Dilma defende mandato e faz duras críticas a Temer

Presidente afastada afirma que se impeachment imperar resultará em eleição indireta de um governo usurpador

Postado em: 30-08-2016 às 06h00
Por: Sheyla Sousa
Presidente afastada afirma que se impeachment imperar resultará em eleição indireta de um governo usurpador

Ao apresentar pessoalmente ontem, por cerca de 45 minutos, sua defesa aos senadores, a presidente afastada Dilma Rousseff (PT) , ressaltou que foi ao Senado "olhar diretamente nos olhos" dos que a julgarão. Em seu discurso, Dilma não poupou críticas ao governo interino de Michel Temer.
"Um golpe que, se consumado, resultará na eleição indireta de um governo usurpador. A eleição indireta de um governo, que, já na sua interinidade, não tem mulheres comandando seus ministérios, quando um povo nas urnas escolheu uma mulher para comandar o país", afirmou.
"Sei que, em breve, e mais uma vez na vida, serei julgada. E por ter minha consciência absolutamente tranquila em relação ao que eu fiz, venho pessoalmente à presença dos que me julgarão", afirmou.
A petista negou ter cometido crimes dos quais é acusada, segundo ela, “injusta e arbitrariamente”. Hoje, o Brasil, o mundo e a história nos observam. E aguardam o desfecho desse processo de impeachment", disse.
"Jamais atentaria contra o que acredito, ou praticaria atos contrários aos interesses daqueles que me elegeram", disse a petista, visivelmente emocionada, com a voz embargada por várias vezes. Dilma disse que se aproximou do povo e, também, ouviu críticas duras a seu governo.
Dilma também disparou críticas à composição ministerial montada por Temer desde o afastamento dela, em 12 de maio deste ano. "Um governo que dispensa os negros na sua composição ministerial. E já revelou um profundo desprezo pelo programa escolhido e aprovado pelo povo."
A presidentE afastada afirmou que durante seu governo e do presidente Lula, "foram dadas todas as condições para que as investigações fossem realizadas".
"Assegurei a autonomia do Ministério Público, não permiti qualquer interferência política na atuação da Polícia Federal. Contrariei interesses, por isso paguei e pago um elevado preço pessoal pela postura que tive", afirmou.

Cunha
Dilma lembrou a atuação do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que foi o responsável por dar o sinal verde ao processo contra ela na Casa.
Sobre os políticos que se aliaram ao ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, ela disse eles encontraram "o vértice da sua aliança golpista". "Articularam e viabilizaram a perda da maioria parlamentar do governo. Situações foram criadas com apoio escancarado de setores da mídia", disse. "Todos sabem que esse processo de impeachment foi aberto por uma chantagem explícita do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha."
Segundo Dilma, se ela tivesse se "acumpliciado" com a improbidade e com o que, classificou, que “há de pior na política brasileira, como muitos até hoje parecem não ter o menor puder em fazê-lo, eu não correria o risco de ser condenada injustamente", afirmou.

Caiado levanta tese de estelionato eleitoral

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O líder do Democratas no Senado Federal Ronaldo Caiado (GO) usou o interrogatório à presidente afastada Dilma Rousseff para questioná-la sobre a ocultação da crise econômica durante sua campanha de reeleição. Na sessão de ontem, Caiado tomou como base as mentiras proferidas em campanha para levantar a tese de "estelionato eleitoral" em comparação às alegações de Dilma de que o impeachment se trata de uma "ação indevida".
"Vossa Excelência diz que a situação do país tem a ver com a crise internacional, mas por acaso esta crise só apareceu no dia 25 de outubro de 2014? Só depois do segundo turno? Não havia qualquer informação pelo governo? Se Vossa Excelência trata o impeachment como ação indevida, não seria a omissão à crise durante sua campanha um estelionato eleitoral? Se os eleitores soubessem de tudo isso, votariam na senhora?", questionou.
Caiado também ressaltou o atropelo republicano que fez Dilma ignorar uma prerrogativa do Congresso ao editar decretos de crédito suplementar antes da aprovação do PLN 5 pelo parlamento.

BANCOS PÚBLICOS
Ronaldo Caiado trouxe um fato novo ao processo de impeachment: enquanto Dilma Rousseff deu calote nos bancos públicos que deveriam ser ressarcidos semestralmente, o governo seguiu pagando bancos privados mensalmente, o que corrobora a tese de uso dessas instituições para omitir a situação fiscal do governo.
"Só Banco do Brasil, Fundo de Amparo ao Trabalhador, BNDES e Caixa não foram pagos semestralmente. Todos os bancos privados foram pagos mensalmente com equalização das taxas de juros. Por que preferenciar os privados em detrimento dos bancos públicos?", indagou.

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