“Tirou de si para me dar”, diz filho em homenagem à mãe gari durante fotos de formatura; veja como ficou

“Ver o filho formado é o sonho de qualquer mãe, ainda mais quando trabalhamos debaixo do sol e chuva para conseguir ajudar a comprar livros, cadernos”, comenta a mãe

Postado em: 18-07-2022 às 07h56
Por: Rodrigo Melo
“Ver o filho formado é o sonho de qualquer mãe, ainda mais quando trabalhamos debaixo do sol e chuva para conseguir ajudar a comprar livros, cadernos”, comenta a mãe | Foto: Divulgação

Vestido com beca de formatura e boné de gari, o futuro enfermeiro Kawê Guilhermy Andrade, de 23 anos, chamou atenção nas redes sociais com as fotos que fez para o ensaio de formatura. Kawê fez uma homenagem à mãe, Andréa dos Santos Andrade, de 43 anos, trabalhadora da limpeza pública da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg). “Sou filho de uma gari que muitas vezes tirou de si para me dar”, afirmou o rapaz, na legenda das fotos.

Kawê substituiu o capelo de formatura pelo boné laranja, utilizado pela mãe gari no trabalho diário. “O meu esforço não chega nem aos pés do que ela passa todos os dias. Hoje tenho orgulho em colocar esse boné e dizer que sim, sou filho de uma gari”, disse o rapaz. A postagem foi feita pelas redes sociais do jovem, e recebeu mensagens de carinho. A solenidade de formatura acontece em agosto, e ele pretende repetir o gesto.

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A gari Andréa conta que concilia a rotina da varrição das ruas da cidade com os cuidados com a casa e os filhos. Sem ter tido oportunidade de estudar na juventude, ela foi a maior incentivadora do filho, durante toda a vida escolar. Ela lembra que o filho sempre estudou em escola pública, e que foi aprovado no vestibular da FacUnicamps com uma bolsa de 100%, por meio do ProUni (Programa Universidade Para Todos).

“Ver o filho formado é o sonho de qualquer mãe, ainda mais quando trabalhamos debaixo do sol e chuva para conseguir ajudar a comprar livros, cadernos, e ainda não deixar faltar mantimento em casa”, comenta Andréa.

O filho comemora a vitória e afirma que falta respeito da sociedade com os garis. “Muitas vezes ouço desabafos dela [Andréa] se sentindo invisível aos olhos da sociedade, de ser considerada “catadora de lixo”. São situações bem humilhantes e que ninguém gostaria de passar, eu só quero mostrar que tenho orgulho de tudo que ela faz”, conta.

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