De olho em 2022, PT intensifica busca por eleitores jovens

Em movimento conjunto, lideranças nacionais e regionais tentam atrair os mais jovens

Postado em: 07-10-2021 às 09h00
Por: Felipe Cardoso
Em movimento conjunto, lideranças nacionais e regionais tentam atrair os mais jovens | Foto: Reprodução

O Partido dos Trabalhadores (PT) tem trabalhado pela reconstrução de um movimento político forte com foco nas eleições do ano que vem. É sabido que, se as coisas continuarem como estão, o País tende a protagonizar, de novo, um cenário eleitoral marcado pela polarização em 2022. 

Neste contexto, haverá, de um lado, o líder petista e ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do outro, o chefe do Poder Executivo e candidato à reeleição, Jair Messias Bolsonaro (Sem partido). Pensando em projetar ainda mais o seu nome para a disputa do ano que vem, o ex-presidente tem percorrido os quatro cantos do Brasil em busca de apoio.

Porém, um fator isolado tem chamado a atenção das lideranças ao longo das peregrinações e aparições do petista País afora: a preocupação em trazer a juventude para o seu lado. Há tempos, Lula tem se mostrado empenhado em seduzir essa parcela significativa da população brasileira. 

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Em um passado não muito distante, embora ainda no ano de 2020, o petista já falava com a militância sobre a necessidade de abarcar a juventude ao que chama de um processo de “reconstrução do Brasil”. Durante as festividades que marcaram os 40 anos do partido no ano passado, o presidente falava sobre a necessidade de levar os jovens às ruas.

“Vamos ficar xingando Bolsonaro ou vamos às ruas exigir que o governo mude ou caia fora? Não temos muitas alternativas. (…) “Tenho preocupação com o futuro da nossa juventude”, disse à época o ex-presidente que, em seguida, reiterou que o grupo representa o objetivo central do partido. 

Em outro trecho, Lula considerou que o mundo está “mais sofisticado” e que, diferentemente do que acontecia antigamente, hoje, os jovens  possuem acesso à informação. Passados mais de um ano desde o evento que marcou os 40 anos do PT, o líder petista ainda é observado imbuído do mesmo discurso. 

Em reunião recente — no final de setembro — na periferia de São Paulo, o petista defendeu o que chamou de uma “revolução comportamental” dos mais jovens no ano que vem. 

“É preciso que a gente tenha muita responsabilidade. Vai ser um ano que não é um ano de eleição. É um ano de uma revolução comportamental. Nós precisamos dizer para o povo o seguinte: ou ele conserta esse País, ou ele vai amargar o fim da vida. E temos que dizer isso para a juventude”, disse o ex-presidente ao discursar. 

Em outro trecho também foi instigado a emissão do título de eleitor por parte da comunidade entre 16 e 18 anos. “Temos que falar à juventude que é mais rebelde, que mais protesta, que mais grita, que às vezes parece mais radical, que ela tem que tirar o título para votar. Esse é um discurso que nós temos que fazer, companheiros e companheiras. É dizer para o jovem: ô cara, tira seu título. Nós já aprovamos para você votar a partir dos 16 anos. Você acha que ninguém presta? Então seja você o candidato”, defendeu. 

No encontro em questão, Lula esteve acompanhado de Fernando Haddad (PT), lançado pelo partido como pré-candidato ao governo do estado de São Paulo, e da presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann.

Alinhamento 

Em Goiás, os rumos serão os mesmos. Lideranças petistas não apenas defendem, como estimulam, a participação da comunidade estudantil e movimentos sociais encabeçados pelos mais jovens no processo de ‘reconstrução política’ do país. 

“Os estudantes representam um segmento importante dentro do PT. Eu mesma iniciei minha vida política na pastoral da juventude e no movimento estudantil. Estamos falando de um movimento social muito querido pelo partido, haja vista sua importância nas transformações e conquistas ligadas à educação”, explicou a deputada estadual Delegada Adriana Accorsi (PT).

Em seguida, a parlamentar rememorou que o partido sempre “investiu” em lideranças jovens iniciadas no âmbito político ainda na adolescência. “Temos vários dirigentes que seguem esse exemplo, temos essa tradição. Enxergamos a juventude como uma força, uma potência para as transformações sociais. São pessoas que somam sempre com muita energia, coragem e ousadia”, argumentou. 

Em seguida, a deputada confirmou que essa parcela da sociedade será tratada como “prioridade” no plano de governo encabeçado pelo pré-candidato e ex-presidente Lula. “Eles terão um papel preponderante durante a campanha, tanto que várias lideranças jovens do campo democrático já tem migrado para o PT, justamente por reconhecer no nosso partido esse espaço. Nosso partido entende que a juventude é importante não só na política mas também no processo de democrático do País”, finalizou. 

Outro a falar sobre o assunto foi o vereador por Goiânia, Mauro Rubem (PT). Assim como Accorsi, o parlamentar lembrou do protagonismo ocupado pela juventude dentro do Partido dos Trabalhadores e revelou as estratégias que farão com que o partido impulsione a participação dessa comunidade no próximo pleito. 

“Aqui em Goiânia já temos uma campanha permanente de filiação ao partido, de maneira a estimular que todos os jovens façam sua inscrição no TRE [Tribunal Regional Eleitoral] e se coloquem como eleitores. Precisamos dessa comunidade participando ativamente da vida pública. Nossas ações serão, agora, intensificadas no sentido de angariarmos cada vez mais força e corrigirmos essa tragédia instalada no Brasil”, afirmou o vereador. 

Sobre as expectativas, o parlamentar se mostrou otimista com o engajamento da juventude, haja vista que, segundo ele, esse seria o segmento mais afetado pela atual gestão. “A juventude é a maior vítima desse processo. Estamos vendo a destruição das escolas, do emprego, da aposentadoria. Ou seja, quanto mais novo, mais irá sofrer. Por isso, queremos trazer para o nosso lado essa parcela insatisfeita e que tem se mostrado, inclusive, cada vez mais crítica”, disse. “Queremos que os jovens traduzam suas insatisfações em forma de voto”, pontuou, por fim, o legislador.

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