode acompanhar os duelos.

“O mais dinâmico na realização dos votos é analisar o conjunto da obra de cada MC. Ao meu ver, fatores como criatividade, inovação e sagacidade são fundamentais ao serem avaliados, já que, para mim, freestyle é um bailado, é um malabarismo silábico. Apesar de mais desafiador aos rappers, este formato online é importante para que todos se adaptem aos novos desafios em suas trajetórias, que também incluem variados formatos de duelos e eventos”, conta Max B.O., um dos grandes nomes que compõem a banca de jurados.

Os duelos virtuais marcam a chegada de um novo período para as batalhas de rimas, que ficaram tradicionalmente conhecidas por reunir centenas de jovens apaixonados pelo rap em diversas partes do mundo. Com muito improviso e criatividade, os rappers classificados para a próxima fase do Red Bull FrancaMente já puderam demonstrar como é rimar atrás das telas de um celular, já que todo o processo de inscrições ocorreu de modo digital, por meio do aplicativo oficial do evento, que funciona, ainda, como uma rede social dos rappers.

Representando Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Curitiba, Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre, Belém e Salvador, os artistas se destacaram entre mais de 200 MC’s de diferentes regiões, passando pelo exigente crivo de Kamau, Slim e Mamuti na etapa de inscrições do evento. Agora, vão duelar entre si na Seletiva Nacional e apenas 15, anunciados por meio da live, seguirão na competição. Marcada para julho, a Final Nacional será transmitida ao vivo para todo o Brasil no canal oficial do Red Bull FrancaMente no YouTube.

Relevância e impacto

As Batalhas surgiram por volta de 1970, juntamente com o nascimento do rap, no Bronx, periferia de Nova York e berço do hip hop. Na época havia grande índice de criminalidade e foi por isso que Afrika Bambaataa, artista negro, teve a ideia de resolver as brigas de gangue com batalhas de break (modalidade de dança do hip hop). “A meu ver, a cultura hip hop se propõe a unir a humanidade como uma só. Unir o planeta sob um só groove, um movimento. Não existem negros, brancos, altos, baixos, brasileiros, americanos, homens ou mulheres. Somos todos seres humanos”, disse ele, e assim é considerado o pai do hip hop.

No Brasil, popularizou-se na década de 1990, mas só foi reconhecido como evento em 2003 com o surgimento da Batalha do Real, no Rio de Janeiro, a pioneira idealizada por Marechal, um expoente do rap nacional. Em São Paulo, a Batalha do Santa Cruz deu espaço para Emicida, um dos principais nomes da história do rap no Brasil até hoje e o primeiro a ter reconhecimento no exterior. Mas atualmente, as batalhas tomaram outras proporções e são decisivas na hora de dar visibilidade para artistas.

As batalhas de rimas, vai além do seu papel cultural na cena do rap, ela exerce também um papel social e educacional na vida dos jovens que à cercam. As crianças que crescem em regiões menos privilegiadas, muitas vezes não enxergam possibilidades, mas é notável como hoje os eventos de rap proporcionam lazer e conhecimento para esses jovens. O impacto social é perceptível, essas mesmas crianças que não vislumbravam um futuro, proporcionam uma vida digna para seus familiares e amigos da comunidade através do rap.

Falando especificamente das batalhas de rimas, as atividades desempenhadas pelos MC’s nas rodas exigem conhecimento da língua portuguesa, criatividade, destreza, perspicácia e raciocínio rápido. Ou seja, não se pode negar a relevância desses eventos na formação educacional de jovens que encontram no rap uma saída, ou apenas uma diversão. Com assuntos atuais, referências bibliográficas e/ou da cultura pop em geral, as rimas ganham riqueza de conteúdo e tudo isso feito de improviso. As batalhas de MCs podem ser formadas por trios, duplas ou individual. As regras são bem simples, cada MC tem direito a mandar quatro versos que são divididos em dois rounds, caso empate vai para o terceiro e último. Normalmente, quem decide o campeão é a plateia, mas em alguns casos existem a presença de jurados. Vale também lembrar que a batalha possui um apresentador, que comanda a batalha e apresenta os MCs para o público. Todos reunidos com um só intuito, todos unidos com uma só paixão. No fim, sabe o que eles realmente querem ver? A cultura do hip hop recebendo o devido reconhecimento e respeito.

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