segunda-feira, 24 de agosto de 2026
Disputa de interesses

Medidas para reduzir impacto do tarifaço colocam Lula e Caiado em rota de colisão

Governo federal e estadual parecem tentar mostrar quem faz mais por produtores rurais, enquanto deputados querem fim da cobrança da Taxa do Agro

Marina Moreirapor Marina Moreira em
Medidas para reduzir impacto do tarifaço colocam Lula e Caiado em rota de colisão
Caiado em discurso no AgroFórum 2025, em São Paulo - Créditos: Romullo Carvalho/Secom

O agronegócio goiano enfrenta momentos de tensão e, ao mesmo tempo, de desenvolvimento. Por um lado, críticas são levantadas em torno do Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra), a chamada Taxa do Agro. Por outro, o governo federal anuncia R$ 516,2 bilhões para impulsionar o setor. A gestão estadual de Goiás entregou, na última terça-feira (12), benefícios do Agro é Social em Rio Verde para promover o desenvolvimento da comunidade rural e diminuir os impactos do tarifaço de 50% do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros. 

Assim, percebe-se que muitas são as pautas relacionadas ao campo, porém, merecem atenção as críticas relativas à chamada Taxa do Agro, que apontam que a cobrança pode gerar problemas de competitividade entre os produtores e afetar o mercado goiano, principalmente com os impactos derivados da taxação de 50% feita pelos EUA sobre os produtos brasileiros, como carne bovina, carne suína, aves, filé de tilápia, mel e itens da agricultura familiar. 

Acesse também: Proteção de crianças nas redes pode travar pautas de interesse de Lula na Câmara

“A melhor resposta é fortalecer internamente quem produz, seja o grande ou seja o pequeno produtor. Ao diminuir a carga tributária local, nós aumentamos a competitividade e preservamos o que tem de mais sagrado, que é a questão do emprego”, diz o deputado estadual Antônio Gomide (PT). 

Cabe destacar que, se comparadas, as medidas tomadas pelo governo federal que visam auxiliar o produtor rural tendem a se sobrepor às ações do Estado de Goiás, tendo em vista o montante bilionário destinado ao agronegócio brasileiro por meio do Plano Safra 2025/2026. O Plano Safra da Agricultura Empresarial realiza operações de custeio, comercialização e investimento destinadas aos médios e grandes produtores rurais. As condições variam de acordo com o perfil do beneficiário e o programa acessado. 

Já a última ação do governo de Ronaldo Caiado (UB) para beneficiar o agro possui o objetivo de fortalecer o campo e dar suporte ao pequeno produtor. “Àquelas pessoas que vivem em vulnerabilidade, damos Crédito Social de até R$ 5 mil para que possam produzir”, disse a primeira-dama Gracinha Caiado na 15ª edição do Agro é Social, em Rio Verde. Em contrapartida, há quem critique as políticas estaduais ligadas ao setor, como é o caso do deputado Eduardo Prado (PL). Na última terça-feira (12), Prado reforçou a solicitação ao chefe do Executivo goiano para que suspenda a cobrança da Taxa do Agro. 

Ato inconstitucional

Para Prado, o fato de o fundo ser gerido pelo Instituto para Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag) não é algo positivo, pois, segundo o deputado, o instituto comanda ilegalmente os recursos alocados para o setor. “É um absurdo, um instituto criado para gerir bilhões de reais, rasgando a Constituição Federal, que reza, no artigo 37, sobre o princípio da impessoalidade e a Lei de Contrato e Licitações em Goiás. Estamos cobrando da Procuradoria-Geral da República (PGR) uma posição acerca da inconstitucionalidade dessa lei, desse recurso e quem o comanda. O governador sacrifica o agronegócio”, observa Eduardo Prado. 

Ao O HOJE, um interlocutor do governo Caiado alega que quem paga a Taxa do Agro solicita que a cobrança continue a ser feita. “Até quem paga pede para que a taxa seja cobrada.” Sobre as críticas feitas por deputados, é dito que maioria não concorda com a suspensão do Fundeinfra. 

“Se o cara [deputado contrário à cobrança] apresenta um pedido que não tem respaldo até entre quem, supostamente, estaria interessado em respaldar, não tem como ser aprovado. Isso [suspensão da Taxa do Agro] é pauta morta e não adianta os deputados apresentarem solicitações sobre a suspensão, porque a maioria não vai concordar”, pontua a fonte do governo estadual ao O HOJE. (Especial para O HOJE)

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:

Veja também