sexta-feira, 21 de agosto de 2026
Proposta

Agro pela Democracia encara com “preocupação” taxação do setor em Goiás

Movimento, encabeçado por importantes lideranças do setor, se posicionou sobre projeto de lei assinado pelo governador Ronaldo Caiado e já protocolado no Legislativo

Felipe Cardosopor Felipe Cardoso em

O movimento Agro pela Democracia encabeçado por grandes lideranças do setor divulgou, na tarde da última sexta-feira (11/11), uma nota à imprensa para demonstrar sua “preocupação” em relação ao projeto de lei de iniciativa do governador Ronaldo Caiado (UB) que “oneram o setor agropecuário”. 

No documento, os agropecuaristas argumentam que o projeto traz em seu bojo, sob o manto de uma alegada facultatividade, uma condição que basicamente obriga o produtor rural a aderir compulsoriamente ao modelo que o Governo de Goiás quer instituir, “sob pena de perder benefícios fiscais que desoneram o setor” e de não poder usufruir de regimes especiais que privilegiam o seu fluxo de caixa.

“Na Argentina há um consenso de que os direitos de exportação – as “retenciones” – tiveram importante parcela de culpa na deterioração ao longo dos últimos vinte anos do ambiente de negócios, impactando negativamente não só a agropecuária, com a perda de mercados e a redução significativa de investimentos no setor, mas toda a economia daquele país”, argumenta. 

Em outro trecho do documento, o movimento Agro pela Democracia diz entender que a defesa do setor rural deve ser despida de vieses ideológicos e acredita que, se assim não for feito, a atenção continuará a ser desviada de temas importantes, como, por exemplo, o do potencial boicote de empresas de países importadores às exportações de parte da produção de grãos do Cerrado. 

“Por acreditar na força do diálogo e no poder da representação institucional, o movimento jamais fechará as portas para o estabelecimento de canais de comunicação com as autoridades governamentais competentes, sempre que os temas envolverem os interesses do setor rural”, acrescentou.

E continuou: “as centenas de milhares de produtores rurais que se dedicam à agricultura familiar – em quase cem mil estabelecimentos agropecuários – e toda uma cadeia que gira em torno da agricultura comercial e de outras atividades ligadas ao setor rural, com toda a certeza anseiam por uma representação institucional alicerçada nos mais altos valores democráticos e que ajude a colocar o estado na vanguarda do agronegócio responsável no Brasil, mediante práticas ambientais sustentáveis, mais investimento em ciência, tecnologia, inovação e maior rastreabilidade e conectividade no campo”.

Trâmite 

Conforme mostrado pelo jornal O HOJE, o governador Ronaldo Caiado enviou para apreciação dos deputados, na manhã da última quinta-feira, 10, o projeto de lei que cria uma espécie de “contribuição agropecuária” em Goiás. Na prática, o texto acarretará na taxação de produtos ligados ao setor. O dinheiro arrecadado será destinado a um fundo de investimento em infraestrutura. O assunto que já movimentava os corredores da Alego na noite de quarta, foi potencializado a partir da chegada formal da matéria ao Parlamento. 

O texto foi protocolado na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) a partir do sinal verde do líder do governo, deputado Bruno Peixoto (UB). Antes, porém, a sessão de ontem precisou ser suspensa por 10 minutos. Nos bastidores, a informação é que Bruno Peixoto fez contato, nesse intervalo, com o presidente da Casa, Lissauer Vieira (PSD), para garantir que a matéria não seria obstruída. 

Isso porque Lissauer se posicionou na noite de quarta “totalmente contrário” à iniciativa. Em nota à imprensa, Vieira lembrou que sempre esteve ao lado do governo nas ações que visavam o reequilíbrio fiscal. E acrescentou, contudo: “Enfrentamos momentos difíceis, mas não me titubeei nos meus princípios. Por isso, acredito que existem outras formas de equilibrarmos as contas públicas para compensar a queda do ICMS sem prejudicar as pessoas que empreendem e trabalham num setor vital para a nossa economia”.

Na ponta

A reportagem conversou com um produtor da região sudeste do Estado. Ele, que preferiu não se identificar, não hesitou em avaliar que o governador tem se comportado como “Doria de Goiás”. “Aqui nos grupos do agronegócio, o assunto em pauta é esse. Todos estão decepcionados com o Caiado. O agro o apoiou em seu projeto de reeleição justamente porque ele tinha dito que não criaria esse imposto. Ele tem se mostrado um traidor. Assim como fez com o presidente [Jair Bolsonaro], agora tem feito com a classe que o transformou em quem ele é”. Segundo o produtor, o 1.6% de taxação do setor representará, “no atual cenário, onde os custos estão elevadíssimos”, aproximadamente 10% do valor líquido levantado pelos trabalhadores. 

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