Idosa resgatada de trabalho análogo à escravidão chora ao tocar em repórter branca

Dona Madalena se emocionou e disse achar feio sua mão, negra, sobreposta a uma branca; o caso aconteceu na Bahia

Postado em: 29-04-2022 às 10h28
Por: Jennifer Neves
Dona Madalena se emocionou e disse achar feio sua mão, negra, sobreposta a uma branca; o caso aconteceu na Bahia | Foto: Reprodução

Madalena Santiago da Silva, de 62 anos, foi resgatada de um trabalho análogo à escravidão, na Bahia e caiu nas lágrimas durante uma reportagem da TV Bahia. A mulher que é negra, ficou emocionada ao tocar na repórter Adriana Oliveira,que é branca.

Durante a matéria, Madalena disse à jornalista: “”Fico com receio de pegar na sua mão branca”. A repórter, sensibilizada, estendeu as mãos para a mulher. “Mas por quê? Tem medo de que?”.

Na sequência, ela disse que achava feio colocar as mãos por cima de uma mão branca. “Porque ver a sua mão branca. Eu pego e boto a minha em cima da sua e acho feio isso”, explicou.

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Adriana Oliveira abraçou a idosa e disse que ambas tinham direitos iguais independente da questão racial. “Sua mão é linda, sua cor é linda. Olhe para mim, aqui não tem diferença. O tom é diferente, mas você é mulher, eu sou mulher. Os mesmos direitos e o mesmo respeito que todo mundo tem comigo, tem que ter com você”, destacou a jornalista.

Madalena Santiago foi resgatada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), em março do ano passado, após trabalhar 54 dos 62 anos de idade sem receber salários. Nesse período, ela contou que conviveu com maus-tratos, e que a filha dos patrões fez empréstimos no nome dela e ficou com R$ 20 mil da aposentadoria dela.

“Eu estava sentada na sala, ela passou assim com uma bacia com água e disse que ia jogar na minha cara. Aí eu disse: ‘Você pode jogar, mas não vai ficar por isso’. Aí ela disse: ‘Sua negra desgraçada, vai embora agora’, disse Madalena.“Era um sábado, 21h, chovendo e eu não sabia para onde ir”, concluiu.

Atualmente, Madalena da Silva recebe seguro desemprego e um salário mínimo da ação cautelar do MPT. A pena para quem submete trabalhadores à situação análoga à escravidão é de 2 a 8 anos de reclusão. No entanto, até o momento nenhum empregador “sujo” ficou preso na Bahia. O procurador-chefe do MPT afirma que há esperança que a punição ocorra no mesmo ritmo de crescimento de trabalhadores resgatados. Em 2021, o número cresceu 168% em relação à 2020.

Com informações G1

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