quinta-feira, 20 de agosto de 2026
Trânsito

Goiânia registra mais de 6 mil motoristas flagrados sem CNH em 2025

Número de condutores irregulares na Capital é quase quatro vezes maior que no restante do Estado

Renata Ferrazpor Renata Ferraz em
Goiânia registra mais de 6 mil motoristas flagrados sem CNH em 2025
Foto: Divulgação

A condução de veículos sem Carteira Nacional de Habilitação (CNH) se tornou um problema crescente no trânsito de Goiânia. Segundo informações do Batalhão de Polícia Militar de Trânsito, 6.545 motoristas foram flagrados dirigindo sem CNH na Capital apenas neste ano, número quase quatro vezes maior que a média registrada no restante do Estado, que contabilizou 1.621 ocorrências. O dado revela uma situação preocupante, que coloca em risco a vida de condutores, passageiros e pedestres.

A carteira não é apenas um documento obrigatório, mas comprova que o condutor passou por formação teórica e prática, adquirindo habilidades essenciais para dirigir com segurança. 

Dirigir sem habilitação configura infração gravíssima, sujeita a multa de R$ 880,41, valor que considera o fator multiplicador de três vezes previsto pelo Art. 162 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) —, além da retenção do veículo até a chegada de um condutor habilitado. Em casos que envolvem risco de dano ou acidente, a pessoa pode responder criminalmente, inclusive com detenção.

Segundo o delegado Waldir, presidente do Departamento Estadual de Trânsito em Goiás (Detran-GO), “dirigir sem habilitação no Estado de Goiás é uma infração gravíssima. Quem comete esse ato coloca em risco a própria vida e a de terceiros. Além da multa, há retenção do veículo e, se houver perigo concreto ou acidente, a lei prevê detenção”.

Problema exige fiscalização e educação

O CTB define que conduzir veículo sem habilitação, com documento vencido ou cassado é infração gravíssima. As consequências incluem multa, pontos registrados no CPF do infrator, retenção do veículo e, em situações específicas, responsabilidade criminal. Por exemplo, se um condutor sem CNH provocar um acidente com vítimas, a pena pode chegar a detenção de seis meses a um ano, dependendo da gravidade do evento.

Além disso, motoristas não habilitados não recebem instrução formal sobre direção defensiva, sinalização, limites de velocidade e comportamento seguro no trânsito. Especialistas alertam que isso aumenta significativamente o risco de acidentes e coloca em risco todos os usuários das vias públicas. 

A falta de preparo técnico faz com que motoristas sem habilitação tenham maior propensão a erros. Eles não dominam técnicas de frenagem, ultrapassagem e condução segura, fatores cruciais para reduzir sinistros, explica o especialista em trânsito.

Mesmo em situações de emergência, como transportar alguém em perigo iminente para um hospital, a condução por pessoa não habilitada é considerada exceção. O Estado de Necessidade, previsto na legislação, só se aplica a casos extremos, e não cobre situações de conveniência ou fugas sem risco real e imediato à vida. Por exemplo, transportar um amigo para uma consulta médica de rotina ou retirar um veículo de um local sem autorização não configura situação permitida.

Dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) revelam que, dos 34,2 milhões de proprietários de motocicletas no Brasil, mais de 17,5 milhões não possuem habilitação na categoria, representando 53,8% do total. Este cenário demonstra que a condução sem CNH é um problema não apenas local, mas nacional. Em cidades como Goiânia, a situação se agrava devido à crescente frota de veículos e à mobilidade urbana complexa.

Além da educação, a fiscalização continua sendo fundamental. O Detran-GO e a Polícia Militar intensificam operações de abordagem em pontos estratégicos, mas especialistas defendem a implementação de programas de incentivo à regularização, facilitação no acesso à formação de condutores e integração com escolas, universidades e empresas para promover conscientização.

Mulheres ganham espaço no trânsito: crescimento de 70% nas habilitações 

O número de mulheres habilitadas no Brasil cresceu de forma expressiva nos últimos dez anos, especialmente entre as condutoras de motocicletas. Em 2015, cerca de 6 milhões de mulheres possuíam CNH para motos, enquanto em 2025 esse número saltou para 10 milhões, representando um crescimento de aproximadamente 70%. 

Esse aumento significativo demonstra não apenas uma maior participação feminina no trânsito, mas também mudanças sociais e econômicas que têm levado as mulheres a buscar mais autonomia e independência na mobilidade urbana.

O crescimento feminino se observa em todas as categorias, mas é mais intenso nas habilitações de moto (categorias A e AB). Entre 2015 e 2025, a alta nas habilitações femininas superou em muito a média de crescimento entre os homens, indicando que a busca por transporte próprio e flexível, aliado a novas oportunidades de trabalho, motivou muitas mulheres a se tornarem condutoras. 

A expansão de aplicativos de entrega e transporte individual, que exigem mobilidade rápida e flexível, também contribuiu para o aumento das habilitações femininas, tornando a condução uma alternativa profissional relevante para muitas delas.

Além da motorização, o crescimento feminino está associado a fatores culturais e sociais. Cada vez mais mulheres buscam autonomia para atividades cotidianas, como deslocamentos entre casa, trabalho e escola, e priorizam veículos que se adequem às suas rotinas. 

As motocicletas, por sua praticidade, e os carros, pela segurança e conforto, se tornaram meios de transporte essenciais. Esse fenômeno reflete também a crescente conscientização sobre a importância de obter habilitação e trafegar dentro das regras de trânsito, diferentemente da condução irregular, que ainda é observada em algumas faixas da população.

Outro dado relevante é o perfil etário das condutoras de moto. A maior concentração está entre mulheres de 31 a 40 anos, faixa etária que coincide com o auge da vida profissional e das demandas familiares, exigindo deslocamentos rápidos e eficientes. Esses números, aliados à crescente participação feminina no mercado de trabalho, evidenciam que a habilitação não é apenas uma questão de mobilidade, mas também de inclusão social e econômica.

O aumento da presença feminina no trânsito tem impactos positivos na segurança viária. Estudos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) indicam que mulheres condutoras se envolvem em menos acidentes do que os homens. 

Elas tendem a respeitar melhor os limites de velocidade, manter distância segura, usar corretamente a sinalização e evitar manobras arriscadas, fatores que contribuem para reduzir sinistros e proteger outros usuários das vias.

Além das motocicletas, o crescimento das mulheres habilitadas para veículos leves e pesados também é notável. Segundo dados da Senatran, entre 2023 e 2024, o número de condutoras profissionais aumentou de 75.771 para 98.003, consolidando uma tendência de maior presença feminina em atividades profissionais que exigem condução.

Leia mais: STF entra em fase decisiva no julgamento de Bolsonaro e aliados

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