Daniel Vilela usa aliança com Caiado para fortalecer MDB

Postado em: 02-04-2022 às 08h25
Por: Raphael Bezerra
Com o MDB enfraquecido pela perda das principais lideranças e o racha entre ter ou não candidato próprio, Daniel ficará em dívida com Caiado | Foto: reprodução

O racha mais significativo no MDB, desde 2018, começou a partir do movimento de Gustavo Mendanha para lançar uma candidatura própria na disputa pelo Palácio das Esmeraldas em outubro. O agora ex-prefeito de Aparecida de Goiânia insistia para que o presidente da legenda no estado, Daniel Vilela, que já tinha disputado o governo em 2018, fosse o nome para enfrentar Ronaldo Caiado (União Brasil) mais uma vez. Os argumentos dos aliados de Mendanha era que, pela importância e história do MDB em Goiás, que nunca deixou de ter protagonismo nas eleições majoritárias para o governo, era que o partido tinha potencial para chegar a um segundo turno citando inclusive o legado de Iris Rezende e Maguito Vilela. O herdeiro político dos Vilelas, no entanto, tinha uma outra estratégia: uma aliança com Caiado. 

Daniel advogava a tese de que o partido estava muito fragilizado para enfrentar uma candidatura majoritária contra o atual governador. A partir desse momento, cresceu o racha interno na legenda, tendo Mendanha resistido aos propósitos do presidente do partido. A primeira fissura começou em 2018, quando algumas das principais lideranças do partido foram contra a ideia de candidatura de Daniel Vilela e pularam no barco de Caiado. Esse movimento, inclusive, terminou na expulsão de Adib Elias, Paulo do Vale, Ernesto Roller, José Nelto, juntamente com  vários prefeitos.

Dividido e enfraquecido politicamente, cenário que se agravou com a perda da prefeitura de Goiânia para o vice-prefeito Rogério Cruz (Republicanos)  após a morte de Maguito Vilela, Daniel se aproximou de Caiado. Percebendo essa fragilidade, Mendanha intensificou a campanha para que o partido tivesse candidato próprio. Sempre apontando para Daniel como o principal adversário do atual governo, porém. 

A morte da maior liderança política de Goiás, Iris Rezende, acabou com qualquer intenção de disputar uma eleição majoritária como cabeça de chapa nestas eleições.

Houve resistências dos emedebistas que apoiaram Caiado e foram expulsos da legenda em 2019 após a eleição para aceitar a antecipação e a escolha de Daniel como candidato a vice-governador na chapa do atual governador. Além disso, outras lideranças de peso, como o presidente da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), Lissauer Vieira (PSD), e do ex-prefeito de Goianésia Renato de Castro, que assumiu o comando de uma secretaria na gestão caiadista.

Mas graças a intervenção de Caiado junto aos partidos da sua base e dos dissidentes, o MDB se empoderou novamente com a filiação de deputados estaduais e federais, além de secretários da gestão caiadista. A partir de agora, o MDB tem a segunda maior bancada da Alego, graças a essa aliança que o governador ajudou a fortalecer, isolando a principal voz crítica ao governador, Gustavo Mendanha. Todos os movimentos de Mendanha foram abortados com a costura política de Caiado que aderiu, praticamente, todas as legendas que o agora ex-prefeito tentou se filiar.

O reflexo dessa união gerou ciúmes em diversas legendas da base do governador, especialmente no PSD, comandado em Goiás por Vilmar Rocha. A indecisão de Henrique Meirelles em ser ou não candidato enfraqueceu a legenda que perdeu diversos deputados estaduais e federais que migraram para o União Brasil ou o próprio MDB. 

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