quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Suspenso

Ministro do STF mantém suspensão de emendas Pix ao Orçamento

Decisão foi motivada por ação protocolada pela PGR

Tathyane Melopor em
Ministro do STF mantém suspensão de emendas Pix ao Orçamento
Decisão foi motivada por ação protocolada pela PGR | Foto: Fabio Rodrigues Pozzeborn

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta quinta-feira (8), em Brasília, manter a suspensão das chamadas “emendas Pix” ao Orçamento da União, atendendo a uma ação protocolada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet.

A decisão, no entanto, permite que a execução dessas emendas continue em casos específicos, como obras em andamento e situações de calamidade pública, desde que sejam atendidos critérios rigorosos de transparência e rastreabilidade dos recursos.

Na decisão, o ministro Flávio Dino enfatizou a importância de garantir que a aplicação das emendas parlamentares respeite os princípios constitucionais de controle e fiscalização. Ele argumentou que, se os parlamentares têm a prerrogativa de decidir onde o dinheiro público será aplicado, é imprescindível que o processo seja acompanhado por mecanismos de controle eficientes e transparentes.

“Se é o parlamentar que impõe em que o dinheiro será gasto, exige-se, caso mantido o instituto na Constituição, inovações simétricas nos sistemas de controle, a fim de que a Constituição seja cumprida. Se assim não ocorrer, teremos um perigoso e inconstitucional jogo de empurra, em que, ao certo, ninguém se identifica como responsável pela aplicação de parcela relevante do dinheiro público”, afirmou o ministro.

Contexto e criação das “Emendas Pix”

As “emendas Pix” foram criadas em 2019, por meio da Emenda Constitucional 105, permitindo que deputados e senadores destinem emendas individuais ao orçamento da União através de transferências especiais. A principal característica dessas emendas é que os repasses não exigem a indicação de programas específicos ou a celebração de convênios, o que, segundo críticos, enfraquece a transparência e o controle sobre o uso dos recursos públicos.

Para a Procuradoria-Geral da República, a flexibilização proporcionada pelas “emendas Pix” representa uma ameaça à fiscalização eficiente do dinheiro público. A Emenda Constitucional 105, que originou esse tipo de repasse, retira parte da competência do Tribunal de Contas da União (TCU) para fiscalizar os recursos, além de reduzir a possibilidade de garantir a transparência e a rastreabilidade dos fundos transferidos.

Impacto financeiro e preocupações

Em 2023, deputados e senadores destinaram cerca de R$ 6,7 bilhões em “emendas Pix”, segundo dados da Associação Contas Abertas. Esse volume de recursos, somado à falta de mecanismos claros de controle e fiscalização, gerou preocupações tanto em órgãos de controle quanto na sociedade civil.

A primeira manifestação do ministro Flávio Dino sobre o tema ocorreu em 1º de agosto deste ano, quando ele determinou que as “emendas Pix” deveriam seguir critérios rígidos de transparência e rastreabilidade. Naquela ocasião, o ministro também ordenou que a Controladoria-Geral da União (CGU) realizasse uma auditoria detalhada nos repasses efetuados, com um prazo de 90 dias para a conclusão do levantamento.

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Flávio Dino gastos Orçamento pix STF

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