Os reflexos em Goiás da aliança entre os partidos União Brasil, MDB e PSDB

Cúpulas nacionais dos partidos avançaram em conversas sobre aliança em torno de um só candidato a presidente, e não necessariamente de uma federação

Postado em: 17-02-2022 às 08h57
Por: Marcelo Mariano
Cúpulas nacionais dos partidos avançaram em conversas sobre aliança em torno de um só candidato a presidente, e não necessariamente de uma federação | Foto: Reprodução

Na noite de terça-feira (15), Bruno Araújo, Baleia Rossi e Luciano Bivar, respectivamente os os presidentes nacionais de PSDB, MDB e União Brasil, resultado da fusão entre DEM e PSL, se reuniram para discutir a aproximação entre os partidos no cenário nacional.

A pauta do encontro teve a possibilidade de uma federação como prioridade. Para isso, no entanto, seria preciso passar por cima de diversos entraves regionais, como em Goiás, onde União Brasil, do governador Ronaldo Caiado, e PSDB, do ex-governador Marconi Perillo, estão em lados opostos.

Com dificuldades para avançar em relação à federação, mecanismo que exige o mesmo comprometimento político em todos os estados, os caciques das siglas definiram que trabalharão para entrar em consenso sobre um único nome na disputa para presidente, o que permitiria a alguns palanques regionais ficarem neutros ou apoiarem outro candidato, sem correr risco de sofrer penalidades do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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Dessas legendas, as que têm presidenciáveis são o MDB, da senadora Simone Tebet, e o PSDB, do governador de São Paulo, João Doria, mas isso não significa necessariamente que um será vice do outro. A União Brasil, que agrega em termos de recursos financeiros e tempo de propaganda na televisão, também está de olho na vaga.

Na avaliação de Bruno Araújo, “as candidaturas são legítimas, postas por cada um de nossos partidos, mas a partir desse momento todos nós trabalhamos pela convergência de uma candidatura única, elas estão submetidas à autoridade de um consenso construído pelas forças políticas”.

Luciano Bivar segue uma linha parecida. “Federados ou não, [os partidos] têm grande quantidade de entrega, de trabalho, capacidade de organização política. É claro que nós vamos continuar de qualquer forma o diálogo para que essa união realmente aconteça”, afirmou o presidente nacional da União Brasil.

Cenário goiano

Em Goiás, União Brasil e MDB devem estar na mesma chapa. Caiado disputará a reeleição, com o presidente do diretório emedebista no estado, Daniel Vilela, como pré-candidato a vice. Marconi, por outro lado, ainda não sabe se tentará voltar ao Palácio das Esmeraldas. Ele pode, ainda, concorrer a uma cadeira de senador ou deputado federal. A única certeza é a de que estará na oposição.

Conforme apurado pelo jornal O Hoje, pessoas próximas ao ex-governador tucano avaliam que ele é “um homem de partido” e “não quer ser um obstáculo”. Segundo disse uma fonte à reportagem, “o jogo está mudando” e talvez seja necessário “reavaliar”. De qualquer forma, a defesa do legado do PSDB em Goiás continua prioritária.

Vislumbrar Caiado e Marconi em um mesmo palanque, porém, é uma possibilidade tida como 101% inviável. Se o PSDB tiver um candidato a presidente com apoio da União Brasil, o governador tende a ficar neutro, assim como ocorreu nas eleições de 2018.

Caso Tebet seja o nome do MDB para concorrer ao Palácio do Planalto, respaldada pelo PSDB, especula-se que o ex-governador possa apoiá-la. Nesse cenário, também aumentam as chances de Caiado estar com a emedebista já no primeiro turno devido à sintonia com Daniel no plano estadual, mas longe de Marconi. 

Palacianos argumentam que o governador, apesar de ser uma das vozes mais influentes em seu partido, não tem interesse, por enquanto, em se envolver com assuntos nacionais, uma vez que está mais preocupado com questões administrativas. Em relação a uma possível aliança entre União Brasil e PSDB para presidente, seus aliados se mantêm céticos e consideram baixas as probabilidades.

Já Daniel, por sua vez, tem Tebet, sua correligionária, como prioridade. O presidente do MDB goiano, dado o histórico de rivalidade entre seu partido e o PSDB em Goiás, teria dificuldades em votar em Doria e, portanto, evitaria se posicionar na circunstância de o governador de São Paulo ser o nome de consenso.

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