Duplicação da BR-153 vai gerar milhares de empregos

Investimentos na rodovia vão gerar milhares de empregos e mais negócios: Norte e Nordeste do Estado poderão até virar um novo Sudoeste | DNIT/Divulgação

Postado em: 01-05-2021 às 09h13
Por: José Luiz Bittencourt
Investimentos na rodovia vão gerar milhares de empregos e mais negócios: Norte e Nordeste do Estado poderão até virar um novo Sudoeste | DNIT/Divulgação

O leilão de concessão e outorga da BR-153, já concluído, implicará em investimentos bilionários no trecho que vai de Anápolis até a Aliança do Tocantins, com pouco mais de 800 quilômetros – e pode ser definido como mais um evento favorável ao governador Ronaldo Caiado e à caracterização do seu período de gestão como em sucedido em matéria de interiorização do desenvolvimento econômico.

Esse é exatamente o significado da BR-153 – ou Belém-Brasília, codinome pelo qual ficou conhecida em Goiás e no país: uma estrada de desbravamento de regiões isoladas ao contexto estadual e nacional, papel que foi cumprido com força no passado, mas que ainda tem muito para render. Muito mais para o Tocantins. Só que não menos importante, também, para as duas faixas geográficas mais atrasadas do território goiano, o Norte e o Nordeste. 

Desde a campanha vitoriosa de 2018 que Caiado fala em estratégias especiais de fortalecimento econômico e social para essas regiões, em especial o Nordeste. O governador chegou até a implantar alguns projetos, como a diferenciação de incentivos fiscais para a instalação ali de projetos industriais. A atração de investimentos empresariais, chave para qualquer processo de arrancada na geração de renda e empregos, é chave em situações críticas como a do Nordeste goiano. Infelizmente, não é fácil, diante da distância e ao isolamento em relação aos grandes centros consumidores. 

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É aí que entram os R$ 14 bilhões de reais que o consórcio vencedor do leilão da BR-153 vai investir em ações para melhorar a rodovia e promover a sua modernização, pelos próximos 35 anos. Goiás ficará com 80% desses recursos porque o seu percurso vai gerar a receita correspondente. Apesar do prazo esticado, ainda assim é muito dinheiro e muito dinheiro sempre traz consequências positivas quando aplicado em obras públicas. Tanto que, diretamente, milhares de empregos serão gerados, a maioria logo no início, com as praças de pedágio (serão nove) a mais ou menos cada trecho de 80 a 90 quilômetros, e a duplicação da pista.

O outro lado dessa moeda de ouro será o salto de qualidade na logística que já é razoável: a malha viária do Norte e Nordeste do Estado está em contínuo processo de aperfeiçoamento, inclusive no que diz respeito às as GOs. Os efeitos tendem a ser multiplicados, despertando o apetite de empresas para o aproveitamento das potencialidades locais, a começar pelo complexo agropecuário, passando pela mineração e pelas cooperativas de produção (muitas em andamento acelerado, como a da mandioca para a indústria cervejeira) e chegando até o negócio, em si, do transporte – em sintonia com outro trunfo que Goiás pode exibir, a Ferrovia Norte-Sul

Entre duas a três centenas de municípios serão impactados, goianos e tocantinenses. A pouca sinergia de hoje entre um Estado e o outro poderá florescer. A privatização da rodovia, assim, finalmente levará a um segundo round na história dos torrões que a mesma BR, quando foi construída, possibilitou conquistar (o termo não é exagerado) e retirar da condição de zonas segregadas do resto do país.

Nenhuma rodovia brasileira foi e é tão estudada, em teses acadêmicas, quanto a BR-153, da mesma forma que jamais qualquer outra foi tão identificada com a necessidade de unificação de uma nação de proporções continentais e desafios maiores ainda. É quase que um país antes e outro depois, esse ainda com muito para aproveitar da estrela mais icônica da malha viária brasileira, que extrapola o trecho da Belém Brasília e na verdade vai do extremo do Rio Grande do Sul ao extremo do Pará, reproduzindo a saga das poderosas turnpikes norte-americanas na busca de uma identidade comum em todas as manifestações da atividade ribeirinha por onde passam – fazendas, cidades, fábricas, comércio e serviços de todos os tamanhos e uma intrincada rede populacional à procura de trabalho e sobrevivência.

Com a privatização, a BR-153, no intervalo Anápolis/Aliança do Tocantins, passa a compor a estratégia do governador Ronaldo Caiado para fomentar a economia do Norte e notadamente do Nordeste do Estado. Isso, até então, seria uma meta de alcance custoso e complicado, perto de irrealizável. Não à toa, o governador, enxergando a bela oportunidade que se abriu, comemorou com palavras de entusiasmo o desfecho do leilão – uma operação arriscada, que vez ou outra, em se tratando de rodovias, acaba se frustrando. Nesse caso, deu certo. Os ganhos políticos são do governador e de mais ninguém.

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