No Papo Xadrez, ex-deputados criticam STF, defendem reformas e projetam eleições no Brasil e em Goiás
Ex-deputados apontam desequilíbrio entre Poderes, cobram mudanças no sistema político e analisam cenários para 2026, com destaque para a força da centro-direita no País e a disputa acirrada no Estado
Bruno Goulart
Nesta quinta-feira (16), o podcast Papo Xadrez recebeu o ex-deputado federal e um dos fundadores do PSD goiano, Vilmar Rocha, e o economista e também ex-deputado federal Euler Morais (MDB), aliado de primeira linha do governador Daniel Vilela (MDB), para um debate amplo sobre o momento político do Brasil. Em conversa com os jornalistas Wilson Silvestre e Bruno Costa, os políticos avaliaram o desgaste do Supremo Tribunal Federal (STF), apontaram falhas no equilíbrio entre os Poderes e projetaram cenários para as eleições presidenciais e estaduais.
Logo no início do episódio, Vilmar Rocha classifica o momento como delicado. “Temos uma crise política. Não chegou ainda a uma crise institucional, mas sua origem está no Supremo”, afirma. Para o pessedista, o STF deixou de atuar apenas como guardião da Constituição e passou a influenciar diretamente o ambiente político, o que gera insegurança. O fundador do PSD em Goiás também critica o papel do Senado, que, segundo Vilmar, deveria exercer controle sobre a Corte. “O Senado está omisso. Não cumpre seu papel”, diz, ao acrescentar que a sociedade acabou por assumir esse espaço de fiscalização.
Euler Morais concorda que há desequilíbrio entre os Poderes, mas amplia o diagnóstico. Segundo o emedebista, o problema não está apenas no Judiciário, mas também na forma como o Congresso e o Executivo têm atuado. “O Judiciário tem assumido papel de legislador”, afirma. Ao mesmo tempo, o ex-deputado do MDB destaca que o Congresso tem ampliado sua influência sobre o orçamento, principalmente por meio das emendas parlamentares. “Hoje, quem influencia mais os Estados e municípios são os parlamentares, não o Executivo”, diz.
Ainda nesse ponto, Euler chama atenção para as dificuldades de planejamento no país. Para o fiel escudeiro de Daniel Vilela, o excesso de disputas e mudanças de prioridade a cada governo impede avanços estruturais. O emedebista cita como exemplo a China, que adotou planejamento de longo prazo e conseguiu se tornar a segunda maior economia do mundo. “No Brasil, entra um governante e muda tudo. Não há continuidade. E isso traz um prejuízo enorme”, afirma. Diante desse cenário, Euler defende até a discussão de uma nova constituinte para atualizar o modelo político e administrativo.
Vilmar Rocha também defende mudanças, mas foca na reforma política. O pessedista cita o voto distrital misto como alternativa para aproximar eleitores e representantes. Além disso, faz uma autocrítica sobre a reeleição. “Erramos com relação à reeleição”, afirmou. Segundo o braço direito em Goiás de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, um mandato de cinco anos seria mais adequado, pois daria tempo para o governante apresentar resultados sem depender de mais alguns anos.
Eleição presidencial

Ao falar da eleição presidencial, Vilmar avalia que o cenário tende a favorecer a centro-direita. “Há um número enorme de eleitores que não querem Lula nem Flávio Bolsonaro”, diz. Ainda assim, o pessedista afirma acreditar que o sentimento anti-PT é forte no País. “O maior movimento popular hoje é o anti-PT”, destaca, ao prever dificuldades para a base de Lula. O fundador do PSD em Goiás também aposta no crescimento do ex-governador Ronaldo Caiado como alternativa nesse cenário.
Euler Morais, por sua vez, critica a condução econômica do governo federal. “O governo tem focado mais nos gastos do que em investimentos.” Apesar de defender programas sociais, o emedebista afirma que falta uma estratégia para garantir autonomia às famílias. “O problema não é a porta de entrada, mas a porta de saída”, explica, ao criticar o uso político desses programas.
Goiás
No cenário estadual, Vilmar Rocha aponta o governador Daniel Vilela como favorito à reeleição. “Essa eleição não é de ruptura, é de continuidade”, afirma. Segundo o ex-deputado do PSD, o atual governo tem aprovação e base sólida. O pessedista ainda diz acreditar em segundo turno e vê mais chances de crescimento para o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) do que para o senador Wilder Morais (PL) na corrida rumo ao Palácio das Esmeraldas.
Euler Morais faz uma análise ainda mais cautelosa. Reconhece que Marconi é mais conhecido, mas destaca a rejeição elevada. Já Wilder, segundo o emedebista, pode crescer com o bolsonarismo, mas comete erros estratégicos, como a falta de alianças ao formar chapa pura. Por outro lado, ressalta a vantagem de Daniel. “Ele tem uma base com cerca de 200 municípios, o que faz diferença”, conclui Euler. (Especial para O HOJE)
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