sexta-feira, 16 de outubro de 2026
Eleições 2026

Em eventual 2º turno, Caiado perderia para Lula, diz pesquisa 

Além de enfrentar os desafios internos, a polarização deve ser um dos empecilhos da candidatura do goiano à presidência, visto que viabilizar uma terceira via não seria fácil 

Raunner Vinicius Soarespor em
Ronaldo Caiado (União Brasil)
Foto: Agência Brasil

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), neste momento, não teria fôlego para disputar o segundo turno com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), diz o Paraná Pesquisa. Os dados divulgados nesta terça-feira (24) apontam que o pré-candidato à presidência da República teria 33% das intenções dos votos. Já o seu concorrente à esquerda teria 41,4%. Para compreender as dificuldades do gestor estadual na sua caminhado ao Planalto, o Jornal O Hoje entrevistou dois cientistas políticos que apresentaram panoramas diferentes sobre o assunto.  

Para Lehninger Mota, a maior dificuldade que Caiado enfrenta é ser conhecido. “Durante o período eleitoral, nos 45 dias, não há tempo hábil para você se tornar conhecido e pleitear o voto, porque as pessoas vão para o voto útil por conta da grande polarização que temos hoje no Brasil. Temos candidatos que já estão em campanha há muito tempo, que já são bem conhecidos — como o Ciro Gomes, que, na eleição passada, ficou bem abaixo do esperado justamente por causa da polarização”, explicou. 

Sem espaço 

“Hoje, não há espaço para uma terceira via. Pelo menos, até o momento, o que a gente enxerga é um cenário com apoiadores do presidente Lula e do Bolsonaro. E, caso Bolsonaro não seja o candidato — o que é muito provável, já que está inelegível e pode até ser condenado à prisão —, ele vai enfrentar dificuldades para se candidatar. Então, provavelmente, ele terá que lançar outro nome e, desde já, trabalhar uma estratégia para deixar claro quem é o seu candidato, antes mesmo de qualquer eventual prisão”, afirmou Lehninger. 

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O cientista apontou que para o Caiado, a dificuldade é justamente essa: tentar viabilizar uma terceira via em um Brasil altamente polarizado, apresentando um projeto alternativo. “Hoje, o partido dele, o União Brasil, caminha para uma aliança com o PP — uma aliança forte, com muitos políticos de centro ou centro-direita, com bom tempo de televisão e um fundo eleitoral considerável. Mas, mesmo assim, a polarização impede que uma terceira via se fortaleça”, disse. 

Estratégia 

“Qual seria o caminho para que o Caiado se tornasse conhecido rapidamente e tivesse condições de apresentar suas ideias de forma competitiva? Ser o candidato do Bolsonaro. Esse seria o cenário em que ele teria chances reais de vitória. Fora isso, a dificuldade é enorme”, afirmou.  

Visão mais pessimista 

Lehninger ainda salientou que se a eleição for entre Bolsonaro (ou seu candidato) e Lula, não haverá espaço competitivo para uma terceira via. “É claro que, se Bolsonaro não concorrer, e Lula for o nome, o Caiado pode até aparecer com alguma pontuação. Mas, se Bolsonaro indicar outro nome que não seja ele, o Caiado enfrentará obstáculos imensos para viabilizar sua candidatura. Mesmo manter o apoio do próprio partido seria difícil, porque ele não chegaria nem a dois dígitos nas pesquisas. Por isso, hoje, a única forma viável de o Caiado ser candidato à presidência é se ele for o nome apoiado por Bolsonaro e pelo bolsonarismo”, completou. 

Outra visão  

Para a cientista política Rejaine Pessoa, um dos maiores desafios para Caiado viabilizar sua candidatura à Presidência é se tornar conhecido nacionalmente. “Ele mesmo tem consciência disso. O governador foi muito bem avaliado recentemente — 84% de aprovação em Goiás — e é bastante conhecido e aceito no estado. No entanto, ainda falta reconhecimento no restante do país. Como sabemos, Goiás ocupa a 12ª posição no Colégio Eleitoral, ou seja, não é um colégio tão significativo quanto Minas ou São Paulo. Esse é o primeiro obstáculo que ele enfrenta”, explicou. 

Outro desafio, segundo Rejaine, está dentro da própria divisão interna do partido, o União Brasil. Segundo ela, sabe-se que há uma ala próxima do governo federal atual, que inclusive trabalha para pleitear até uma possível vice de Lula no próximo pleito.  

“Essa divisão interna dificulta as articulações do governador dentro do próprio partido. Embora seja bem avaliado em Goiás, Caiado encontra dificuldades em projetar-se nacionalmente. Ele precisa levar sua proposta de segurança pública para o debate nacional. Esse tem sido seu principal destaque como governador — a redução dos índices de violência. Mas essa pauta precisa ser apresentada, compreendida e aceita no plano nacional”, argumentou a especialista. 

Panorama mais otimista 

A especialista afirmou que a pesquisa atual (do Instituto Paraná Pesquisa) mostra que, em todos os cenários, o presidente Lula aparece com 40% das intenções de voto, dentro da margem de erro. “Isso significa que ele não oscilou, independentemente de quem seja o adversário. E isso é ruim para ele. Já o governador Ronaldo Caiado, em pesquisa recente — embora realizada por outro instituto, mas com o mesmo formato e amostra — apresentou crescimento. Antes, ele aparecia com 30% e agora já subiu três pontos percentuais. Isso é muito bom e mostra que o tempo está a favor de um e contra o outro”, disse. 

“Ronaldo Caiado deverá deixar o governo para concorrer à Presidência e, com isso, tende a aumentar sua popularidade. Enquanto isso, para o outro, o tempo só permite o acúmulo de desgastes, o que pode reduzir sua intenção de voto e seu favoritismo na corrida presidencial”, afirmou. 

Ser mais conhecido 

A cientista política apontou que percebe que o governador tem se empenhado bastante para se tornar mais conhecido. “Ele tem percorrido o Brasil — inclusive até fora do país — cumprindo agendas externas, participando de palestras, eventos e encontros políticos com o intuito de ser visto e lembrado por todos. Recentemente, ele se reaproximou do ex-presidente Jair Bolsonaro. Inclusive, Bolsonaro esteve em Goiânia neste feriado, onde os dois conversaram bastante. Esses são fatores que demonstram estratégias e movimentos para mudar o atual cenário e fortalecer sua posição na campanha”, revelou. “O governo Lula, por sua vez, tem enfrentado desgastes sucessivos, o que vem prejudicando sua aprovação”, completou. 

Histórico 

“Um fator interessante é que a maioria dos outros candidatos tem um legado vinculado ou se apoia no bolsonarismo. O governador de Goiás é diferente: quando Bolsonaro chegou, ele já estava. Ele já tinha uma carreira consolidada, já representava a direita antes mesmo de Bolsonaro surgir no cenário nacional. Já foi, inclusive, candidato à Presidência. Ou seja, ele tem um histórico, um currículo político próprio e uma atuação nacional coerente dentro do campo da direita, com posições firmes e contundentes — o que o diferencia de Bolsonaro e de seus herdeiros políticos”, finalizou. (Especial para O Hoje)

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