Após duas eleições pelo PSOL, Fabrício Rosa troca partido pelo PT de olho em vaga na Assembleia

Postado em: 31-03-2022 às 18h38
Por: Augusto Diniz
Pré-candidato a deputado estadual afirmou ao O Hoje ter escolhido o partido dos trabalhadores por ser a legenda que hoje conta com o melhor projeto para o País | Foto: Divulgação

O policial rodoviário federal Fabrício Rosa, de 42 anos, ficou conhecido nas eleições de 2018 e 2020 por concorrer a cargos eletivos pelo PSOL. Na noite desta quinta-feira (31/3), em evento marcado para começar às 18 horas na sede do Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Único de Saúde de Goiás (Sindsaúde), no Jardim Santo Antônio, em Goiânia, o ativista de direitos humanos e da causa LGBTQIA+ oficializa sua filiação ao PT depois de 7 anos no PSOL.

Fabrício Rosa chega ao Partido dos Trabalhadores como pré-candidato a deputado estadual. Em 2022, a pedido do diretório nacional do PT, a deputada estadual Adriana Accorsi irá disputar vaga de deputada federal. Com isso, o campo está aberto para quem outro nome da sigla tente assumir a cadeira que será deixada pela delegada licenciada da Polícia Civil.

Sobre a mudança de partido, Rosa afirmou ao jornal O Hoje que é necessário haver uma união das esquerdas para enfrentar os retrocessos que assistimos ocorrer no Brasil nos últimos 3 anos e 3 meses com a gestão Jair Bolsonaro (PL). “Hoje o PSOL se divide entre uma ala que quer lançar candidatura própria a presidente e outra que pretende fazer um apoio crítico ao [ex-presidente Luiz Inácio] Lula [da Silva]. É preciso ter responsabilidade da tentativa de reconstrução que precisa ser feita no País.”

Para o pré-candidato a deputado estadual, o apoio ao Lula vindo de outros setores da sociedade e partidos é bem-vindo. “O PT tem de ter coerência, tem de apresentar um programa à esquerda. Os aliados têm de se aliar a esse projeto. E ainda acredito no projeto político do PT como o melhor que está colocado hoje”, observa Rosa.

Atuação política

Além de integrar a Polícia Rodoviária Federal (PRF-GO), Fabrício Rosa é professor, doutorando em direitos humanos pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e coordenador nacional do movimento Policiais Antifacismo e da Rede Nacional de Operadores de Segurança Pública LGBTQIA+ (Renosp-LGBT). O pré-candidato a deputado estadual é um dos organizadores da Parada LGBQIA+ de Goiânia e também da Marcha da Maconha na capital goiana.

Em entrevista ao O Hoje, Rosa lembrou de sua orientação sexual e destacou a atuação no campo social: “Eu trabalho há muitos anos com populações vulneráveis. Sou gay, antipunitivista e antiarmamentista”. “Nos últimos três anos, vimos o ódio subir ao palco do poder, dominar a esfera pública e apresentar um projeto de antipolítica. A população está mais armada, adoecida, passando fome. Tudo está mais caro, as pessoas sem perspectiva de saúde e educação.”

Para o recém-chegado ao PT, a crise pela qual passa o Brasil “é política, ética e moral”. “Acredito que só uma forte aliança democrática de esquerda pode nos tirar desse abismo.” Ao falar de sua pré-candidatura, Rosa defende que pode colaborar para transformar a Assembleia Legislativa goiana em um espaço menos conservador. “Venho me preparando há bastante tempo”, diz o novo petista.

Fabrício Rosa lembra que o parlamento goiano só conta com duas mulheres – Adriana Accorsi e Leda Borges (PSDB). “Verificamos cotidianamente cenas homofóbicas e contra valores que precisamos equilibrar na Assembleia. Há muita beleza e cultura no Estado. Acredito que por meio da federação [PT, PV e PCdoB] que está para se formar teremos condições de começar a mudar esse cenário”, pontuou.

Eleições anteriores

Em 2018, Fabrício Rosa recebeu 45.833 votos e ficou na nona posição para o cargo de senador. No ano de 2020, concorreu, ainda pelo PSOL, a uma vaga na Câmara de Goiânia. Ficou em 14º lugar para vereador com 4.299 votos, mas o partido não atingiu o cociente eleitoral. O PSOL, no somatório dos votos de todos os candidatos a vereador em Goiânia há dois anos, chegou a 10.701 votos, ficando apenas na 24ª posição entre as legendas.

Fabrício Rosa diz que não vai chegar hoje sozinho a PT. No convite para o ato de filiação ao Partido dos Trabalhadores, o texto afirma que “a estimativa é de filiação em massa durante o evento” pela ligação do pré-candidato a deputado estadual com diversos coletivos e movimentos sociais.

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