Imigrantes fazem greve de fome e manifestação para entrar nos EUA

Maioria dos imigrantes é proveniente de Honduras, Guatemala e El Salvador, mas segundo a ONG Povo Sem Fronteiras, os vistos ainda não foram concedidos a todos

Postado em: 10-05-2018 às 14h25
Por: Victor Pimenta
Maioria dos imigrantes é proveniente de Honduras, Guatemala e El Salvador, mas segundo a ONG Povo Sem Fronteiras, os vistos ainda não foram concedidos a todos

Com o recrudescimento da política imigratória e a busca por
um maior controle na fronteira entre o México e os Estados Unidos, uma
manifestação de imigrantes da América Central, que acontece anualmente desde
2010, acabou em conflito, com envio da guarda nacional à fronteira e uma greve
de fome de 15 imigrantes.

Os imigrantes, que participam da chamada Via Crucis do
Imigrante, protestam no estado de Oaxaca por ainda não terem recebido vistos
humanitários temporários. Segundo entidades de defesa humanitária, os vistos
foram prometidos pelo presidente do México, Enrique Peña Nieto.

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A maioria dos imigrantes é proveniente de Honduras, Guatemala
e El Salvador, mas segundo a ONG Povo Sem Fronteiras, os vistos ainda não foram
concedidos a todos.

O grupo tinha cerca de mil pessoas quando a viagem começou no
final de março, no sul do México. De acordo com a imprensa local, parte deles
agora está no estado de Oaxaca, a cerca de mil quilômetros da fronteira com os
Estados Unidos.

Agências internacionais que acompanham a caravana relatam que
o grupo já teria se separado, e pelo menos 200 pessoas partiram junto a um
carregamento de mercadorias, conhecido como La Bestia, chamado localmente de
comboio da morte, pelo perigo relacionado à presença de cartéis de drogas e
contrabando na região.

Pressão

O México recebe imigrantes de países da América Central,
muitos deles com alto grau de violência e presença de cartéis de drogas, que
tentam chegar aos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que é pressionado pelo
governo de Donald Trump para não “facilitar” a entrada desses imigrantes
em território norte-americano.

A pressão já existia na administração de Barack Obama. Entre
2014 e 2017, o México deportou mais de 420 mil pessoas da América Central. Mas
o governo Peña Nieto é pressionado também por entidades de direitos humanos
para permitir a passagem ou a permanência temporária dos cidadãos
centro-americanos.

Agora, com a gestão Trump, a pressão aumentou, inclusive
porque uma das diretrizes do governo norte-americano é a construção do muro
fronteiriço, projeto pendente de liberação de verbas no Congresso americano.

Manifesto

As caravanas Via Crucis surgiram em 2010, no mesmo ano em que
foram encontrados 72 corpos de imigrantes da América Central e da América do
Sul em uma vala comum em Tamaulipas, estado mexicano, próximo à fronteira com o
Texas, sul dos Estados Unidos. Na época, sobreviventes contaram que os
imigrajtes foram mortos ao se recusar a pagar a cartéis e coiotes da região,
para a travessia.

Desde então, são realizadas anualmente manifestações com a
presença de entidades e coletivos locais de apoio humanitário.

Em abril, antes do início da caravana, o presidente Trump
classificou o governo mexicano como “permissivo” em relação à entrada
de grandes fluxos “de drogas e de pessoas nos Estados Unidos”.

O governo norte-americano já confirmou a presença de 2,4 mil
homens da guarda nacional na fronteira do Texas, Arizona e Califórnia, para
prevenir a chega de imigrantes.

 Fonte: Agência Brasil.

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