Podemos: ‘Partido da Lava Jato’ chega com quatro anos de atraso

Postado em: 13-12-2021 às 08h33
Por: Marcelo Mariano
Podemos desponta como o partido favorito de nomes ligados ao lavajatismo, como Sergio Moro e Deltan Dallagnol | Foto: Reprodução

O ex-procurador Deltan Dallagnol, que coordenou a Lava Jato em Curitiba, anunciou, na sexta-feira (10), a sua filiação ao Podemos. Por enquanto, a maior possibilidade é a de que ele dispute um cargo de deputado federal pelo Paraná.

No evento que marcou a entrada oficial de Dallagnol na vida política, estiveram presentes diversas lideranças do Podemos, como a deputada federal por São Paulo e presidente nacional do partido, Renata Abreu, além de Sergio Moro, pré-candidato da legenda ao Palácio do Planalto em 2022.

Ex-juiz responsável por julgar os casos da Lava Jato em Curitiba e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública do governo do presidente Jair Bolsonaro (PL), Moro também se filiou ao Podemos recentemente e, junto com Dallagnol, forma a linha de frente de nomes ligados ao lavajatismo que decidiram se arriscar na política partidária.

Em outras palavras, o Podemos, na prática, se tornou o partido da Lava Jato, no qual não faltaram referências na fala de Dallagnol durante o evento, com 13 citações em um discurso de 11 páginas. Para efeito de comparação, quando se filiou, Moro fez sete menções à operação em um discurso de dez páginas.

“Até a Lava Jato”, disse Deltan, “a minha história foi parecida com a história de vocês e do país neste ponto”. Segundo ele, “foi uma história de frustrações na luta contra a corrupção”. “Ninguém me contou, eu descobri, eu vi com meus olhos, diversas vezes, que as engrenagens do sistema de justiça estão ajustadas para não funcionar contra os poderosos.”

“A Lava Jato e todas essas operações seguiram as regras do jogo que valiam na época. O problema é que, num revisionismo jurídico, o STF mudou as regras e as aplicou para o passado, anulando as condenações. É como se o juiz de futebol no fim do jogo mudasse as regras para anular gols e mudar o resultado”, completou o ex-procurador.

Por sua vez, Moro postou uma foto nas redes sociais, ao lado de Dallagnol e outras lideranças, em que reforça o papel do partido. “Nossa turma é a do Podemos. Não é a do mensalão, não é a turma do petrolão, não é a turma da rachadinha. Aqui não precisamos esconder ninguém, podemos sair às ruas juntos. Essa tem que ser a cara da política do país”, escreveu.

Dessa forma, o chamado partido da Lava Jato assume o discurso anticorrupção. Deltan, a propósito, falou especificamente sobre isso. Para ele, a corrupção não é o único problema do Brasil, mas o central.

Moro, como não conhece sobre outros assuntos importantes, também frequentemente cita a questão da corrupção. Inclusive, em uma entrevista sobre a pobreza no Brasil, revelou sua proposta de criar uma agência voltada à “força-tarefa de erradicação da pobreza”, em uma clara alusão à força-tarefa da Lava Jato.

O desafio do Podemos é o fato de que, para 2022, a corrupção dificilmente será a maior preocupação dos eleitores. De acordo com as principais pesquisas qualitativas, a população levará mais em conta economia e saúde do que qualquer outra coisa na hora de votar.

Em 2018, a corrupção de fato esteve no centro das atenções, especialmente devido ao antipetismo e às denúncias contra o PT. No ano que vem, trata-se de algo que certamente ainda terá alguma relevância, mas em menor escala do que nas últimas eleições, ou seja, o Podemos, como partido da Lava Jato, chega com quatro anos de atraso.

Anteriormente chamado de PTN e fundado em 1995 para resgatar os ideais do ex-presidente Jânio Quadros, o Podemos trocou de nome em 2017 inspirado no slogan “yes, we can” (sim, nós podemos) do ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama.

Era um partido nanico e agora já pode ser considerado de médio para grande. Com a aposta no lavajatismo, espera crescer mais. Se dará certo ou não, só com o resultado oficial das urnas para ter certeza. (Especial para O Hoje)

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