sexta-feira, 8 de maio de 2026
"COIOTES"

PF faz operação em Goiás contra esquema que levou brasileiros ilegalmente aos EUA

Investigação aponta que grupos criminosos organizavam travessias ilegais pela América Central; mais de 470 brasileiros teriam sido levados aos Estados Unidos

Bia Salespor Bia Sales em 7 de maio de 2026
PF faz operação em Goiás contra esquema que levou brasileiros ilegalmente aos EUA
(Imagem: Reprodução)

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (7), a Operação Travessia para combater organizações criminosas envolvidas em um esquema de migração irregular de brasileiros para os Estados Unidos. Ao todo, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão e sete mandados de prisão preventiva em Goiás e no Amapá.

Segundo a PF, Goiás concentra a maior parte das medidas judiciais. No estado, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão e sete prisões preventivas. Já no Amapá, há o cumprimento de um mandado de busca e apreensão, além da inclusão de dois investigados na lista de Difusão Vermelha da Interpol.

As investigações foram realizadas principalmente entre 2018 e 2023, mas apontam que a atuação criminosa teria começado ainda em meados dos anos 2000.

De acordo com a Polícia Federal, foram identificadas cinco organizações criminosas autônomas, cada uma com estrutura própria, mas todas inseridas em uma mesma dinâmica transnacional voltada à promoção de migração irregular.

As apurações apontam que os grupos foram responsáveis pela entrada ilegal de pelo menos 477 brasileiros em território norte-americano, número que pode ultrapassar 600 vítimas.

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Grupo era estruturado

Segundo a investigação, as organizações estruturavam toda a logística das viagens. O esquema incluía desde a saída do Brasil por via aérea até o deslocamento por países da América Central, especialmente México e Panamá, culminando na travessia irregular da fronteira terrestre para os Estados Unidos.

A PF informou ainda que os grupos contavam com integrantes em outros estados brasileiros e também no exterior. Esses envolvidos seriam responsáveis pelo suporte logístico, recepção dos migrantes e intermediação financeira das operações ilegais.

As diligências também identificaram o uso de empresas de fachada, utilização de terceiros e mecanismos de lavagem de dinheiro para ocultar a origem ilícita dos valores movimentados pelas organizações criminosas.

Os investigados poderão responder por crimes relacionados à promoção de migração ilegal, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

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