“Falar em ganhar no 1º turno é arrogância”, diz Delegado Waldir

Com um jeito peculiar de fazer campanha, o prefeitável do PR, diz que prefere que o eleitor pense que ele está sozinho

Postado em: 08-09-2016 às 06h00
Por: Renato
Com um jeito peculiar de fazer campanha, o prefeitável do PR, diz que prefere que o eleitor pense que ele está sozinho

João Barbosa, Mardem Costa Jr, Rubens Salomão e Venceslau Pimentel

Com um jeito peculiar de fazer campanha, percorrendo as ruas de Goiânia sempre desacompanhado, a pé ou na carroceria de uma caminhonete, o prefeitável do PR, Delegado Waldir, diz que prefere que o eleitor pense que ele está sozinho. “Davi também estava sozinho, e venceu vários gigantes”, explica, em referência ao personagem bíblico. Para ele, candidato a vereador está preocupado com a eleição de si próprio. Em entrevista ao O Hoje, o candidato diz desconfiar de sua queda nas pesquisas; afirma que falar em ganhar no primeiro turno é salto alto. Veja trechos da entrevista.

Por que o senhor está participando de atividades da campanha sem a presença da vice (a médica Rose Cruvinel, do PMN) e de candidatos a vereador da sua coligação?
Acho o seguinte. Cada pessoa tem uma missão nessa campanha. Vereadores, como na eleição para governador e deputado federal, no primeiro turno, estão preocupados com a eleição deles. Eles não estão preocupados com a eleição do prefeito, mas sim com a campanha deles. A vice segue outro caminho. Em 2014, fiz a campanha dessa forma (refere-se ao palanque móvel, onde percorre a cidade no estribo de uma caminhonete, propagandeando suas ideias por meio de um sistema de som). Quem tem que aparecer é o candidato a prefeito. Eu não estou apenas em cima da caminhonete, desfilando, dando tchau às pessoas. Vou com o microfone, dialogando com as pessoas, conversando com eles, questionando: “o que vocês querem o que para Goiânia?”

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Deputado, se a gente for ver a concepção de campanha – carreata, comícios, cabos eleitorais – isso não pode ficar para o eleitor que o senhor estaria sozinho, isolado, ou é uma jogada de marketing?
Eu prefiro que o eleitor pense que eu esteja sozinho. Davi também estava sozinho, e venceu vários gigantes. Não quero aparecer com opulência, riqueza, mesmo porque não tenho. Tenho que parecer aquilo que sou. Não posso mentir para o eleitor. Você acha que quantos litros de combustível são dados para cada carro que participa de uma carreata? Você acha que isso é gratuito? Que vão porque amam o candidato? Não! Vão atrás de interesses. Estando sozinho, eu estou sendo autêntico, e não atrapalho o trânsito, os pedestres e o comércio.

Como tem sido a resposta do eleitor a esse modo diferente de fazer política?
Desafio vocês a me acompanharem. As pessoas buzinam, gritam “delegado! delegado!”. Isso que é pesquisa eleitoral.

Apesar do senhor se recusar a comentar as pesquisas, como analisa o PMDB, que diz que Iris Rezende será eleito no primeiro turno. Seria arrogância?
É arrogância, salto alto. Quem comprou terno já para assumir dia 2, pode usá-lo para seu velório, enterro político.

Por que o senhor se refere a si em terceira pessoa?
Estou falando do Delegado Waldir, tentando fazer com que as pessoas gravem. Tenho sofrido um boicote por parte da mídia. Alguns falam no Waldir Soares (nome do deputado). Outros falam no Doutor Waldir. Essas pessoas não existem. Meu nome político, registrado na Justiça Eleitoral é Delegado Waldir, tanto em 2010 e 2014 quanto agora. Tem gente que faz pesquisa eleitoral e coloca (na cartela) Waldir Soares. Quem que conhece essa pessoa? Não conheço candidato a prefeito com esse nome. Isso é, no mínimo, tendencioso.

O senhor fez críticas à renovação da concessão da Saneago. Caso eleito, vai revoga-la?
Vou rever o contrato, com certeza. Nós temos argumentos para suspendê-la, ou fazer um acordo. Eu quero 100% de esgoto em Goiânia e quero o Rio Meia Ponte limpo em dois anos. Ou vocês fazem isso ou quebro a concessão a concessão. É preciso estipular regras.

Voltando à questão das pesquisas, considerando os dois levantamentos do Serpes, percebe-se que o senhor registrou uma queda em relação à Vanderlan Cardoso (PSB). Isso o preocupa?
Não é estranho que, de repente, numa pesquisa, o candidato do governador Marconi Perillo ter recuado dois pontos percentuais. Na semana seguinte, com os efeitos da prisão do presidente do PSDB e de uma pessoa que já foi secretário do Marconi, ela avança seis pontos?

Como seria a relação do senhor com o governador Marconi Perillo, caso seja eleito?
Acho que a relação tem que ser governamental, (…) estritamente governamental.

O tema que o senhor domina muito – a segurança pública – de repente tornou-se a menina dos olhos de todos os candidatos, jogando vice ligado ao segmento. Como que o senhor vê essa enxurrada de propostas de políticos que prometem salvar a cidade da marginalidade?
Na verdade eles estão tentando aproveitar o abandono deixado pelo Governo Federal, governo do estado em relação à segurança pública com uma nuance municipal. Temos muitos aventureiros nesse momento.

Entre as propostas acerca da segurança apresentadas pelo senhor está a criação da polícia municipal. Goiás gastou 12,5% do orçamento com a Secretaria de Segurança Pública, mais até do que foi gasto com a saúde e mesmo assim há problemas com a qualidade do serviço prestado. Como a prefeitura, com menos recursos ainda, poderia bancar essa polícia municipal?
Já existe essa polícia municipal (o republicano refere-se à Guarda Civil Metropolitana). São 1.600 homens, ante 1.400 da Polícia Militar, em Goiânia. Se o estado faliu, foi por incompetência. Tenho conhecimento e sou a única pessoa, no estado, a ter um curso específico acerca da violência urbana. Isso ajuda a explicar o sucesso do meu trabalho. Essa é a minha praia, mas não o farei sozinho. Teremos especialistas, pessoas apaixonadas no que fazem. E serão os melhores.

Há essa verba no orçamento municipal? Ela é viável?
Nos últimos dois anos o prefeito Paulo Garcia (PT) gastou 60 milhões com publicidade. Em cada secretaria há um advogado e uma comunicação setorial. Um absurdo! Dá para contratar mais 1.600 homens, adquirir viaturas, armamento, munição, enfim, preparar essa guarda toda com um quarto desse valor. O dinheiro é mal administrado e não há controle sobre ele.

O senhor disse  não ter medo de cara feia. Percebe-se uma certa agressividade no tom da sua campanha. Isso é para se aproximar da população?
Isso que falam do Delegado Waldir ser agressivo é uma lenda. Até para chegar no eleitor, o faço com educação. Nenhum candidato faz isso. Essa questão da agressividade é uma lenda criada a meu respeito. Sempre fui cavalheiro e cortês com as pessoas de bem. Agora, no meu trabalho como delegado e não tenho como tratar um bandido com gentileza. Sem contar também que adapto o meu discurso de acordo com a pessoa com quem converso ou o lugar.

Isso não é reforçado com o gestual simbolismo que tem quando o senhor aponta como se fosse uma arma?
Eu nunca fiz isso. Recentemente fui dar uma palestra em um colégio e recebi o mesmo questionamento. Esse gesto é amor, coragem, atitude, honestidade. Onde se vê uma arma aqui? Essa é a minha marca registada.

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