Grupos pró e contra Bolsonaro organizam manifestação em Goiânia

Postado em: 06-09-2021 às 09h30
Por: Raphael Bezerra
Apoiadores do presidente se reunirão no autódromo de Goiânia, enquanto críticos farão concentração na Praça dos Bandeirantes; Ambos às 09h | Foto: Reprodução.

Um acontecimento do passado na história brasileira, considerado um momento revolucionário, dialoga com questões do tempo presente em grupos políticos que buscam seu advento ou por grupos contrários que temem que isso possa se tornar real. O processo de ruptura de um modelo político-social no dia 7 de setembro em 1822, comemorado antes da pandemia com paradas militares, desfiles de escolas e encenações, carrega para o presente sentimentos ambíguos possíveis de ser analisados em qualquer grupo de Whatsapp ou roda de conversa sobre política. 

Manifestantes de lados opostos da política nacional, especialmente, sairão às ruas na manhã da próxima terça-feira em busca da formação da sua própria revolução e seus próprios protagonistas. Mas é de hoje que os movimentos políticos tomam as ruas nessa data. Se por um lado o presidente da República e seus apoiadores pregam que o dia será um ultimato para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), os contrários ao presidente pedem a saída de Bolsonaro.

Acompanhando o cenário nacional, Goiânia também será palco de atos favoráveis e contrários ao presidente. A 27ª edição do Grito dos Excluídos se concentra na Praça dos Bandeirantes às 09. As manifestações reivindicam o impeachment do presidente da República Jair Bolsonaro (Sem partido) e denunciam algumas de suas ações, como o possível envolvimento em esquemas de propina na compra de vacinas, denunciado pela CPI da Pandemia no Senado Federal.

Os apoiadores do presidente organizam, por sua vez, uma motocarreata com concentração também às 09 horas no autódromo de Goiânia. “Percorremos diversas ruas da cidade no manifestando de acordo com o artigo 5 da constituição federal e pela democracia e liberdade de expressão”, comenta um dos organizadores do evento. 

Por meio das redes sociais, o presidente da Frente Conservadora de Goiás, Jeniffer Crecci, afirma se tratar de “uma data emblemática para todos os conservadores”.Por meio das redes sociais, o presidente da Frente Conservadora de Goiás, Jeniffer Crecci, afirma se tratar de “uma data emblemática para todos os conservadores”. A organização também articula caravana com saída da capital para atos em Brasília, na mesma data. A estimativa é de cerca de 100 ônibus com saída de todo o Estado.

Ida à Brasília é cancelada

A organização também articulava caravanas com saída da capital para atos em Brasília, na mesma data, mas o movimento foi frustrado e a concentração deve ficar apenas em Goiânia. No começo da tarde deste domingo, no entanto, diversos vídeos circularam pelas redes mostrando caminhoneiros em rodovias goianas com faixas de apoio ao presidente em direção a Brasília.

Esse movimento junto aos caminhoneiros foi estimulado por apoiadores de peso de Bolsonaro, como o cantor Sérgio Reis, e Marcos Antônio Pereira Gomes, conhecido pelo apelido Zé Trovão, caminhoneiro que está foragido. 

Ele é acusado, junto com outros manifestantes bolsonaristas, de organizar atos violentos para a próxima terça-feira (07), dia da Independência do Brasil. Em entrevista à revista Veja, seu advogado, Levi de Andrade, afirmou que “a decretação da prisão vai insuflar ainda mais os manifestantes”.

O mandado de prisão contra ele foi expedido depois de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR). Ele é suspeito ainda de publicar conteúdos que incitem a violência contra ministros do STF e membros do Congresso Nacional.

Com a divulgação do vídeo, ele descumpriu outra decisão do Supremo que o proibia de participar de transmissões ao vivo ou aparecer em redes sociais de terceiros. Suas contas pessoais estão bloqueadas por decisão da Corte. A defesa alega que Marcos Antônio não cometeu crime.

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