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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
Momento de atenção

Juros altos e endividamento colocam varejo goiano em alerta no início de 2026

Inadimplência em Goiás cresce 8,1% em um ano e pressiona renda das famílias, segundo SPC Brasil

Renata Ferrazpor Renata Ferraz em 2 de fevereiro de 2026
Varejo
Setores como moda, bens duráveis e serviços devem sentir mais intensamente os efeitos da desaceleração econômica no estado - Foto:Divulgação/Sindilojas-GO

O comércio em varejo em Goiás iniciou o ano sob um clima de cautela. Passadas as primeiras semanas de 2026, empresários do setor observam um consumidor mais seletivo, pressionado por juros ainda elevados e por um alto grau de endividamento das famílias. A avaliação é do Sindicato do Comércio Varejista no Estado de Goiás (Sindilojas-GO), que projeta um período de adaptação e prudência diante de um cenário econômico que limita o poder de compra e freia o ritmo das vendas.

As análises econômicas indicam desaceleração do consumo ao longo do ano, reflexo direto da combinação entre crédito caro, renda comprometida e incertezas fiscais. Para o varejo, o momento exige planejamento estratégico, controle de custos e foco em inovação para enfrentar um ambiente menos favorável ao consumo espontâneo.

As projeções do mercado reforçam o clima de atenção. De acordo com o Boletim Focus, do Banco Central, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve crescer apenas 1,78% em 2026, abaixo dos 2,16% estimados para 2025. Embora exista expectativa de flexibilização gradual da política monetária, analistas projetam a taxa básica de juros, a Selic, em torno de 12% ao final do ano, um patamar ainda considerado elevado para estimular o consumo.

Para o Sindilojas-GO, os juros nesse nível mantêm o crédito caro tanto para o consumidor quanto para o empresário. Compras de maior valor tendem a ser adiadas, enquanto o capital de giro das empresas fica pressionado, reduzindo investimentos, contratações e expansão dos negócios. O impacto direto é sentido no faturamento do varejo, especialmente em segmentos mais dependentes de financiamento.

Consumidor deve gastar menos nas compras em 2026 no varejo e no atacado

Outro fator que reforça a cautela é o comprometimento da renda das famílias goianas. Dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) apontam que Goiás registrou aumento de 8,10% no número de inadimplentes em novembro de 2025, na comparação com o mesmo período do ano anterior. 

Atualmente, mais de 2,6 milhões de goianos enfrentam algum grau de inadimplência, impulsionados principalmente por dívidas com cartão de crédito, empréstimos pessoais e custos fixos elevados.

No cenário nacional, mais de 76 milhões de brasileiros seguem endividados, o que reduz significativamente a capacidade de consumo. Mesmo medidas de estímulo à renda tendem a ter efeito limitado. 

Projeções do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) indicam que a reforma do Imposto de Renda, com isenção para salários de até R$ 5 mil e redução de alíquotas para rendas até R$ 7.350, pode injetar cerca de R$ 27 bilhões anuais na economia. No entanto, a expectativa é que grande parte desse valor seja direcionada ao pagamento de dívidas, e não ao aumento do consumo.

Juros altos e alto grau de endividamento pressiona a renda das famílias

Para o presidente do Sindilojas-GO, José Reginaldo Garcia, o momento exige atenção redobrada. “Os indicadores mostram uma economia em ritmo moderado, com crédito ainda caro e o consumidor altamente endividado. A palavra-chave é cautela. O varejo precisa se adaptar, investir em estratégias diferenciadas e aguardar um ambiente macroeconômico mais favorável”, avalia.

Segundo o sindicato, o comportamento do consumidor deve permanecer conservador ao longo de 2026, resultando na redução do valor médio das compras. Segmentos como moda, bens duráveis e serviços devem enfrentar concorrência mais intensa e margens de lucro mais apertadas. Além disso, os juros elevados também freiam investimentos tanto no varejo quanto na indústria em Goiás, limitando o crescimento do setor.

Diante desse cenário, o Sindilojas-GO defende a necessidade de estabilidade macroeconômica e responsabilidade fiscal. “A perda de controle das contas públicas pode pressionar a inflação e atrasar a queda dos juros, comprometendo a confiança do investidor e do consumidor. Sem esse equilíbrio, o comércio terá dificuldades para retomar um ciclo mais robusto de crescimento”, conclui Garcia.

Assim, o varejo goiano entra em 2026 com expectativas moderadas, focado na sobrevivência, na eficiência operacional e na adaptação a um consumidor mais cauteloso, enquanto aguarda sinais mais consistentes de recuperação econômica.

Além disso, o cenário exige que os lojistas invistam em ações mais assertivas de relacionamento com o cliente, promoções pontuais e maior uso de ferramentas digitais para atrair e fidelizar o consumidor. A personalização do atendimento e o foco em necessidades essenciais ganham espaço em um contexto de restrição financeira. 

Para o Sindilojas-GO, a capacidade de adaptação será decisiva para atravessar 2026 com equilíbrio, minimizando perdas e preparando o setor para uma retomada gradual quando as condições econômicas se mostrarem mais favoráveis.

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