Meirelles vs Baldy tende a ser o grande duelo da pré-campanha

Postado em: 15-01-2022 às 10h55
Por: Marcelo Mariano
Nos bastidores, comenta-se que a disputa pela vaga de senador na chapa governista está afunilada entre esses dois nomes. | Fotos: Reprodução

Oficialmente, as campanhas começam somente a partir do dia 16 de agosto. Até lá, Henrique Meirelles (PSD) e Alexandre Baldy (Progressistas), que disputam espaço pela vaga de senador na chapa do governador Ronaldo Caiado (DEM/União Brasil), devem protagonizar um dos principais duelos da política goiana.

Com o presidente estadual do MDB, Daniel Vilela, definido como o candidato a vice de Caiado, embora ainda haja setores da base governista insatisfeitos com essa decisão anunciada de forma antecipada no final de setembro do ano passado, resta só uma vaga na chapa caiadista, justamente a do postulante ao Senado.

No momento, há pelo menos sete nomes com o objetivo de conquistá-la: Delegado Waldir (PSL/União Brasil), João Campos (Republicanos), Luiz Carlos do Carmo (de saída do MDB), Wilder Morais (PSC) e Zacharias Calil (DEM/União Brasil), além, é claro, de Meirelles e Baldy.

Desses, Wilder Morais e Zacharias Calil, que tem a reeleição a deputado federal como uma alternativa mais realista, parecem ser os menos motivados. E o primeiro, por sua vez, fez um acordo com o atual senador Luiz Carlos do Carmo: se um for candidato, o outro não será.

Devido ao fato de que o MDB já tem a vice e dificilmente um mesmo partido terá duas vagas na chapa, Luiz Carlos do Carmo tende a deixar o partido. O destino mais provável, por ora, é o PSC. Contudo, mesmo em outra sigla, ele não deve ter muito espaço com Caiado, de quem, aliás, foi suplente.

Bolsonarista, o ainda senador emedebista, sabendo disso, abriu diálogo com o deputado federal Vitor Hugo (de saída do PSL e a caminho do PL), pré-candidato a governador com o apoio público do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Uma situação semelhante se desenha para o deputado federal Delegado Waldir. Seu partido, o PSL, se fundiu ao DEM de Caiado para formar uma nova legenda, a União Brasil, prestes a obter registro em definitivo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Logo, a lógica para o MDB também serve para a União Brasil, ou seja, com o governador na cabeça de chapa, a tendência é a de que um outro partido fique com a vaga. Tanto é que Delegado Waldir cogita a possibilidade, ainda não totalmente certa, de lançar candidatura avulsa.

E João Campos, que enfrenta um racha dentro do Republicanos, sempre esteve mais perto de candidatos de oposição, como o prefeito de Aparecida de Goiânia (sem partido), do que de Caiado, apesar de publicamente dizer que mantém diálogo com todos os governadoriáveis.

Diante desse cenário, nos bastidores, comenta-se que a disputa pela vaga de senador na chapa caiadista está mesmo afunilada entre Meirelles, que prefere Caiado, mas não descarta caminhar com outro candidato, e Baldy, cujo grupo já faz parte do governo por meio de seu irmão, Joel Sant’Anna Braga, atual secretário de Indústria e Comércio.

Coincidentemente, ambos são ligados ao governador de São Paulo e pré-candidato a presidente pelo PSDB, João Doria. Enquanto Baldy deixou a Secretaria de Transportes Metropolitanos no final de outubro, Meirelles segue à frente da Secretaria da Fazenda. Os dois, a propósito, dispõem de grandes recursos financeiros para investir na campanha.

Baldy também tem a seu favor o fato de que o Progressistas, presidido por ele em Goiás, é o segundo maior partido em termos de prefeitos no estado, atrás apenas do DEM. E Meirelles conta com seu prestígio nacional e internacional adquirido como ministro da Fazenda, presidente do Banco Central e do BankBoston.

Há quem diga que, a depender da composição, Baldy pode ser suplente de Meirelles, uma hipótese longe de ser confirmada tanto por um quanto por outro. O martelo só será realmente batido nas convenções partidárias, marcadas para final de julho e início de agosto. Porém, o duelo deve se intensificar já nas próximas semanas. (Especial para O Hoje)

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