Corretora assassinada em Caldas Novas tinha bala alojada na cabeça, diz advogado
Áudio revela pedido de silêncio feito por síndico; celular foi encontrado no esgoto do condomínio e será periciado
A corretora de imóveis Daiane Alves de Souza, assassinada em Caldas Novas, tinha um projétil alojado no crânio, conforme informou o advogado da família da vítima, Plínio César Cunha Mendonça.
Segundo o advogado, a presença do projétil foi identificada durante os trabalhos técnicos, porém somente a conclusão dos laudos poderá confirmar, de forma definitiva, as causas da morte e a dinâmica exata do crime. “Essa informação é extraoficial e procede. A polícia científica encontrou um projétil alojado no crânio dela. No entanto, os laudos periciais ainda não foram concluídos e oficialmente divulgados”, afirmou ao O Hoje.
Enquanto a perícia avança, novos elementos vieram à tona e ampliaram a repercussão do caso. Um áudio obtido no curso das investigações, e revelado pelo programa Fantástico, mostra que o síndico do condomínio onde Daiane morava pediu que moradores cessassem comentários sobre o desaparecimento da corretora em um grupo de mensagens do condomínio.
No áudio, o síndico solicita que o assunto não fosse discutido entre os moradores, alegando preocupação com boatos e exposição. O registro foi analisado pelas autoridades e passou a integrar o conjunto de informações que ajudam a reconstruir os acontecimentos anteriores à descoberta do crime.
Outro ponto relevante da investigação foi a localização de um aparelho celular na tubulação de esgoto do condomínio. O objeto foi apreendido durante os trabalhos periciais e será submetido a exames técnicos para verificar se pertence à corretora e se contém informações que ajudem a esclarecer os últimos momentos da vítima.
De acordo com a defesa, o local exato onde o celular foi encontrado foi indicado pelo próprio acusado, durante o dia em que ocorreu a perícia complementar de reconstituição do crime. A partir disso, equipes técnicas realizaram a retirada do aparelho, que agora passa por análise especializada.
Tiros no local onde a corretora esteve pela última vez
A perícia realizada no local onde a corretora Daiane Alves Sousa, de 43 anos, foi morta, em Caldas Novas, incluiu a simulação de disparos de arma de fogo para auxiliar no esclarecimento da dinâmica do crime. A informação foi confirmada pelo delegado André Barbosa à TV Anhanguera. Segundo a Polícia Civil, o procedimento busca confrontar o depoimento do investigado com dados técnico-científicos coletados no local.
O síndico do prédio onde a corretora morava, Cléber Rosa de Oliveira, e o filho dele, Maykon Douglas de Oliveira, foram presos na quarta-feira (28). Cléber é suspeito de homicídio, enquanto Maykon responde por suspeita de obstrução de justiça. A perícia ainda não foi concluída e, conforme a polícia, não há confirmação oficial sobre a quantidade de disparos nem sobre a forma como a vítima foi morta.
“A ideia é verificar se o depoimento que ele deu é plausível por meio de comprovação através de perícias técnico-científicas. Esclarecer e tranquilizar a todos que serão feitos disparos de arma de fogo”, afirmou o delegado. Ele acrescentou que detalhes sobre a dinâmica do crime não seriam divulgados naquele momento. “A dinâmica do crime, e como tudo isso aconteceu, não vai ser trazido agora por esse comunicado”, disse.
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